Irã

Saudosos da ditadura de Pahlavi revivem métodos da SAVAK

Reportagem da HispanTV relata escalada de intimidação e violência de grupos monarquistas pró-Pahlavi contra críticos na diáspora iraniana

Uma reportagem da HispanTV assinada por Yousef Ramazani descreve que grupos monarquistas pró-Pahlavi, ativos em países imperialistas, vêm promovendo campanhas de intimidação e violência contra apoiadores da Revolução Islâmica na diáspora iraniana. O texto cita agressões em manifestações, assédio coordenado nas redes e pressões contra comerciantes, além de episódios recentes de assassinatos no Canadá e na Alemanha ligados a simpatizantes monarquistas.

Ramazani afirma que, embora a diáspora iraniana conviva há décadas com disputas políticas desde a Revolução Islâmica de 1979, nos últimos anos, parte desses conflitos se converteu em perseguição aberta, com métodos que evocam a antiga SAVAK, a polícia política da ditadura de Mohammad Reza Pahlavi, conhecida por ser um dos serviços secretos mais sanguinários de toda a história.

Apunhalamento em Hamburgo

A reportagem destaca como um dos casos mais graves o apunhalamento que matou Morteza Sadeghi, cidadão afegão de 43 anos, em 12 de fevereiro de 2026, em Hamburgo. Sadeghi era dono do restaurante Sepideh, um dos estabelecimentos afegão-iranianos mais antigos da cidade.

Conforme o relato, um cliente de origem iraniana tentou forçar Sadeghi a exibir no restaurante a bandeira monarquista do “leão e sol”, associada à ditadura anterior a 1979. Diante da recusa, a discussão evoluiu para um confronto no estacionamento atrás do prédio, quando o suspeito sacou uma faca e apunhalou Sadeghi várias vezes. O empresário foi levado ao hospital, mas morreu cerca de uma hora depois. O suspeito, ainda segundo a reportagem, segue foragido, e houve reforço de segurança no entorno do hospital por temor de tumultos.

Mortes no Canadá

O texto também aponta dois casos no Canadá, em fevereiro de 2026.

O primeiro envolve Masoud Masjoudi, ativista iraniano-canadense dado como desaparecido em 4 de fevereiro. Aproximadamente 26 horas depois, seu corpo foi encontrado em uma escada de emergência de um edifício residencial em Vancouver. A reportagem afirma que Masjoudi havia iniciado procedimentos judiciais na Suprema Corte da Colúmbia Britânica relacionados a campanhas de assédio nas redes que ele atribuía a indivíduos ligados a círculos monarquistas. Ramazani escreve que Masjoudi disse a pessoas próximas que vinha recebendo mensagens ameaçadoras e que compartilhou esse material com autoridades. A polícia canadense, conforme o texto, não confirmou publicamente motivação política e o caso seguia sob investigação.

Menos de duas semanas depois, Mohsen Ahmadipour foi assassinado em Toronto. A reportagem afirma que comentaristas na Internet passaram a tratar os dois casos como conectados e politicamente motivados, enquanto autoridades mantinham silêncio sobre o motivo.

Agressão em protestos

Além dos casos letais, Ramazani descreve um conjunto de episódios de violência e hostilidade em diferentes países.

Em Londres, circulou um vídeo com um jovem monarquista discutindo com uma mulher iraniana idosa em uma manifestação pró-Palestina.

No sul da Califórnia, houve confrontos perto do acampamento na UCLA durante manifestações pró-Palestina, com feridos e intervenção policial. Depois, estudantes iraniano-norte-americanos relataram ter recebido mensagens ameaçadoras.

O texto menciona ainda empurrões e brigas em Paris e Bruxelas, no início de 2023, e episódios semelhantes em Washington e Munique, envolvendo disputa por palavras de ordem e por símbolos, incluindo a bandeira monarquista.

A reportagem afirma que a tensão ficou particularmente visível durante as eleições presidenciais iranianas de julho de 2024 no exterior. Em países como Alemanha, Austrália, Nova Zelândia, França, Suécia, Reino Unido e Estados Unidos, manifestantes se concentraram diante de embaixadas e consulados, com vídeos de gritos, empurrões e confrontos com eleitores.

Em Londres, houve detenções por distúrbios. A reportagem menciona uma mulher identificada como Bahar Mahroo em publicações na Internet, envolvida em agressão a uma eleitora idosa; a polícia britânica teria aberto investigação, sem adotar medidas concretas no período descrito. Outra mulher, Niyak Ghorbani, teria sido detida após confrontos no local de votação.

Nos Estados Unidos, a reportagem diz que também houve tentativas de desestimular a participação eleitoral em alguns pontos, com críticas de integrantes da diáspora de que oposição política não deveria se converter em intimidação.

Pressão econômica contra comerciantes

A HispanTV também descreve campanhas de pressão econômica e reputacional contra pessoas que não aderem à política monarquista.

Em Viena, donos de restaurantes iranianos relataram terem sido abordados para exibir fotos de Reza Pahlavi e a bandeira monarquista; quem recusou disse ter enfrentado tentativas organizadas de afastar clientes, incluindo protestos e violência em frente aos estabelecimentos.

Em Los Angeles, comerciantes afirmaram que o assédio tornou difícil manter neutralidade, sob risco de boicotes organizados e ataques virtuais. No Canadá, empresários relataram campanhas coordenadas nas redes após declarações contrárias ao monarquismo.

Virtualmente, a reportagem descreve redes de contas que amplificariam ataques contra dissidentes, com assédio, exposição de dados pessoais e campanhas de difamação. Um caso citado é o da atriz Golshifteh Farahani, alvo de ofensiva virtual após criticar a tentativa de intervenção militar estrangeira no Irã.

Ramazani menciona ainda um episódio na Conferência de Segurança de Munique de 2026, quando a jornalista Christiane Amanpour questionou Reza Pahlavi sobre o comportamento de seus apoiadores nas redes; depois disso, a própria Amanpour virou alvo de ataques.

A volta da SAVAK

Na parte final, a reportagem argumenta que a escalada de intimidação e violência na diáspora vem acompanhada de uma glorificação aberta da SAVAK em certos atos monarquistas. O texto menciona o uso de imagens e palavras de ordem associados à polícia política da ditadura como forma de provocação, além do slogan “Javid Shah” (“vida longa ao xá”), repetido de maneira coreografada em atos.

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