No último domingo (11), o ato em defesa da Venezuela, convocado pelo Partido da Causa Operária (PCO) e pelos Comitês de Luta, contou com um discurso de Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido.
Todos os participantes e organizações tiveram possibilidade de inscrição durante o ato para falar no microfone e no carro de som, sendo o discurso de Pimenta o de encerramento do ato. Antônio Carlos Silva, membro da Executiva Nacional do PCO, introduziu a fala, agradecendo a presença de sindicatos como o dos Metalúrgicos de Sorocaba, SINASEFE, APEOESP e o Sindicato dos Bancários de Brasília. Além disso, ele anunciou novas plenárias para organizar mobilizações em defesa da Venezuela.
Em sua fala, Pimenta afirmou que o imperialismo já iniciou uma guerra de larga escala contra os países que resistem à sua dominação:
“Nós dissemos recentemente que o imperialismo estava preparando uma guerra em larga escala. Na realidade, essa guerra já começou. Aquilo que nós vimos na Venezuela e o que nós estamos vendo no Irã são operações do imperialismo para desestabilizar os governos que resistem à dominação imperialista mundial. Está em preparação uma guerra contra a Rússia, está em preparação uma guerra contra a China e esses passos que nós estamos vendo aqui: Venezuela e Irã, são os primeiros passos”.
O dirigente do PCO destacou a campanha de mentiras promovida pela imprensa imperialista, que tenta apresentar o ataque norte-americano como uma grande derrota para a Venezuela.
Segundo ele, no entanto,“não houve mudança nenhuma no regime político. Não houve desestabilização política e o regime chavista continua lá com apoio popular, com mobilização popular, com o povo armado nas ruas”.
Rui Costa Pimenta também comentou a situação no Irã, rechaçando as alegações de que está em marcha uma “revolução popular”:
“O que nós temos é um trabalho de desestabilização efetuado por agentes estrangeiros. Vocês viram aqui a alegria dessa escória que nós retiramos [do ato] defendendo o Xá. Não dá para acreditar que, no Irã, as pessoas defendam o Governo do Xá do Irã. Isso é totalmente absurdo. O que está acontecendo no Irã é uma preparação para um ataque em maior escala contra a República Islâmica”, disse, referindo-se a manifestantes pró-monarquia iraniana que tentaram invadir o ato momentos antes.
O presidente do PCO reforçou o dever da esquerda revolucionária de se colocar ao lado de todos os povos e países oprimidos que enfrentam o imperialismo:
“Nós temos o dever de nos colocar claramente a serviço de todos os países oprimidos, de todos os povos oprimidos, de todos os movimentos políticos oprimidos, que lutam contra o imperialismo. Esse é o grande embate, é a grande luta desse momento no mundo inteiro.”
Ele criticou fortemente a posição do governo brasileiro, encabeçado pelo PT, que, segundo Pimenta, não tomou nenhuma medida concreta contra a agressão imperialista.
“Nós viemos aqui, companheiros, acima de tudo para fazer o que infelizmente o governo do PT não foi capaz de fazer, que é pedir a liberdade para o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, que é pedir ao governo brasileiro que adote medidas contra o imperialismo norte-americano, que chame de volta o embaixador brasileiro nos Estados Unidos e mande embora o embaixador norte-americano.”
Rui Costa Pimenta ainda apontou que a omissão do PT e da CUT estimula o crescimento da direita na América Latina e no Brasil:
“A posição do governo brasileiro é uma ajuda ao crescimento da direita em toda a América Latina e é uma ajuda ao crescimento da direita nacional. A medida que ninguém faz nada, que um partido do tamanho do PT e a CUT não fazem absolutamente nada contra essa agressão a um país vizinho que é praticamente uma agressão ao Brasil, eles estão estimulando o crescimento da direita. Depois eles vêm falar aqui que eles estão combatendo o fascismo com medidas judiciais. Não! O fascismo tem que ser combatido nas ruas, o fascismo tem que ser combatido através da elevação da consciência popular e da organização popular e, nesse terreno, não há nada. Não há luta contra o fascismo no terreno judicial. Nós vamos ver que essa política vai ter os piores resultados possíveis.”
Ao final, o dirigente do PCO levantou as principais palavras de ordem do ato:
“Não à agressão imperialista na Venezuela! Fora o imperialismo da Venezuela e de toda a América Latina! Liberdade para Nicolás Maduro e para sua esposa Cilia Flores! Em defesa do povo venezuelano, em defesa do regime político venezuelano contra a investida do imperialismo!”
Confira a fala na íntegra:




