Na Análise Política da 3ª, da Rádio Causa Operária, desta terça-feira (24), Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), afirmou que a desistência de Ratinho Júnior da disputa presidencial expôs a fragilidade da chamada 3ª via, mas não autorizou, por si só, a decretar o fim desse setor político. Ao comentar a eleição de 2026, Pimenta relacionou o recuo do governador do Paraná à movimentação de Flávio Bolsonaro, tratou da possível candidatura de Ronaldo Caiado e definiu a 3ª via como o campo dos partidos ligados diretamente ao grande capital.
Segundo Pimenta, a saída de Ratinho Júnior mostrou que sua pré-candidatura não tinha a consistência que se pretendia atribuir a ela. Para ele, a renúncia do governador paranaense ocorreu em meio a uma manobra política ligada ao campo bolsonarista, o que revelou a fraqueza do ensaio eleitoral da 3ª via.
“Pelo que eu entendi, o Ratinho Júnior foi tirado de campo por uma manobra habilidosa do próprio Flávio Bolsonaro, que chamou o Sérgio Moro para ser candidato a governador no Paraná. Aí assustou o Ratinho Júnior e ele renunciou. (…) Agora, a renúncia diz muito, porque se ele tivesse realmente uma expectativa de ser bem sucedido como candidato da Terceira Via, ele não ia voltar atrás por causa disso. Mostra que era um balão de ensaio, muito mais um balão de ensaio do que uma candidatura real.”
Apesar disso, Pimenta afirmou que o desaparecimento da 3ª via não pode ser tomado como fato consumado. De acordo com ele, a situação eleitoral ainda pode sofrer rearranjos e a pressão do regime político pode produzir novas composições. Foi nesse sentido que ele desmentiu a propaganda divulgada pela imprensa capitalista de que a desistência de Ratinho teria encerrado de vez a busca por um candidato alternativo a Lula e ao bolsonarismo.
“Poderia acontecer, mas eu acho que a candidatura dele também parece que está se consolidando aí. Nós tivemos aqui hoje o anúncio de que o Ratinho Júnior desistiu da candidatura. Aí, segundo a imprensa, é o fim da terceira via. Mas eu acho que é bom ser cauteloso. Não sei se dá para decretar o fim da terceira via com tanta facilidade assim. Pode ser, pode ser que a pressão fique tão grande que haja um remanejamento aí na eleição.”
Ao ser perguntado diretamente sobre o que seria a 3ª via, Pimenta rejeitou a ideia de que Flávio Bolsonaro possa ser definido como seu candidato próprio. Segundo ele, esse campo é formado, em primeiro lugar, pelos partidos tradicionais da burguesia, como MDB e PSDB, que expressam de maneira mais direta os interesses do grande capital, dos banqueiros e da imprensa capitalista.
“Bolsonaro é Bolsonaro. A terceira via pode tomar a candidatura dele emprestada? Para realizar um governo sem interesse? Pode. Pode tomar do Lula, pode tomar qualquer candidato. Mas o candidato da terceira via não é o Bolsonaro. Os candidatos da Terceira Via são os candidatos dos partidos tipo MDB, PSDB, esse tipo de candidato. São os candidatos que estão diretamente ligados ao grande capital. É o candidato da preferência da grande imprensa capitalista, dos banqueiros, da Rede Globo.”
Na mesma resposta, Pimenta observou que Flávio Bolsonaro pode aparecer como uma figura mais aceitável para esse setor do que o ex-presidente Jair Bolsonaro. Isso se daria, segundo ele, pelo caráter mais convencional de sua trajetória política.
“O filho é mais propenso, porque o filho não tem toda a história do pai dele. Ele é mais um político mesmo de carreira, um burocrata. Então ele aparece aí como candidato Bolsonaro light.”
Ainda sobre a reorganização desse campo, Pimenta afirmou que não vê em Ronaldo Caiado um nome capaz de encarnar a 3ª via de maneira sólida. Para ele, uma eventual candidatura do governador goiano serviria mais como instrumento de negociação do que como alternativa real.
“Eu acho que ainda tem, mas não seria o Ronaldo Caiado, com certeza. Não sei nem qual é o sentido da candidatura do Ronaldo Caiado. O sentido deve ser de negociar com Flávio Bolsonaro alguma coisa.”
Ao longo do programa, Pimenta ligou a questão da 3ª via ao próprio terreno eleitoral em disputa. Segundo ele, há uma faixa do eleitorado que não está plenamente fechada nem com Lula nem com Flávio Bolsonaro, e esse setor teria justamente um perfil de centrão, próximo à 3ª via. Por isso, na sua avaliação, denúncias como as que atingem o filho de Lula e o escândalo do Banco Master tendem a pesar de maneira importante na campanha.
“O fato é que a oposição existe, é ativa. Ela não morreu, muito pelo contrário, ela está viva, tem candidato, que é o Flávio Bolsonaro, e está fazendo campanha utilizando todos esses flancos expostos do governo Lula. (…) O Banco Master, tudo isso daí vai pesar muito na eleição, não há dúvida nenhuma. (…) Há uma faixa de pessoas aí no meio do campo que vai ser disputada pelos dois candidatos. (…) É uma faixa bem de estilo centrão, de estilo terceira via. As denúncias de corrupção vão pesar muito, porque esse é o espírito desse pessoal.”
Nesse quadro, Pimenta avaliou que a política do PT ajuda a abrir espaço para esse setor intermediário, na medida em que o partido evita enfrentar os problemas fundamentais do País e se apoia em acordos com figuras tradicionais do regime. Segundo ele, esse método enfraquece a disputa política e não oferece uma saída própria para os trabalhadores.
“O PT é um partido muito adaptado ao atual estado de coisas. O método do Lula é fazer acordo com esses políticos picaretas que estão aí. Colocou Alckmin como vice, colocou a Simone Tebet no planejamento, fez acordo no Congresso com Deus e o diabo. Ninguém vai acreditar que com Alckmin e Simone Tebet você vai fazer grandes transformações. (…) É uma política de baixa intensidade. Não ataca os problemas fundamentais do País, sequer suscita o debate sobre as grandes questões nacionais.”





