Nesta sexta-feira (30), durante sua tradicional entrevista à TV 247, o presidente do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta, abordou a crise do Banco Master, a pressão imperialista sobre Cuba e Venezuela e as perspectivas para as eleições de 2026. Logo no início, ao ser provocado sobre se sua candidatura presidencial poderia prejudicar a votação de Lula, Pimenta foi enfático ao descrever a dinâmica eleitoral entre a esquerda revolucionária e o PT:
“A minha experiência mostra que a gente não tira voto do PT, viu? PT tira voto da gente, é o contrário.”
Sobre o bloqueio a Cuba, o entrevistado criticou a omissão do debate público no Brasil.
“Não é sanção, porque nós não podemos admitir que os Estados Unidos têm o poder de sancionar ninguém, mas é um bloqueio econômico criminoso, é uma política genocida, né? É uma política de esmagamento.”
Ele defendeu que o governo brasileiro deveria ter uma postura mais ativa na denúncia desse cerco, que classificou como “o pior tipo de política que pode existir”, comparando-a aos bombardeios da Segunda Guerra Mundial que visavam castigar populações civis para forçar mudanças de regime.
Ao tratar das recentes movimentações da Polícia Federal com órgãos de inteligência estrangeiros, Rui Costa Pimenta declarou:
“Não existe cooperação com CIA, com os Estados Unidos. O que existe é submissão, né? Isso aí é uma demonstração adicional de uma coisa que nós temos falado sistematicamente. A Polícia Federal brasileira está toda infiltrada pelo FBI, pela CIA.”
Segundo ele, a justificativa do combate à lavagem de dinheiro é utilizada como “atividade contrarrevolucionária” para isolar financeiramente a resistência palestina e países como o Irã.
O tema central da nacional interna foi o escândalo envolvendo o Banco Master e sua relação com figuras do Judiciário. Pimenta sugeriu que o governo Lula não deve tentar blindar aliados ou instituições, mas sim liderar a investigação:
“Eu acho que o governo deveria assumir a CPI, senão ele vai ficar com esse mico. O governo deveria chegar e falar: ‘Não tenho nada com isso. Sou favorável a que tudo seja esclarecido. Quem tiver culpa no cartório que pague’.”
Sobre a estrutura do Supremo Tribunal Federal (STF), ele defendeu mudanças estruturais profundas:
“Eu seria favorável que o STF fosse suprimido como instância de Corte Constitucional, fosse simplesmente uma última instância para casos excepcionais. Esse negócio de que o judiciário é um poder gera muita confusão”.
Questionado sobre o impacto dessas crises na “imagem” das instituições e o ganho político da extrema direita, o dirigente alertou que o uso político do escândalo pelos bolsonaristas é “inevitável”. Ele pontuou que “quando um determinado órgão de repressão ou de acusação mostra uma fratura desse tamanho, como é a questão do Banco Master, tudo que ele fez anteriormente cai sobre uma luz de profunda suspeição”.
Por fim, ao abordar a situação internacional, Rui Costa Pimenta descreveu um mundo à beira de um conflito aberto. “Eu acho que a gente deveria caracterizar que nós vivemos aqui uma situação de virtual guerra mundial. Eu acho que é um quadro geral de guerra entre dois blocos: um bloco que é ameaçado pelo imperialismo e reage, e o imperialismo”.





