O povo iraniano se prepara para tomar as ruas em mais de 1.400 cidades nesta quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026, para marcar o 47º aniversário da Revolução Islâmica — uma das maiores mobilizações operárias do século XX, que derrotou a monarquia sustentada pelos Estados Unidos e inaugurou uma nova etapa na luta anti-imperialista no Oriente Próximo.
A convocação foi feita pelo próprio Líder da Revolução Islâmica, aiatolá Saied Ali Khamenei, que conclamou a população a “desapontar o inimigo” com uma demonstração massiva de unidade nacional. Segundo ele, a data é símbolo da “vontade firme e da dignidade da nação iraniana”, e serve como resposta direta às novas ameaças militares por parte do imperialismo norte-americano e do regime sionista de “Israel”.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, também chamou o povo às ruas. Segundo ele, a atual conjuntura é “decisiva para o futuro do país” e exige que a população se una para enfrentar as pressões externas. “Os inimigos tentam minar nossa coesão interna, mas a força do povo nas ruas mostrará que a vontade da nação permanece inquebrantável”, declarou.
Mais de 7.700 jornalistas iranianos e estrangeiros estão credenciados para cobrir as manifestações. Só em Teerã, serão 3 mil jovens jornalistas responsáveis por registrar a mobilização. Redes internacionais como Al Jazeera, RT, Press TV, NTV, RIA Novosti, Anadolu, CCTV, ORF, CBS News e outras estarão presentes.
Ao longo dos trajetos, haverá exposições de avanços militares e científicos, especialmente do setor aeroespacial, com revelações de novos projetos desenvolvidos sob sanções e bloqueios econômicos. “Será uma mostra de força e soberania em pleno espaço público”, afirmou Kamal Khodadadeh, do Conselho de Coordenação de Propagação Islâmica.
A Revolução de 1979: quando a classe operária destruiu uma ditadura organizada pela CIA
O 11 de fevereiro celebra o dia em que, em 1979, o povo iraniano tomou de vez o poder e destruiu a monarquia do xá Reza Pahlavi, uma ditadura que durou 26 anos e foi implantada pelos Estados Unidos e pela Inglaterra após o golpe contra o primeiro-ministro nacionalista Mossadeq em 1953.
Com apoio total da CIA, o xá governou com repressão absoluta. A polícia secreta SAVAK, treinada pelos norte-americanos, torturou dezenas de milhares de opositores — entre eles, o próprio Ali Khamenei, hoje líder supremo do país.
O Irã, país com a maior classe operária da região, se urbanizava rapidamente. A migração em massa do campo para as cidades criou uma concentração operária nas periferias de Teerã semelhante à que se viu em São Paulo no mesmo período. O regime modernizante empurrou o povo para uma bomba social, que explodiu em 1978.
Em 1979, o povo iraniano tomou as ruas, organizou greves, venceu o exército e destruiu o aparato de Estado. O retorno do aiatolá Rumollah Khomeini em 1º de fevereiro foi recebido por uma multidão. Dez dias depois, em 11 de fevereiro, a revolução triunfou. As forças armadas entraram em colapso e a República Islâmica foi proclamada com apoio de mais de 98% da população em referendo.
Após a revolução, o Irã estatizou o petróleo, expulsou empresas imperialistas e enfrentou uma guerra de oito anos com o Iraque que matou mais de um milhão de pessoas. O país resistiu e construiu uma das forças armadas mais autônomas do mundo, incluindo a poderosa Guarda Revolucionária Islâmica.
No começo de 2026, o Irã enfrentou uma nova tentativa de desestabilização armada, financiada por Estados Unidos e “Israel”. Segundo as autoridades. 3.117 pessoas morreram na repressão a atos violentos que destruíram infraestrutura pública. Khodadadeh destacou que “o inimigo tentou usar essas divisões, mas o que emergiu foi uma união sagrada em defesa do país. A resposta será dada agora, com o povo nas ruas”.
Forças Armadas: “Responderemos com guerra total”
O general Abolfazl Shekarchi, porta-voz das Forças Armadas, declarou à Press TV que o Irã “não aceitará nenhuma exigência dos EUA” nas negociações diplomáticas e que, se houver novo ataque, “os alvos se estenderão por toda a região”.
“Nós não buscamos guerra. Mas, se a guerra for imposta, atingiremos todos os aliados e interesses econômicos dos EUA e de ‘Israel’. E a resposta será muito mais pesada que na guerra de 12 dias”, afirmou, referindo-se ao conflito recente em que o Irã respondeu a ataques com ações militares em larga escala.
Hesbolá: a Revolução inspirou a resistência regional
O líder do Hesbolá, Xeque Naim Qassem, afirmou que a Revolução Iraniana de 1979 foi o que reviveu a luta dos povos oprimidos do Oriente Médio. “O Irã deu suporte à Palestina, ao Líbano, ao Iêmen, ao Iraque. Hoje, Israel está mais fraco do que nunca”, declarou em um ato recente.
O Hesbolá reconhece o papel da República Islâmica como coluna vertebral da resistência anti-imperialista na região, algo que nenhuma outra revolução operária conseguiu manter com tamanha estabilidade após quase meio século.
11 de fevereiro de 2026: mais uma vez, o povo à frente
Neste 22 de Bahman, milhões estarão nas ruas do Irã, com bandeiras do país e da Palestina nas mãos, em resposta às ameaças de guerra e às campanhas de desinformação. Ao contrário do que diz a imprensa imperialista, o povo iraniano apoia sua revolução, apoia seu governo, e rejeita qualquer intervenção externa.





