Durante transmissão da Análise Política da Semana, da Causa Operária TV, o presidente do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta, prestou uma detalhada homenagem ao general iraniano Qassem Soleimani, por ocasião do sexto aniversário de seu assassinato por tropas norte-americanas. Para o dirigente, a figura de Soleimani é central para compreender a política contemporânea, classificando-o como o mentor estratégico do que se conhece hoje como o Eixo da Resistência.
Pimenta iniciou sua fala destacando que, apesar de pouco divulgado pela imprensa tradicional, Soleimani foi o responsável por articular forças diversas — como o Hamas em Gaza, o Hesbolá no Líbano e o Ansar Alá no Iêmen — em uma frente única contra o imperialismo e o sionismo.
“O Eixo da Resistência foi a força política que resistiu ao imperialismo de armas na mão, efetivamente, não em palavras, mas em ações militares concretas, defendendo os palestinos”, afirmou Pimenta.
O dirigente do PCO estabeleceu uma comparação entre Soleimani e o revolucionário argentino Che Guevara. Embora tenha ressaltado o heroísmo de Che na Bolívia, Pimenta classificou aquela operação como “impensada” e um “fracasso planejado”, contrastando-a com a eficiência do general iraniano.
“Em comparação com isso, a operação do general Soleimani foi uma operação altamente bem-sucedida. Quer dizer, ele não só se dedicou a impulsionar as forças revolucionárias, como fez isso da maneira mais sábia e eficiente possível.”
Segundo a análise de Rui Pimenta, o sucesso de Soleimani residiu em dois pilares fundamentais: a autonomia ideológica e a autossuficiência material. Pimenta explicou que o Irã, sob o comando de Soleimani, não impôs sua doutrina religiosa às milícias aliadas, unindo grupos sunitas, xiitas e até organizações laicas, como a Frente Popular pela Libertação da Palestina.
Indiretamente, o dirigente explicou que o respeito pela soberania operacional de cada grupo permitiu que a resistência não dependesse de um comando centralizado em Teerã, mas que florescesse localmente.
Quanto à autossuficiência, Pimenta destacou a capacidade técnica transferida por Soleimani:
“Não basta dar armas; é necessário dar as condições para que as forças da resistência, mesmo nas condições mais difíceis, possam elas mesmas fabricar ou obter o armamento que necessitam.”
Para o dirigente, essa política é o que permite que Gaza resista há dois anos a uma “investida criminosa e gigantesca”, citando a construção de túneis e a fabricação própria de mísseis e aeronaves.
Um dos pontos mais enfáticos de sua fala foi a crítica dirigida à esquerda nacional. Pimenta lamentou que muitos setores progressistas ignorem o legado de Soleimani por estarem presos a narrativas que ele classifica como “propaganda imperialista”.
Pimenta argumentou que a esquerda foca em questões como o tratamento das mulheres no Irã ou o fato de o general ser religioso para desqualificar sua importância histórica. Para ele, esses são “critérios sem fundo de realidade” que impedem o aprendizado com uma experiência de luta vitoriosa.
Ao finalizar, Rui Pimenta relacionou o exemplo de Soleimani ao programa do PCO. Ele diferenciou a concepção de revolução do partido de “aventuras” isoladas. Segundo o dirigente, o uso de armas só é legítimo e eficaz quando amparado pela consciência das massas.
“Para nós, a luta armada não é um ato antidemocrático, pelo contrário, é um ato democrático porque se apoia sobre a maioria do país”, concluiu, citando o armamento da população na Venezuela como um exemplo moderno de defesa popular.





