Entre os vários temas debatidos durante a Análise Política da Semana, da Causa Operária TV, Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), analisou a morte do Cão Orelha, que rapidamente escalou para pedidos de prisão e mudanças legislativas. O dirigente classificou a mobilização como uma “histeria de classe média” e alertou para o que considera ser o verdadeiro objetivo por trás da comoção: o fortalecimento do aparato repressivo do Estado e o avanço da censura nas redes sociais.
Para o dirigente do PCO, o caso Orelha serviu como o “combustível perfeito” para figuras que buscam restringir a liberdade na Internet. Ele citou nominalmente a deputada federal Erika Hilton, que propôs a proibição do Discord após o ocorrido.
“O Discord não tem nada a ver com o cachorro em si, mas aproveitaram a onda”, afirmou Pimenta. “Erika Hilton, todo mundo sabe, é a grande proibidora geral, a grande censuradora geral da República.”
Segundo Pimenta, utiliza-se um crime chocante para justificar o banimento de plataformas inteiras frequentadas por jovens. “Pegaram um caso que não está muito bem esclarecido […] e logicamente já apareceu a proposta de censurar ainda mais a Internet”, criticou.
Um dos pontos mais importantes da análise de Pimenta diz respeito ao status jurídico e social dos animais em comparação aos seres humanos.
“O abate de animais na sociedade é a norma. A pessoa já parou para pensar quantos bois, galinhas, porcos são abatidos diariamente? Está na casa do milhão. Aí esse animal aqui [doméstico] é como se fosse um ser humano e aquele ali a gente mata industrialmente.”
O presidente do PCO argumenta que a tentativa de equiparar a morte de um cão ao homicídio não eleva o animal, mas degrada o homem. “Não é o cachorro que é elevado à condição de ser humano, é o ser humano que é rebaixado à condição de cachorro”, disparou.
Ao comentar o perfil dos jovens envolvidos, Pimenta criticou a pressa em rotulá-los como “psicopatas” ou “bandidos”. Relembrando a vida rural e a própria infância, ele destacou que a relação com a violência contra animais mudou historicamente através da educação, não da repressão penal.
“Quando eu era pequeno, a molecada atirava nos passarinhos de estilingue. Era todo mundo psicopata? Não é, é uma questão de hábito.”
“A criança tem que ser educada e não massacrada. E, para mim, uma criança é mil vezes mais importante do que um cachorro.”
Pimenta explicou ainda que campanhas como a do Cão Orelha, do feminicídio e questões identitárias são “farsas” que convergem para um único fim: o aumento das penas e o encarceramento em massa.
“Todas as campanhas levam ao aumento da repressão e isso é uma política de direita e inclusive de extrema direita”, explicou.
Para ele, quem se deixa levar pela comoção pública está servindo de “instrumento de uma política de aprofundamento da repressão”. Pimenta concluiu reforçando que, embora a brutalidade contra animais seja condenável e “uma atitude ruim”, ela deve ser tratada no campo da educação ou, no máximo, como dano à propriedade, mas nunca como um crime que justifique a destruição de liberdades democráticas ou o sacrifício de direitos humanos.





