A Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional (LIT-QI), representada no Brasil pelo Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), publicou neste domingo (18), por meio do portal Opinião Socialista, um artigo vergonhoso sob o título Pelo fim dos massacres no Irã! Abaixo a ditadura! Todo apoio aos protestos populares! Não à intervenção estadunidense!
Esse partido utiliza um velho truque no título, diz que é contra os Estados Unidos; porém, assim como esse país, quer a derrubada do governo iraniano.
No primeiro parágrafo o PSTU repete exatamente o que se lê na imprensa burguesa, afirma que “a partir do dia 8 de janeiro, o regime iraniano bloqueou as comunicações por Internet e por telefone e promoveu massacres contra manifestantes em todo o país. Organizações de direitos humanos apontam para 3.400 a 20.000 mortos, milhares de feridos e mais de 20 mil manifestantes presos. Os massacres transformaram os arredores de hospitais em necrotérios a céu aberto.”.
As “organizações de direitos humanos”, como já foi denunciado pelo The Grayzone, são financiadas pelo imperialismo. O número de mortos não é comprovado, existe um exagero intencional da grande imprensa em desinformar para atacar o governo iraniano, e o PSTU cumpre também esse papel.
Servilismo
O tom servil do artigo fica escancarado no trecho que diz que “os massacres foram efetuados pelas forças de repressão, com destaque para a odiada Guarda Revolucionária (Pasdaran em língua farsi), uma força militar de elite com quase 200 mil integrantes, que controla metade da renda de petróleo do país entre outros negócios”.
Apesar de milhares de vídeos e imagens circulando nas redes sociais desmentindo o PSTU, estes insistem em dizer que o governo promoveu massacres. Foi exatamente o contrário, os mercenários infiltrados do Mossad é que massacram agentes de segurança, muitos foram espancados até a morte, tiveram seus corpos incendiados e decapitados.
Culpar o governo, como faz o PSTU, serve para acobertar os crimes praticados no Irã a mando do imperialismo e dos sionistas.
Dizer que a Guarda Revolucionária seja odiada não passa de especulação. É uma força de elite, sim, e graças a isso impôs uma dura derrota ao sionismo e ao imperialismo na Guerra dos 12 Dias.
Como não pode faltar a crítica preferida da direita, o partido acusa a Guarda de ser corrupta, que controla negócios etc.
O comparecimento massivo de populares apoiando o governo desmascara as calúnias do PSTU. As pessoas reconhecem os problemas econômicos, mas repudiam a tentativa de desestabilizar o regime.
O PSTU é incapaz de atacar realmente o imperialismo, que há décadas esmaga a população iraniana com pesadas sanções econômicas, diz que “a crise econômica e a miséria contra a qual as massas protestam são [também] frutos das políticas do regime que concentram a riqueza nas mãos da classe burguesa aliada e da alta burocracia estatal e militar”.
Esse partido, que se diz trotskista, lamenta a derrota da “Revolução Verde” de 2009, ninguém vai estranhar que o PSTU defenda manifestantes que gritavam “nem Gaza, nem Líbano, minha vida apenas pelo Irã” , afinal, defendeu o golpe militar no Egito contra o presidente eleito Mohamed Morsi.
Esquerda trumpista
O artigo assume um ar quase neutro para se referir ao governo americano. Inicia dizendo que “o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou realizar um ataque militar contra o Irã se as execuções de manifestantes nas ruas e nos presídios não parassem. A execução de presos foi adiada, mas os massacres continuam. Mesmo assim, Trump se limitou a anunciar tarifas de 25% sobre os produtos dos países que tenham relações comerciais com o Irã”.
Adiante, dizem que “Trump adiou o ataque militar, que era iminente no dia 14 de janeiro, mas manteve o deslocamento de um porta-aviões do Mar do Sul da China para o Oriente Médio”. E que “segundo a imprensa, diplomatas árabes apostam num “modelo venezuelano”: ataques rápidos de grande visibilidade seguidos da capitulação do regime aos interesses estadunidenses através de negociações…”, etc.
Como o leitor pôde verificar, o PSTU escreve de maneira quase acrítica, o que é bastante suspeito. Além disso, acusa o governo venezuelano de ter capitulado aos interesses dos EUA, quando até a imprensa burguesa admite que os americanos estão com um problema nas mãos, pois não houve grandes mudanças no governo.
Delírio
O PSTU que apoiou pessoas que se manifestaram contra Gaza e o Líbano, diz que “o regime iraniano se limitou a declarações contra o genocídio em Gaza iniciado em outubro de 2023 e uma ajuda muito limitada ao Hamas”. Ou seja, o país que arquitetou e capacitou o Eixo da Resistência teria se limitado a “declarações”.
Apesar de não ter procuração para falar em nome de ninguém, o partido afirma que “não é de interesse da causa palestina apoiar regimes que assassinam a população”. Dificilmente os palestinos cairiam nessa conversa do PSTU.
O texto do PSTU é repleto de confusões, chama a China e Rússia de países imperialistas; fala em campismo, revolução operária e popular no Irã, para finalmente apoiar o imperialismo, uma vez que pede a queda do regime iraniano, exatamente o que os EUA e “Israel” desejam.
Para confundir as pessoas, esse partido diz que é contra todos, apoia apenas o povo iraniano. Ocorre que o povo iraniano está apoiando o governo contra o imperialismo. Em uma guerra, é preciso escolher um dos lados.
Essa política do PSTU já demonstrou ser um fracasso. Em 2016, apoiou o golpe contra Dilma Rousseff, o que abriu caminho para Michel Temer assumir e desferir golpes duríssimos contra a classe trabalhadora.
O apoio ao golpe causou uma enorme crise que rachou o PSTU. Pelo jeito, não aprenderam, continuam com essa política abertamente antipopular.




