No dia 11 de fevereiro de 2026, o portal do PSTU publicou o artigo Entidades protestam contra Trump, denunciam Delcy Rodriguez e exigem fim da repressão”, relatando um ato organizado pela CSP-Conlutas em frente ao Consulado da Venezuela em São Paulo. O texto afirma que a mobilização visa denunciar a agressão imperialista de Donald Trump, mas simultaneamente ataca o governo de Delcy Rodriguez, acusando-o de “colaboracionismo” e exigindo o fim de uma suposta repressão interna. A postura do PSTU é uma capitulação vergonhosa diante do imperialismo, disfarçada de “independência de classe”, que ignora as lições fundamentais do marxismo revolucionário em prol de um moralismo abstrato alimentado pela imprensa burguesa.
O erro teórico do PSTU é primário e revela um profundo desvio oportunista. Ao tentar equilibrar a condenação a Trump com ataques ao governo venezuelano no exato momento em que o país sofre uma ofensiva imperialista brutal — incluindo o sequestro de seus líderes —, o partido joga no lixo os ensinamentos de Leon Trótski, quem o PSTU diz seguir. O revolucionário foi categórico ao ensinar que, em um conflito entre uma nação oprimida (como a Venezuela) e o imperialismo (os EUA), o dever de todo revolucionário é o apoio incondicional ao país oprimido contra o agressor, independentemente de quem seja o seu governo. Ao colocar sinais de igualdade entre a agressão dos EUA e a política interna de Delcy Rodriguez, o PSTU se coloca, na prática, como uma linha auxiliar da propaganda do Departamento de Estado norte-americano.
A hipocrisia do PSTU torna-se ainda mais gritante quando o partido utiliza informações da imprensa burguesa — a mesma que fabrica intrigas para justificar intervenções militares e roubo de petróleo — para sustentar denúncias de “repressão” e existência de “presos políticos”. É um método puramente pequeno-burguês: o partido não apura os fatos, não compreende a necessidade de defesa do Estado venezuelano contra agentes infiltrados e sabotadores, e sai em defesa de uma “democracia” abstrata enquanto o país é asfixiado economicamente. Para o PSTU, a “liberdade” parece incluir a liberdade para que a oposição golpista atue livremente para entregar o país ao imperialismo.
Ao criticar o governo Lula por “minimizar os acontecimentos”, o PSTU faz um jogo cínico. O problema não é a falta de crítica ao governo venezuelano, mas a total incapacidade do PSTU de entender que a queda do governo Maduro-Rodriguez sob pressão imperialista não levaria a uma “revolução operária”, mas sim à transformação da Venezuela em um protetorado colonial dos EUA. O partido finge que existe uma “terceira via” ou uma “esquerda independente” com força real, quando, na verdade, sua política serve apenas para dividir as forças que resistem ao avanço do imperialismo na América Latina.
O ato realizado pela CSP-Conlutas é um monumento ao oportunismo. É a política de quem prefere manter as “mãos limpas” no conforto de São Paulo, enquanto sabota a resistência real de um povo oprimido que luta pela sua soberania. Defender a Venezuela hoje significa defender o governo que está à frente da resistência.





