Na madrugada desta sexta-feira, 9 de janeiro, as Forças Armadas da Rússia lançaram mísseis hipersônicos com capacidade nuclear, modelo Oreshnik, contra instalações de produção de drones e de energia relacionadas ao complexo industrial-militar, localizadas no interior do território ucraniano.
Segundo comunicado do Ministério da Defesa da Federação Russa, os bombardeios foram uma resposta à tentativa de “ataque terrorista por parte do regime de Quieve” com 91 drones de longo alcance contra a residência oficial do presidente Vladimir Putin, na região de Novgorod. Todos os drones foram interceptados pelas defesas aéreas russas. Serguei Lavrov, ministro das Relações Exteriores, denunciou que os ataques ocorreram entre os dias 28 e 29 de dezembro de 2025.
Vídeos dos mísseis atingindo os alvos no território ocidental da Ucrânia circularam nas redes sociais. Filmagens da região de Livive, na fronteira com a Polônia, registraram os momentos em que os Oreshnik atingiram os alvos em rápida sucessão, característica desse tipo de armamento. Os russos destacam que tais mísseis não são passíveis de interceptação, comparando-os a um “meteoro em queda”.
Canais russos do Telegram sugerem que os mísseis atingiram uma instalação subterrânea de gás na cidade de Istrei, a 60 km ao sul de Livive. O prefeito da cidade, Andrey Sadovoy, confirmou que “uma parte da infraestrutura crítica” havia sido realmente atingida.
Não é a primeira vez que os russos utilizam esses mísseis em ataques contra alvos na Ucrânia. Em novembro de 2024, Oreshniks foram lançados contra uma fábrica de produção de armamentos na cidade de Diniepre. Esse ataque foi caracterizado como um “teste de combate”. Desde então, o presidente Vladimir Putin ordenou a produção em massa desses mísseis, que também estão posicionados em Belarus, o mais próximo aliado da Rússia no leste europeu.
Vale destacar que o lançamento do Oreshnik pela primeira vez ocorreu dias após o então presidente dos Estados Unidos, Joe Biden (Partido Democrata), autorizar Quieve a lançar mísseis balísticos ATACMS contra o território russo.
Acredita-se que os mísseis russos Oreshnik viajem dez vezes mais rápido que a velocidade do som. Putin destacou que não existe nada comparável no mundo em termos de potência. Não é possível interceptá-los, mesmo que se saiba de antemão a hora e os locais exatos dos ataques.
Os Oreshniks são mísseis balísticos considerados de médio alcance, com raio de ação de aproximadamente 965 km a 1.600 km. O lançamento realizado em 2024 levou oficiais dos Estados Unidos a observarem que esses mísseis podem ter capacidade de ação superior a 3.000 km. Uma característica distintiva é sua capacidade de lançar múltiplas ogivas, nucleares ou não, em alvos específicos a partir do míssil principal. Especialistas norte-americanos destacam que os Oreshniks podem ser uma evolução do míssil RS-26 Rubezh, desenvolvido em 2008.
O lançamento desses mísseis é uma ação de retaliação por parte de Moscou à tentativa de ataque contra a residência oficial de Putin. Contudo, pode se tratar de uma advertência contra a presença de tropas europeias na Ucrânia, algo que os líderes europeus têm discutido recentemente. Os russos já advertiram que forças europeias seriam consideradas alvos legítimos.
Desde que Vladimir Putin autorizou a Operação Militar Especial na Ucrânia, em fevereiro de 2022, tornou-se evidente que a indústria e a tecnologia militar russas representam uma grave ameaça ao imperialismo. Um general da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) destacou que as armas nucleares russas impedem um ataque da coalizão militar ocidental liderada pelos Estados Unidos.
A Rússia continua a avançar na tomada das Repúblicas do Donbass — Donetsk, Lugansk, Zaporizhia e Querson — contra as tropas das Forças Armadas da Ucrânia, estas últimas apoiadas militarmente pelos países imperialistas centrais e assessoradas por todo o aparato de inteligência e espionagem. A imprensa imperialista, por sua vez, desempenha o papel de levar adiante uma campanha de propaganda mundial contra os russos.
Recentemente, vazou à imprensa um plano elaborado pelos militares alemães de preparação para uma guerra contra a Rússia, cujo teatro de operações seria um país do leste europeu, provavelmente a Polônia. O bloco imperialista mundial, em profunda crise, não pode conviver com Estados nacionais que mantenham considerável nível de soberania e independência.




