O Sindicato dos Rodoviários do Rio Grande do Norte suspendeu a greve do transporte intermunicipal na Grande Natal, nesta quinta-feira (11), por uma semana, após avanço nas negociações com as empresas. A paralisação estava prevista para começar nas primeiras horas do dia, mas foi adiada diante do compromisso patronal de cumprir reivindicações econômicas e trabalhistas. A suspensão temporária abre prazo para ajustes jurídicos na redação final da Convenção Coletiva de Trabalho.
O recuo da greve foi informado pelo Sindicato dos Rodoviários do Rio Grande do Norte (Sintro/RN). O movimento paredista vinha sendo preparado pela categoria em razão de impasses sobre reajustes, benefícios e compromissos trabalhistas. A decisão de suspender a paralisação decorreu de avanço expressivo nas rodadas de negociação com a bancada patronal.
O vice-presidente do Sintro/RN, Arnaldo Dias, afirmou que as empresas aceitaram arcar com a totalidade dos compromissos financeiros e trabalhistas cobrados pelos trabalhadores. O adiamento, portanto, não significa abandono da mobilização, mas uma trégua condicionada à formalização do acordo. A categoria mantém a greve como instrumento de pressão caso os compromissos não sejam oficializados.
As cláusulas de maior peso nas negociações envolvem salários, vale-alimentação, plano de saúde e demais benefícios econômicos já pré-negociados. O sindicato informou que esses pontos foram assegurados pelas empresas do setor. A discussão se concentra agora em detalhes técnicos do documento que deve dar forma à Convenção Coletiva de Trabalho.
A suspensão temporária foi balizada pelo compromisso do sindicato patronal, o Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros do Rio Grande do Norte (Setrans), de assinar a convenção. O cancelamento definitivo da greve depende da oficialização e homologação do acordo nos próximos dias. Até lá, a paralisação fica adiada, mas não totalmente descartada.
O caso mostra a importância da mobilização dos trabalhadores para destravar negociações salariais. Sem a ameaça concreta de paralisação, reivindicações econômicas costumam se arrastar ou ser empurradas para acordos desfavoráveis. A greve, mesmo suspensa, funcionou como instrumento de pressão suficiente para obrigar as empresas a avançar na pauta.
A categoria rodoviária ocupa papel central na circulação de trabalhadores e estudantes na Grande Natal. Uma greve no transporte intermunicipal afetaria diretamente o deslocamento diário entre municípios da região, pressionando empresas e poder público. Por isso, a negociação em torno da convenção tem impacto que vai além dos empregados das empresas de ônibus.
A atual fase do processo, segundo o sindicato, envolve apenas a revisão de detalhes textuais, sem risco de recuo nos pontos centrais já definidos. Essa avaliação, porém, dependerá da assinatura final. Caso a convenção não seja formalizada, os rodoviários ainda poderão retomar a mobilização após o prazo de uma semana.
A suspensão da greve não encerra o conflito trabalhista, mas marca uma vitória parcial da categoria. As empresas aceitaram reajustes e benefícios que estavam no centro da pauta, enquanto os trabalhadores preservaram a capacidade de paralisação caso o acordo não saia do papel. A próxima etapa será decisiva para transformar o avanço das negociações em garantia efetiva de direitos.





