Análise da 3ª

Rui Pimenta: ‘juventude tem uma tendência muito séria à radicalização’

Rui Costa Pimenta analisou os principais acontecimentos deste meio de semana

Nesta terça-feira (20), a tradicional Análise da 3ª foi transmitida em horário excepcional diretamente do acampamento da 54ª Universidade de Férias do Partido da Causa Operaria (PCO). Durante o programa, transmitido pela Rádio Causa Operária, o presidente nacional do Partido, Rui Costa Pimenta, debateu temas centrais da conjuntura nacional, como a crise financeira da operadora Hapvida e os recentes embates envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), além de responderem a questionamentos da audiência sobre história e política internacional.

O programa iniciou com uma discussão sobre a instabilidade no setor da saúde privada. As ações da Hapvida despencaram após trocas no corpo executivo e as denúncias de negativas de cobertura. Rui Pimenta classificou como “escandalosa” a relação entre o Ministério da Saúde e as empresas privadas. “O Ministério da Saúde do governo do PT está a serviço das empresas privadas”, afirmou o dirigente, criticando o perdão de dívidas de quase R$1 bilhão concedido à operadora enquanto o setor público enfrenta carência de medicamentos. Para ele, o Sistema Único de Saúde (SUS) atravessa um processo de “semiprivatização”.

Ao comentar a situação financeira de grandes grupos como o Banco Master e as Americanas, Pimenta traçou um paralelo com as flutuações do mercado de capitais. No caso do Banco Master, ele apontou o envolvimento de prefeituras e governos estaduais em negociações arriscadas que colocam em perigo fundos de funcionários públicos. “Os grandes grupos conseguem bancar isso, mas os pequenos não conseguem e acaba que, mais cedo ou mais tarde, vai tudo por água abaixo”, vaticinou.

A resistência do STF em aprovar um código de ética proposto pelo ministro Edson Fachin também foi discutida. Segundo Rui Pimenta, a situação no tribunal é de uma “bandalheira total” e a falta de consenso para pequenas restrições demonstra que a Corte está fora de controle. O presidente do PCO criticou a postura da esquerda em ser “avalista de processos escusos” sob a justificativa de que o Supremo Tribunal Federal (STF) seria uma barreira contra o golpe.

Sobre a suspensão de investigações do TCU e da Receita Federal envolvendo ministros, decidida por Alexandre de Moraes, Rui Pimenta apontou um conflito de interesses. “Agora se trata de defender o próprio Alexandre de Moraes de denúncias, e ele é uma autoridade pública; deveria responder às denúncias e não perseguir as pessoas que estão denunciando”, declarou. Ele ironizou a situação afirmando que, nesse ritmo, o Banco Master poderia adotar o slogan de “Banco da Democracia”.

Rui Pimenta classificou como “absolutamente irregular” a decisão do ministro Dias Toffoli de manter provas lacradas sob a guarda do Supremo, em vez de entregá-las à Polícia Federal. Para ele, trata-se de uma obstrução da investigação, especialmente dado o suposto envolvimento de familiares do ministro com o banco. “É totalmente escandaloso que o caso do Banco Master fique sob segredo de justiça”, reforçou.

Sobre a transferência de Jair Bolsonaro para um setor específico da Papuda, Rui Pimenta sugeriu que pode haver uma negociação geral em andamento, possivelmente visando uma futura prisão domiciliar, mas ressaltou que é necessário aguardar a definição do cenário.

Rui Pimenta comentou a possível participação do Brasil no conselho de paz formado por Donald Trump para a Faixa de Gaza, vendo isso como uma tentativa de dar uma “aparência democrática” ao processo.

Questionado sobre a política do partido quanto ao uso de entorpecentes, Rui esclareceu que o PCO defende o enfrentamento real dos problemas. “Nós somos a favor da luta revolucionária para mudar a sociedade e não da fuga da realidade”, afirmou, posicionando-se contra o uso recreativo de drogas.

O analista teceu duras críticas a setores da esquerda, como o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), que caluniam o regime iraniano em meio a ofensivas imperialistas. “Eles são escravos de uma determinada opinião pública que é formada pela imprensa imperialista”, disse. Para ele, essa ala da esquerda capitula diante da propaganda estrangeira e não reconhece a natureza das operações de desestabilização.

Rui Pimenta defendeu o papel da República Islâmica do Irã como suporte material à resistência palestina, contestando quem diz que o apoio é apenas verbal. “O Irã foi o país que mais deu apoio à Palestina. Na verdade, foi o único país grande que deu apoio”, sustentou, listando as ações do Hesbolá e do Iêmen como parte desse suporte coordenado.

A propósito da “Revolta do Roblox”, o dirigente destacou o potencial de radicalização da juventude. “A juventude tem uma tendência muito séria à radicalização. Por isso que o ataque à juventude do ponto de vista da censura é muito grande”, explicou. Ele alertou que a política de censura acaba empurrando os jovens para a direita de forma episódica.

Sobre a possibilidade do Bitcoin substituir moedas nacionais, Rui mostrou-se cético. “É muito improvável que aconteça isso”, afirmou, classificando o fenômeno como um sintoma patológico da especulação capitalista. “Isso aí só vai acontecer se o imperialismo conseguir centralizar essa moeda”, completou.

Finalizando, Rui Pimenta desmentiu dados que apontam baixa aprovação de Nicolás Maduro, atribuindo os números à desinformação da imprensa. “Tudo o que a imprensa fala é mentira, é desinformação”, concluiu.

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