Política internacional

Rússia, Irã e China farão exercício militar no Estreito de Ormuz

Manobras estão previstas para este mês no Golfo de Omã e no norte do Oceano Índico

Rússia, Irã e China realizarão exercícios militares navais conjuntos nas águas ao largo do Irã, segundo afirmou o assessor presidencial russo Nikolay Patrushev em entrevista ao jornal russo Argumenty i Fakty, publicada na terça-feira (17). Patrushev disse que navios de guerra dos três países já foram deslocados para as manobras e que os exercícios integram o programa Cinturão de Segurança Marítima (Maritime Security Belt), com realização prevista para este mês no Golfo de Omã e no norte do Oceano Índico, envolvendo embarcações e aeronaves dos três países.

Patrushev afirmou que as manobras se inserem, segundo ele, em um esforço conjunto para construir “uma ordem mundial multipolar nos oceanos”, em resposta ao que chamou de “hegemonia ocidental de longa duração no mar”. O assessor presidencial russo disse ainda que os mares voltam a ser uma plataforma de “agressão militar” e de retomada da “diplomacia das canhoneiras”, citando tensões recentes em torno da Venezuela e do Irã. “O Ocidente dominou os mares por muito tempo, até o início deste século, mas agora essa hegemonia está, em muitos aspectos, no passado”, disse.

O Cinturão de Segurança Marítima foi descrito como uma iniciativa originalmente iraniana e realizada em formato trilateral desde 2019, com exceção de 2021, quando a China não participou.

Exercício bilateral Rússia–Irã nesta semana

Separadamente, veículos iranianos informaram, citando o comandante naval Hassan Maqsoudlou, que as forças navais do Irã e da Federação Russa farão um exercício naval conjunto na quinta-feira (19), no Mar de Omã e no norte do Oceano Índico, com o objetivo de ampliar a segurança marítima e expandir a cooperação militar bilateral.

Segundo Maqsoudlou, o exercício será sediado pela Primeira Região Naval da Marinha iraniana no porto de Bandar Abbas, no sul do país. Foi informado também que a corveta russa Stoikiy entrou em águas do sul do Irã na quarta-feira (18) como parte da cooperação marítima e atracou na base da Primeira Região Naval.

Maqsoudlou declarou que o objetivo principal do exercício é promover segurança marítima e “interações navais sustentáveis” no Mar de Omã e no norte do Oceano Índico. Ele citou, entre metas, a expansão da cooperação marítima conjunta e o fortalecimento da coordenação no planejamento e na execução de operações combinadas. O comandante afirmou ainda que haverá foco em ações de enfrentamento a atividades que ameacem a segurança no mar, com destaque para a proteção de embarcações comerciais e petroleiros e para o combate ao terrorismo marítimo.

O comandante acrescentou que o exercício busca aprofundar laços, ampliar a cooperação regional com prioridade para países vizinhos e reforçar o papel de Estados da região na segurança marítima e na navegação. Ele afirmou que o treinamento, junto de outros exercícios das Forças Armadas iranianas, expressa atenção ao Mar de Omã e ao norte do Oceano Índico e o compromisso de fortalecer a cooperação marítima, se opor ao unilateralismo e apoiar o comércio marítimo seguro.

O comandante da flotilha naval russa, capitão de primeiro escalão Alexey Sergeev, declarou satisfação por estar em Bandar Abbas e agradeceu a hospitalidade iraniana. Ele disse que o nível atual de cooperação demonstra capacidade de administrar e resolver, em conjunto, desafios marítimos e costeiros. Sergeev afirmou ainda que a Rússia está preparada para realizar exercícios conjuntos em diferentes regiões, incluindo treinamentos especializados, como operações navais de contraterrorismo com navios e embarcações das duas marinhas.

Negociações indiretas EUA-Irã

O anúncio das manobras ocorre após a segunda rodada de negociações indiretas entre Estados Unidos e Irã, mediadas por Omã, realizada em Genebra na terça-feira (17), sobre o programa nuclear iraniano. A primeira rodada havia ocorrido em 6 de fevereiro, em Mascate.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou após o encontro que as conversas foram “mais construtivas” do que a rodada anterior e resultaram em acordo amplo sobre um conjunto de “princípios orientadores” para avançar. “Em última instância, conseguimos chegar a um amplo acordo sobre um conjunto de princípios orientadores, com base nos quais seguiremos adiante e começaremos a trabalhar no texto de um possível acordo”, disse Araghchi à televisão estatal. Ele afirmou que, quando minutas forem preparadas, os textos seriam trocados e uma terceira rodada seria agendada.

Nos Estados Unidos, o vice-presidente JD Vance adotou tom mais cauteloso em entrevista à Fox News. “Em alguns aspectos, foi bem; eles concordaram em se reunir depois”, afirmou. “Mas, em outros, ficou muito claro que o presidente estabeleceu algumas linhas vermelhas que os iranianos ainda não estão dispostos a reconhecer e trabalhar”.

As negociações ocorrem no âmbito do acordo nuclear de 2015, o Plano de Ação Conjunta Abrangente (JCPOA). O presidente Donald Trump retirou os Estados Unidos do JCPOA durante seu primeiro mandato e restabeleceu sanções amplas contra o Irã. O governo norte-americano pressiona por um novo acordo, enquanto o Irã afirma que suas atividades nucleares têm fins pacíficos e rejeita a exigência de “enriquecimento zero” de urânio.

As tensões permaneceram elevadas desde junho de 2025, quando “Israel” e os Estados Unidos realizaram ataques aéreos coordenados contra instalações nucleares iranianas. Teerã condenou a operação como violação não provocada de sua soberania. Após os ataques, os EUA reforçaram a presença militar na região com meios navais e aéreos, incluindo a informação de envio de um segundo porta-aviões, além de ativos adicionais.

Relatos iranianos situam parte do reforço na presença do porta-aviões USS Abraham Lincoln e seu grupo de ataque em águas próximas ao Irã desde o início de janeiro, com previsão de chegada de um segundo grupo liderado pelo USS Gerald R. Ford. Outro trecho aponta que, nas 24 horas anteriores a um desses relatos, os Estados Unidos teriam enviado mais de 50 caças F-35, F-22 e F-16 para a região, com base em dados de radares de voo e declarações de um funcionário norte-americano.

Na terça-feira, a Guarda Revolucionária do Irã realizou exercícios no Estreito de Ormuz, passagem estratégica para o transporte global de petróleo, e afirmou que poderia fechar a via marítima em caso de ataque. Foi indicado que cerca de 100 embarcações mercantes transitam diariamente pelo estreito. Também foi relatado que, durante exercícios identificados como “Controle inteligente sobre o Estreito de Ormuz”, o estreito foi fechado por algumas horas por razões de segurança.

O comandante da Marinha do Exército iraniano, contra-almirante Shahram Irani, declarou a repórteres, antes de embarcar para a Índia, que considera “injustificável” a presença de frotas militares extrarregionais na Ásia Ocidental. Ele afirmou que o Irã enfrenta, há 47 anos, ameaças, campanhas de propaganda e a presença de frotas estrangeiras na região. Irani disse que, se essas frotas entrarem na área com base no poder militar, “devem saber que o povo iraniano as enfrentará com maior força”. Em outra declaração atribuída ao mesmo comandante, Irani afirmou que “a fé do povo e os mísseis” seriam dois componentes centrais da dissuasão iraniana.

Khamenei responde a Trump

Em discurso televisionado na terça-feira, coincidindo com a rodada de negociações em Genebra, o líder da Revolução Islâmica, aiatolá Saied Ali Khamenei, respondeu a declarações de Donald Trump sobre “mudança de regime” no Irã. “Em um de seus discursos recentes, o presidente dos Estados Unidos disse que, por 47 anos, a América não conseguiu destruir a República Islâmica… eu lhes digo: vocês também não conseguirão”, afirmou Khamenei.

No mesmo pronunciamento, Khamenei disse que tentativas de intimidação não terão êxito e mencionou a presença de meios navais norte-americanos. “Um navio de guerra certamente é uma arma perigosa, mas ainda mais perigosa é a arma capaz de afundá-lo”, declarou. Em outro trecho, Khamenei também mencionou que “os americanos dizem repetidamente que enviaram um navio de guerra ao Irã” e afirmou que existe arma capaz de enviar esse navio “ao fundo do mar”.

Trump afirmou que a concentração militar teria como objetivo pressionar Teerã a negociar e que, se não houver acordo, poderia haver um ataque “muito pior” do que o realizado contra instalações nucleares iranianas em junho de 2025. Autoridades iranianas rejeitaram ameaças e coerção, dizendo que a diplomacia não pode avançar sob pressão e que aceitam conversas se forem consideradas justas e baseadas em respeito mútuo, com advertência de resposta a eventual ataque a interesses iranianos.

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