Guerra no Oriente Próximo

Rússia: mesmo com cessar-fogo, petróleo permanecerá caro por meses

Comentários surgem após o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar um cessar-fogo "bilateral" de duas semanas com Irã

Os mercados globais de energia levarão meses para se recuperar do choque causado pela guerra entre EUA-“Israel” e o Irã, alertou o enviado do Crêmlin (sede do governo russo), Kirill Dmitriev, observando que a reabertura do Estreito de Ormuz dificilmente terá um efeito imediato.

Seus comentários surgem após o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar um cessar-fogo “bilateral” de duas semanas com o Irã para negociar um acordo de paz de longo prazo baseado no plano de 10 pontos de Teerã, que permitiria ao país manter o controle sobre o estreito.

Embora os preços do petróleo tenham caído em resposta à notícia, Dmitriev, que atua como enviado especial do presidente russo Vladimir Putin para investimento e cooperação econômica, alertou que os mercados de energia “levarão meses para se normalizar, mesmo que o Estreito de Ormuz permaneça aberto”.

A previsão de Dmitriev foi uma resposta a uma reportagem da Bloomberg na qual vários chefes de companhias aéreas asiáticas alertaram que os preços do combustível de aviação ainda exigiriam “muitos, muitos meses mais” para estabilizar. O diretor-geral da Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA), Willie Walsh, observou que, se o Estreito de Ormuz “fosse reaberto e permanecesse aberto, ainda levaria um período de meses para retornar ao nível de oferta necessário, dada a interrupção da capacidade de refino no Oriente Médio”.

O conflito causou danos duradouros à infraestrutura energética, com várias refinarias destruídas, fazendo com que os preços do combustível de aviação mais do que dobrassem desde o início da guerra. O CEO da Thai Airways, Chai Eamsiri, chamou o choque atual de o pior em seus quase quarenta anos de carreira.

Mais de 800 embarcações também permanecem presas no Golfo Pérsico após o Estreito de Ormuz ter sido virtualmente fechado após os ataques dos EUA e de Israel no final de fevereiro. Segundo a agência norte-americana Bloomberg, operadores e armadores estão agora monitorando de perto quais navios começarão a transitar pelo estreito sob o frágil cessar-fogo. Uma contagem da Organização Marítima Internacional do final de março estimou que cerca de 20.000 marítimos estão presos a bordo de navios retidos, enfrentando escassez de suprimentos, fadiga e estresse psicológico.

Um relatório recente da Newsmax, divulgado pouco antes do anúncio do cessar-fogo, também alertou sobre um iminente choque global de commodities, observando que a verdadeira escala das interrupções causadas pela guerra entre EUA-“Israel” e o Irã ainda está por se materializar. O veículo alertou que o mundo poderá em breve enfrentar escassez súbita e severa que se espalhará rapidamente da energia para fertilizantes, produção de alimentos e bens de consumo.

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