O presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta, comentou, em publicação na rede social X, a agressão do governo dos Estados Unidos contra a Venezuela, marcada pelo bombardeio de cidades venezuelanas e pelo sequestro do presidente Nicolás Maduro. Para Pimenta, o episódio deve ser entendido como uma operação política do imperialismo, voltada a apresentar ao mundo uma “vitória fictícia” diante da impossibilidade de uma invasão e ocupação do país.
“Deixando de lado as teorias sobre como foi possível que Maduro fosse sequestrado (o que não é tão estranho assim), o que deve ser observado é que a ação do imperialismo é, em grande medida, uma ação de propaganda”, escreveu. Na avaliação do dirigente, os EUA, “impossibilitados de invadir e ocupar militarmente o país”, recorrem a uma encenação de triunfo: “apresentam uma vitória fictícia”.
Pimenta qualificou o sequestro como um ataque ao país e ao governo venezuelano, mas sustentou que a operação não altera o quadro interno. “A prisão do presidente Maduro é um golpe contra o país e o seu governo, mas não modifica em nada a situação internamente”, afirmou. Segundo ele, “o regime político chavista continua íntegro” e tende a sair do episódio “com ainda maior apoio popular”.
No mesmo comentário, Pimenta avaliou que a oposição venezuelana não saiu fortalecida. “A oposição saiu derrotada, não vitoriosa com essa empreitada. Fica marcada como inimiga do país e agente do estrangeiro”, escreveu.
O presidente do PCO também afirmou que a situação não se converteu em um desfecho ainda mais grave para os Estados Unidos porque, segundo ele, a direção chavista atua “com extrema moderação”. Pimenta escreveu que o governo venezuelano não incentiva “a ação das massas contra personalidades e propriedades identificadas com o imperialismo”, embora tenha indicado que esse tipo de reação “está na ordem do dia”.
Ao abordar a repercussão internacional do ataque, Pimenta afirmou que o repúdio à ação de Donald Trump “atinge todo o bloco imperialista” alinhado aos Estados Unidos e aprofunda o isolamento desses governos, que, segundo ele, já é “enorme” por conta do apoio ao genocídio na Faixa de Gaza. Pimenta citou, como exemplo, a posição dos governos francês e alemão, que se recusaram a repudiar a ação norte-americana e a apoiaram, contribuindo para “desfazer a ilusão” de que existiria um imperialismo “democrático e não agressivo”.
No que diz respeito ao Brasil, Pimenta criticou setores da esquerda que adotaram uma política hostil em relação ao governo venezuelano e, diante da agressão, passaram a figurar “como pró-imperialista” e vacilante quanto ao repúdio. Para o dirigente, “a rejeição à agressão imperialista só tem valor sem quaisquer meias tintas. Deve ser radical”. Ele defendeu que é necessário “defender Maduro, o governo e o regime chavista contra o imperialismo” e criticou quem repete a acusação de “ditadura” contra o governo venezuelano.
Por fim, Pimenta cobrou uma mudança de posição do governo brasileiro. “É preciso exigir do governo Lula um protesto efetivo e organizar uma coligação de países em defesa da Venezuela”, escreveu. No mesmo sentido, afirmou que o governo federal “facilitou a ação de Trump” ao não reconhecer a eleição venezuelana e vetar a entrada do país nos BRICS, além de manter aproximações políticas enquanto os Estados Unidos intensificavam o cerco contra a Venezuela. Pimenta concluiu conclamando militantes do PT a exigir “a retificação dessa posição”.
Confira o comentário na íntegra:
“Deixando de lado as teorias sobre como foi possível que Maduro fosse sequestrado (o que não é tão estranho assim), o que deve ser observado é que a ação do imperialismo é, em grande medida, uma ação de propaganda. Impossibilitado de invadir e ocupar militarmente o país, apresenta uma vitória fictícia. A prisão do presidente Maduro é um golpe contra o país e o seu governo, mas não modifica em nada a situação internamente. O regime político chavista continua íntegro e, penso eu, com ainda maior apoio popular. A oposição saiu derrotada, não vitoriosa com essa empreitada. Fica marcada como inimiga do país e agente do estrangeiro.
A situação só não se transforma em uma catástrofe total para o imperialismo porque a direção chavista atua com extrema moderação, sem incentivar a ação das massas contra personalidades e propriedades identificadas com o imperialismo, mas este tipo de ação está na ordem do dia.
O repúdio internacional à ação de Trump atinge todo o bloco imperialista que está alinhado com o norte-americano aprofundando o seu isolamento já enorme em função do seu apoio ao genocídio em Gaza. Tanto o governo da França quanto o da Alemanha já se negaram a repudiar a ação trumpista e a apóiam o que contribui para desfazer a ilusão reformista e reacionária de que existe um imperialismo democrático e não agressivo.
No Brasil, boa parte da esquerda, que adotou uma atitude hostil ao governo do país vizinho colocou-se em uma posição delicada aparecendo como pró-imperialista e vacilante quando ao repúdio à agressão.
A rejeição à agressão imperialista só tem valor sem quaisquer meias tintas. Deve ser radical. É preciso defender Maduro, o governo e o regime chavista contra o imperialismo. Alguns esquerdistas de miolo fraco repetem inclusive a patranha imperialista da “ditadura” de Maduro. Assim, fingem que defendem o “povo” venezuelano, como se este existisse fora do tempo e do espaço.
É preciso exigir do governo Lula um protesto efetivo e organizar uma coligação de países em defesa da Venezuela.
O governo brasileiro facilitou a ação de Trump, primeiro ao não reconhecer a eleição de Madura e vetar a entrada da Venezuela nos BRICS e, depois, ao namorar Trump enquanto esse cercava o país por mar.
Os militantes do PT devem exigir do governo brasileiro a retificação dessa posição reacionária e alinhada com o imperialismo genocida e contrarrevolucionária.”
Deixando de lado as teorias sobre como foi possível que Maduro fosse sequestrado (o que não é tão estranho assim), o que deve ser observado é que a ação do imperialismo é, em grande medida, uma ação de propaganda. Impossibilitado de invadir e ocupar militarmente o país,…
— Rui Costa Pimenta (@Ruicpimenta29) January 6, 2026




