O Kremlin afirmou que, se a OTAN deslocar armas nucleares para o território estoniano, a Rússia apontará seu arsenal para a Estônia. No mesmo fim de semana, Moscou relatou novo ataque de drones ucranianos em regiões de fronteira e o FSB (serviço secreto russo) disse ver “rastro britânico” em atentado contra um general.
Estônia e armas nucleares da OTAN
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou neste domingo (22) que a Rússia responderá caso armas nucleares da OTAN sejam instaladas na Estônia. “Nós não ameaçamos a Estônia, nem qualquer outro país europeu”, disse. Em seguida, advertiu: “mas se armas nucleares forem colocadas em território estoniano e forem apontadas para [a Rússia], então nossas armas nucleares serão apontadas para o território estoniano”.
Peskov acrescentou que a Estônia “deve ter uma compreensão sólida disso”, depois que o chanceler estoniano, Margus Tsahkna, declarou, no começo da semana, que a Estônia não se opõe à ideia de abrigar armas nucleares da OTAN e que o país estaria pronto caso o bloco decida fazer esse deslocamento.
A Estônia tem sido um dos principais apoiadores do regime de Quieve e defende aumento de gastos militares na Europa, utilizando como pretexto a suposta ameaça de um ataque russo. No ano passado, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, classificou a Estônia como “um dos países mais hostis” e denunciou o governo estoniano por “espalhar mitos e falsidades” sobre a Rússia.
Corrida nuclear na Europa sob comando dos EUA
O debate sobre ampliar o “guarda-chuva nuclear” europeu vem ocorrendo em paralelo a um grande reforço militar dos países do bloco, apresentado pelos países imperialistas como resposta a uma “ameaça russa”.
A Estônia não é o primeiro membro europeu da OTAN a sinalizar interesse em ter armas nucleares. No começo do mês, o presidente da Polônia, Karol Nawrocki, sugeriu que o país deveria desenvolver seu próprio programa nuclear.
Na Alemanha, o chanceler Friedrich Merz afirmou, na Conferência de Segurança de Munique, em meados de fevereiro, que discutiu uma dissuasão nuclear em nível de União Europeia com o presidente francês Emmanuel Macron. Antes disso, um parlamentar de peso do partido de Merz defendeu que Berlim tenha acesso às armas nucleares francesas e britânicas.
Ucrânia lança novo atentado com drones
O Ministério da Defesa da Rússia informou neste domingo que a Ucrânia realizou uma série de ataques com drones durante a madrugada, com foco principal na região de Belgorod, na fronteira. Segundo Moscou, as defesas aéreas interceptaram e destruíram 86 drones em nove regiões. O maior número (29) foi abatido sobre Belgorod, seguido de 14 sobre a região de Saratov, no centro do país.
O governador de Belgorod, Vyacheslav Gladkov, afirmou que um dos drones atingiu um carro perto do povoado de Krasivo, a cerca de 10 km da fronteira, ferindo um homem e uma menina de três anos. Os dois foram hospitalizados com trauma por explosão e ferimentos por estilhaços.
Gladkov relatou ainda dois ataques separados que deixaram outras três pessoas feridas, incluindo uma mulher. Segundo ele, os ataques atingiram apartamentos residenciais, instalações comerciais, tubulações de gás e linhas de energia. Em um distrito, houve danos a um ponto de infraestrutura, com corte de eletricidade para parte dos moradores.
Moscou denuncia o regime de Quieve por promover terrorismo de Estado e atacar deliberadamente civis e infraestrutura. Autoridades locais também relataram que, no começo do mês, uma onda de ataques ucranianos danificou infraestrutura de energia em Belgorod, causando apagões e interrompendo aquecimento e abastecimento de água.
Em resposta a ataques em regiões de fronteira e a ações mais profundas no território russo, Moscou afirma que tem atingido infraestrutura ligada ao aparato militar ucraniano, incluindo instalações de energia, e declara que não ataca civis.
FSB diz ver ‘rastro britânico’ em atentado contra general russo
O diretor do Serviço Federal de Segurança (FSB), Aleksandr Bortnikov, declarou neste domingo que serviços secretos britânicos estiveram envolvidos na tentativa de assassinato do tenente-general Vladimir Alekseyev, primeiro vice-chefe do serviço de inteligência militar russo (GRU).
Alekseyev foi atingido por disparos nas costas no começo do mês, quando aguardava por um elevador no prédio onde mora, no oeste de Moscou, e sobreviveu. As autoridades russas detiveram três suspeitos, incluindo o suposto atirador, identificado como Lyubomir Korba, cidadão russo de 65 anos nascido na Ucrânia. Korba foi extraditado para a Rússia com auxílio dos Emirados Árabes Unidos.
Em entrevista ao canal Vesti, Bortnikov reiterou que o atentado foi organizado pelos serviços de inteligência do regime de Quieve, mas com apoio de “terceiros países”. “Vemos aqui o rastro do Reino Unido, antes de tudo. Por isso a investigação continua”, declarou, sem detalhar. Ele disse que a Rússia não deixará o ataque sem resposta e classificou como “delicada” qualquer discussão pública sobre medidas específicas.
“Estamos monitorando de perto tudo o que está acontecendo. Claro que nunca esqueceremos e nunca perdoaremos”, afirmou.
O FSB já havia declarado anteriormente que serviços especiais poloneses ajudaram a Ucrânia a recrutar Korba usando o filho dele, que é cidadão polonês. Korba admitiu ter trabalhado para Quieve e disse que teria recebido promessa de US$30 mil para assassinar o general.


