Em entrevista exclusiva concedida à rede de televisão estatal iraniana Student News Network (SNN), o presidente do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta, discutiu a situação política internacional, focando na pressão dos Estados Unidos sobre a Venezuela e no papel da República Islâmica do Irã na resistência anti-imperialista. Para o dirigente, as recentes ações do imperialismo norte-americano contra o governo de Nicolás Maduro, incluindo o seu sequestro junto a sua espoa, representam “uma agressão inaceitável do imperialismo norte-americano” e um exemplo de “banditismo político internacional”.
Segundo Pimenta, embora o controle dos recursos energéticos seja um motivo óbvio, a investida contra a Venezuela possui razões mais profundas. “O petróleo é um dos motivos, mas não é o único”, afirmou. Ele destacou que a ordem internacional estabelecida pelo imperialismo está em “grande decomposição”, o que tende a gerar reações revolucionárias futuras.
Questionado sobre a possibilidade de o Brasil sofrer pressões semelhantes, o presidente do PCO foi enfático ao dizer que “o acontecimento venezuelano seguramente abre a porta para essa possibilidade”. Contudo, ele acredita que qualquer tentativa de intervenção em solo brasileiro despertaria uma reação popular muito forte. Ao comparar os cenários, Pimenta observou que o chavismo se diferencia por ter criado uma “força militar popular” capaz de dificultar invasões externas.
Diante das ameaças que pairam sobre países como Cuba, Colômbia e o próprio Brasil, Rui Costa Pimenta defende uma mudança na postura diplomática da região. Para ele, a medida mais urgente seria a criação de uma frente de defesa da Venezuela. “O governo brasileiro deveria tomar a iniciativa de montar uma coligação contra a intervenção”, sugeriu o presidente do PCO, criticando a atual inércia diante do perigo.
A conversa também abordou a tensão crescente no Oriente Próximo. Pimenta classificou a posição do Irã como a “mais concreta e efetiva” entre os países que se opõem ao imperialismo. Para ele, a ação da República Islâmica não se limita à retórica, conforme visto especialmente no apoio à causa palestina. Sobre a ameaça de um conflito direto com o Irã, o dirigente acredita que é um motivo de preocupação para o imperialismo: “um ataque de maior peso poderia inflamar a situação política mundial”, pontuou, ressaltando que a agressividade norte-americana é, na verdade, um reflexo de sua debilidade interna.
Um dos pontos altos da entrevista foi a análise do legado do General Qassem Soleimani. Pimenta o descreveu como uma das figuras “mais extraordinárias da luta anticolonial”. Segundo o líder do PCO, Soleimani não foi apenas um militar, mas o arquiteto de uma “nova espécie de construção política”: o Eixo da Resistência. “Não é um apoio localizado, é uma verdadeira estruturação da luta”, disse Pimenta, comparando o impacto mítico de Soleimani ao de Che Guevara na América Latina.
Ao encerrar sua análise, Rui Costa Pimenta refletiu sobre os dois anos dos eventos em Gaza, classificando o 7 de outubro como um “ponto de virada” na política mundial. Ele afirmou que a causa palestina dificilmente será esquecida, dada a mobilização inédita de estudantes e da população civil ao redor do mundo.
“O Estado de Israel entrou na sua reta final de existência”, declarou Pimenta, argumentando que o isolamento internacional e a resistência interna tornam o atual modelo israelense insustentável a longo prazo. Ele concluiu agradecendo a oportunidade de conversar com o público iraniano, reafirmando que o enfraquecimento do imperialismo é uma realidade que une os oprimidos de diferentes continentes.




