O presidente do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta, avaliou nesta sexta-feira (6) o quadro da guerra imperialista contra o Irã com “otimismo moderado”, ao mesmo tempo em que denunciou o bombardeio norte-americano e israelense como um ato criminoso. A declaração foi feita durante a análise política semanal da TV 247, ao lado do jornalista Leonardo Attuch.
‘O imperialismo cometeu um erro gravíssimo’
Com uma semana completada desde o início das agressões, Pimenta afirmou que o Irã tem demonstrado uma capacidade de reação superior ao esperado, mas fez questão de contextualizar politicamente o que está em curso:
“O que nós temos que dizer aqui é que o que tá acontecendo no Irã é um crime, é banditismo político pura e simples, para variar, do imperialismo em geral. Não é só os Estados Unidos que tão envolvidos nisso. Todo o imperialismo tá envolvido nisso. É uma atividade criminosa do governo norte-americano, do Donald Trump. Israel não vou nem falar, porque o Israel já é conhecido como uma organização criminosa. Bombardear um país sem provocação, em meio a negociações diplomáticas que estavam acontecendo — é coisa de organização criminosa no mais alto grau.”
O dirigente do PCO também apontou o assassinato do Aiatolá Khamenei durante o Ramadã como um erro estratégico grave por parte do governo Trump. “Acho que eles cometeram um erro muito grave”, disse. “E isso em pleno Ramadã, que é o período de feriados religiosos do Islã. Acho que ele cometeu um erro gravíssimo. A situação na região é extremamente tensa. Se eles não tomarem cuidado, podem provocar inclusive a derrubada de algum regime mais fraco desses que apoiam os Estados Unidos na região.”
Sobre o objetivo declarado de Washington — promover uma mudança de regime no Irã —, Pimenta foi categórico: “O Irã é um país com mais de 100 milhões de habitantes. Vários analistas geopolíticos têm dito que o Trump já fracassou no seu intento.” Quanto à possibilidade de rendição total exigida por Trump, respondeu com ironia: “O Trump é brabateiro, a gente já conhece. Não dá para levar a sério esse tipo de declaração.”
Prolegômenos da guerra mundial
Questionado sobre o possível envolvimento de Rússia e China no conflito — em referência a uma reportagem do Washington Post que noticiava o fornecimento de inteligência russa ao Irã —, Pimenta não titubeou:
“Eu acho que nós estamos nos prolegômenos da guerra mundial. Acho que isso daqui já é a guerra mundial, só que embrionária, se desenvolvendo. Não tenho dúvida nenhuma sobre essa notícia do Washington Post. Acho que é verdadeira — e diria mais: não só os russos, os chineses também estão atuando aí. Porque todo mundo já percebeu que o alvo é a China e a Rússia. Então eles não vão deixar o Irã cair, até porque o Irã é vizinho da Rússia, próximo da China. Se o Irã cair, a situação deles ficaria muito ruim. E eles perceberam que é para isso que se dirige a coisa.”
Pimenta acrescentou que o governo Trump, apesar de ter feito campanha contra as guerras, não está conseguindo “conter a fúria guerreira do próprio governo dele” — o que, segundo ele, confirma que “o impulso do imperialismo para a guerra é muito grande” e independe de qual partido ocupa a Casa Branca.
Sobre o Irã especificamente, informou que o balanço de mortes já chega a 1.332 pessoas assassinadas pelos Estados Unidos e por Israel, incluindo vítimas civis em Israel atingidas por ataques iranianos de retaliação. O apoio interno à ofensiva militar nos Estados Unidos, ressaltou, é de apenas 20% da população.
STF e Banco Master: ‘vai ser definitivo’
Na segunda parte da conversa, Pimenta se debruçou sobre o escândalo do Banco Master e o envolvimento de ministros do Supremo Tribunal Federal. Para ele, a passagem do inquérito do ministro Alexandre de Moraes para as mãos do ministro André Mendonça aprofundou a crise, porque a Polícia Federal passou a agir com mais liberdade:
“Eu acho que a situação do Toffoli, do Alexandre de Moraes e do STF é definitiva, na minha opinião — não vai ter volta atrás. Alguma solução desse tipo vai ter que ser encontrada. Não tem mais salvação para a situação. E quanto mais eles resistirem, mais vão aparecer escândalos. Você vê que a Polícia Federal tá dando divulgação — o vazamento de informações é gigantesco.”
Para explicar por que o sistema agora se volta contra os próprios ministros que sustentou, Pimenta recorreu a uma analogia histórica: “Quando você dá poderes extraordinários para alguém, esses poderes podem ser usados contra a pessoa que os concedeu. A pessoa que recebe os poderes, muitas vezes, não percebe que é um instrumento.” Ele comparou a situação à de Sérgio Moro — “do homem mais poderoso do país, ele se transformou numa figura totalmente secundária” — e concluiu: “O sistema político, a burguesia, o grande capital criam essas pessoas e dão um poder imenso para executarem uma determinada tarefa. Mas isso tem sequelas.”
No caso do Banco Master, a sequela foi que os ministros “estavam muito confiantes e se envolveram na operação toda” — e, ao fazerem isso, incomodaram o sistema financeiro. “Aí eles olharam e falaram: ‘Isso não dá. Não vou dar poder para fulano, Beltrano e Cicrano para depois ele vir aqui e se voltar contra mim.'”
A morte na prisão de Luiz Felipe Mourão — apontado pelos jornais como executor do “trabalho sujo” do Banco Master e apelidado de “Sicário” — foi classificada por Pimenta como altamente suspeita. “Tem toda a cara de queima de arquivo”, afirmou, traçando um paralelo com a morte de Jeffrey Epstein nos Estados Unidos.
A crise do Lula e o papel da imprensa
Pimenta avaliou que a campanha de desgaste em curso contra o presidente Lula não é uma ofensiva para liquidar sua candidatura de imediato, mas sim uma operação de pressão. “É uma campanha de média intensidade, não de alta intensidade. O objetivo é levar o presidente Lula a eventualmente desistir da reeleição — por exemplo, fazendo pesquisas que mostrem resultados ruins, insistindo nesse noticiário. Não é tirar para matar, não é Lava-Jato, não é nada disso”, disse, acrescentando que o cenário de Flávio Bolsonaro contra Lula ainda não está “completamente consolidado” porque “a burguesia não tá fechada” com o candidato da direita.
Sobre a decisão do ministro Flávio Dino de anular a quebra de sigilo do filho do presidente, Fábio Luiz Lula da Silva, Pimenta foi direto: “Em vez de melhorar a situação, piora. Porque o que que o pessoal vai entender? Vai entender que tão ocultando alguma coisa. Já tem os 20 milhões — e o Flávio Dino proibiu a quebra do sigilo. Então vai ver que se forem investigar mais a fundo vai aparecer 200 milhões.”
Para Pimenta, a postura correta do governo Lula diante do escândalo do STF é a que o próprio Lula e o vice-líder Lindbergh Farias vêm adotando — tomar distância e deixar a investigação seguir seu curso. Sobre a pressão de parte da esquerda para que o tema seja silenciado em nome da candidatura presidencial, o dirigente do PCO respondeu:
“As pessoas que falam isso não perceberam que a bola tá rolando ladeira abaixo. Você não vai lá tentar atrapalhar — vai cair junto, vai ser atropelado, vai ser esmagado. Essa política de ‘real politique’ de propaganda que o pessoal quer fazer — esquecer o que tá acontecendo e defender o Alexandre de Moraes para o Lula não ser prejudicado — é uma política para quem tem monopólio da imprensa. Nós não somos monopólio. O maior atributo da imprensa que não é monopólio é de ser crítica, despertar o pensamento crítico. Senão não é debate — é missa.”





