Na quinta-feira (12), o jovem militante de extrema direita Quentin Deranque, de 23 anos, foi assassinado em Lyon, no sudeste da França. Ele foi brutalmente espancado por um grupo de pelo menos seis indivíduos encapuzados à margem de um protesto contra uma conferência da eurodeputada Rima Hassan, do partido França Insubmissa (FI). O jovem, filiado ao coletivo ultradireitista Némésis, sofreu traumatismo craniano grave e morreu no sábado (14).
O caso intensificou a ofensiva do regime político francês, liderado por Emmanuel Macron, contra a esquerda, especialmente a FI de Jean-Luc Mélenchon. O governo classificou o incidente como resultado de um “clima de violência” incentivado pelo que chamou de “extrema esquerda”. O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, declarou que “foi a extrema esquerda que o matou, isso é inegável”, apontando cumplicidade da FI e de sua “retórica”. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, mencionou indícios de envolvimento de grupos antifascistas próximos ao partido, como a dissolvida Jeune Garde.
Essas acusações ocorrem após declarações recentes de Emmanuel Macron sobre a FI. Em entrevista à Radio J gravada em 13 de fevereiro e transmitida no domingo, 15 de fevereiro, ele classificou o partido como movimento de extrema esquerda e denunciou “expressões antissemitas” entre a militância e a direção que “devem ser combatidas”. O presidente afirmou que tais posições violam princípios republicanos fundamentais, defendendo pena obrigatória de inelegibilidade para atos antissemitas, racistas ou discriminatórios. Circular do Ministério do Interior de 2 de fevereiro já havia rotulado a FI como “extrema esquerda” pela primeira vez, equiparando-a a grupos como Lutte Ouvrière e NPA, rótulo contestado por Mélenchon como “manipulação” digna de uma “república das bananas”, levando-o a anunciar recurso ao Conselho de Estado.
Jean-Luc Mélenchon reagiu ao episódio de Lyon rejeitando qualquer responsabilidade da FI, denunciando o governo por explorar a tragédia para desviar atenções e atacar a esquerda. Ele questionou: “por que esta mudança? Por que agora?”, se referindo ao que analisa como manobras para “desdemonizar” a extrema direita ao mesmo tempo em que ataca a esquerda.
Dirigentes do Partido da Causa Operária (PCO), como Rui Costa Pimenta, presidente do Partido, vêm alertando há anos que a tendência dos direitista “democráticos” de atacar a extrema direita sob pretexto de “defesa da democracia” inevitavelmente se voltaria contra a esquerda, quando ela viesse a ganhar força ou simplesmente o regime político entrasse em uma crise mais aguda. Segundo Pimenta, o que começa como repressão seletiva à direita evolui para um fechamento geral do regime contra qualquer oposição, usando pretextos como “violência”, “antissemitismo” ou “extremismo” para sufocar o movimento operário e a esquerda.
Na França atual, a ofensiva contra a FI, agora acusada de “fomentar violência” e “antissemitismo”, expressa isso: o que era ferramenta contra o Reagrupamento Nacional (RN), da extrema direita de Marine Le Pen, agora atinge o partido França Insubmissa e a esquerda de forma geral, confirmando previsões de que a “defesa da democracia” serve, na prática, para blindar o regime burguês contra a revolta das massas.





