Sebastião Pessoa, candidato do Partido da Causa Operária (PCO) ao Senado por Minas Gerais, denunciou neste sábado (5), durante o lançamento das candidaturas do Partido em Belo Horizonte, a deterioração das condições de vida dos trabalhadores e as profundas desigualdades econômicas existentes no estado.
Em seu discurso, “Tião” afirmou que os preços aumentam continuamente, enquanto os salários permanecem praticamente estagnados. Segundo ele, a situação econômica da maioria da população tornou cada vez mais difícil garantir as condições básicas de sobrevivência.
“Cada dia é mais difícil sobreviver economicamente aqui no Brasil: os preços das coisas aumentam diariamente e o nosso ganho não acompanha. Não tem aumento nenhum e, quando tem, é muito inexpressivo.”
O candidato utilizou sua experiência em Minas Novas, município do Vale do Jequitinhonha onde viveu durante três anos, para tratar das desigualdades regionais. Segundo Pessoa, a falta de oportunidades obriga grande parte dos jovens a abandonar a cidade assim que chegam à idade adulta e buscar trabalho em Belo Horizonte, na região metropolitana ou em São Paulo.
“Quando ele faz 18 anos, é obrigado a sair da cidade para poder construir o seu futuro. Muitos desses jovens de Minas Novas estão aqui em Belo Horizonte, na região metropolitana, ou em São Paulo. Ou seja, as pessoas nascem numa cidade do interior e são obrigadas a migrar para uma cidade maior, que tenha melhores oportunidades.”
Para Pessoa, esse quadro é resultado da própria organização da economia capitalista, que concentra recursos e oportunidades em determinadas regiões enquanto mantém grande parte da população submetida a baixos salários e condições precárias de trabalho.
O candidato defendeu que uma das reivindicações centrais do PCO seja a luta por um salário mínimo capaz de garantir condições dignas de vida. Como exemplo, afirmou que em Minas Novas há trabalhadores adultos submetidos a jornadas de um dia inteiro por meio salário mínimo, sem carteira assinada ou qualquer proteção trabalhista.
“Uma pessoa em idade adulta é obrigada a trabalhar o dia inteiro ganhando meio salário mínimo, sem carteira assinada, sem nenhum tipo de cobertura do governo. E quem as contrata ainda acha que está fazendo um favor a elas. Isso é uma coisa que precisa ter fim no país: a exploração das pessoas.”
Pessoa também destacou que as desigualdades começam muito antes da entrada no mercado de trabalho. Segundo ele, quem nasce em uma família com melhores condições econômicas parte de uma posição muito mais favorável do que os trabalhadores pobres do interior, sem acesso adequado à educação e aos recursos necessários para garantir uma vida melhor aos filhos.
No trecho final de seu discurso, o candidato afirmou que não estava no ato para pedir votos. Pessoa criticou o sistema eleitoral brasileiro e denunciou a exclusão do PCO dos principais espaços de campanha, particularmente dos debates promovidos pelas grandes redes de televisão.
“Não estou aqui para pedir voto. A gente sabe muito bem que no sistema eleitoral brasileiro, que eles chamam de democrático, não há um pingo de democracia. O PCO vem sendo perseguido há muito tempo pela burguesia; o partido não participa do debate político nas grandes redes de telecomunicação.”
Para o candidato, a campanha deve servir principalmente para ampliar o trabalho político junto à população. Ele definiu essa atividade como um crescimento “pela base”, voltado a discutir os problemas do País e incorporar mais pessoas à luta política.
“Eu acho que o trabalho que a gente faz aqui é um trabalho de crescimento pela base. Ou seja, a gente procura conscientizar as pessoas dos problemas que o país enfrenta, para que mais gente possa se juntar a essa tarefa de transformar o país.”
Pessoa encerrou o discurso convocando os presentes a participarem dessa atividade política, dentro ou fora do PCO, em seus locais de trabalho, estudo e convivência.



