Polêmica

PSTU e sua mitologia imperialista sobre o imperialismo – parte 2

PSTU defende a política de intervenção do Mossad e da CIA no Irã, e critica o Estado que combate os terroristas que mataram milhares de civis

Imperialismo

Na matéria anterior (leia) mostramos como o PSTU faz uma caracterização equivocada do imperialismo. Esse “erro” não é sem propósito. Como esse partido não pode defender abertamente o imperialismo, ataca seus principais inimigos: China e Rússia.

O truque que o PSTU utiliza para acobertar sua adesão ao imperialismo é adotar um discurso ultra esquerdista, como o “Fora Todos!”, utilizado no golpe contra Dilma Rousseff em 2016. Esse “fora todos”, ainda que pareça radical, incluía a saída da presidenta Dilma, exatamente a posição do imperialismo.

Com relação à Venezuela, em 1º de agosto de 2024, o Opinião Socialista escreveu que o controverso resultado das eleições venezuelanas abriu um intenso debate na esquerda brasileira. Amplamente contestado, não só pela oposição, como boa parte da população (…) A crise na Venezuela e a política anti-operária de Maduro provocaram um rápido desgaste do regime. O governo respondeu à erosão de sua base social, recrudescendo o seu caráter autoritário e repressivo”. Esse era o posicionamento do imperialismo, que não aceitou o resultado eleitoral venezuelano e que também acusava o governo de ser uma ditadura.

Trump e o fascismo

Donald Trump é presidente do principal país imperialista. O que não significa que este não possa estar em contradição com o grande capital. Fizeram o possível para tirá-lo da corrida presidencial, mas a polarização nos EUA unidos o levou à reeleição.

Na eleição anterior pintaram Trump como sinônimo de fascismo, ainda que seus antecessores não ficarem devendo nada em termos guerras e golpes por toda parte.

Interessa levar adiante essa luta da “democracia contra o fascismo” porque assim é possível apoiar as “democracias liberais”, estas que estão prendendo apoiadores da Palestina por toda a Europa e reprimindo brutalmente a população, uma vez que estão se preparando para a guerra.

Mesmo que Donald Trump tenha sido eleito com a promessa de acabar com as guerras intermináveis, seria ingenuidade acreditar que um presidente possa enfrentar sem ceder nada para o grande capital e os falcões. Portanto, vamos assistir a muitas ações belicistas, que estão jogando o presidente americano contra sua base eleitoral.

Chovendo no molhado

Seguindo no artigo, há uma série de sensos comuns que vão se sucedendo como, por exemplo, que “a agressão imperialista contra a Venezuela, com o sequestro de Maduro, nada tem a ver com a defesa da democracia ou combate ao narcotráfico. Foram desculpas usadas para garantir acesso ao petróleo e terras raras, ainda que os EUA tenha bastante petróleo hoje.” Isso não é novidade. O imperialismo também usou os mesmos subterfúgios para invadir o Iraque, o Afeganistão e destruir a Líbia.

Adiante, o texto afirma que “o interesse do Trump é garantir um acordo colonial com o governo venezuelano. Não só controla o petróleo, como o que o governo vai comprar com este dinheiro, que deve estar de acordo com os interesses dos EUA. Ao mesmo tempo, manda um recado contra a influência crescente do imperialismo chinês e russo”.

O fato do imperialismo estar interessado em um acordo colonial não significa que o tenha conseguido. Mesmo a imprensa burguesa foi obrigada a reconhecer que a coerção não fará efeito, será preciso firmar acordos e, até agora, estes têm sido favoráveis para a Venezuela, que esteve sob fortes sanções por décadas.

É falso que Trump controla o petróleo, essa é uma das tantas notícias falsas que visam desmoralizar o governo venezuelano, como se se tratasse de uma gente traidora e que se vendeu.

Ao falar de Gaza, o PSTU diz que “Trump avança com seu plano de colonização em conluio com Israel para manter o povo palestino fora de suas terras, manter o genocídio por diversos caminhos, adicionado agora a política de gerir diretamente Gaza, com predomínio da participação dos monopólios capitalistas dos EUA na reconstrução, ou seja, transformar a reconstrução em negócios capitalistas principalmente no mercado imobiliário”. Se isso for verdade, o fato é que nada disso se concretizou. Há poucos dias, inclusive, houve manifestações contra o governo Netanyahu por seu fracasso na Faixa de Gaza.

Irã

Na Guerra dos 12 Dias, isso que o PSTU chama de “antessala e uma demonstração da doutrina militar da extrema direita”, não passou de uma farsa. Trump atirou três bombas e se retirou dizendo que tinha vencido. Na verdade, todos sabiam que foram os sionistas que imploraram pelo cessar-fogo, pois os mísseis iranianos estavam atravessando sem problemas as defesas aéreas “israelenses” que tinham poucos dias de munição.

O Irã se firmou como grande potência militar regional. É o país responsável pela formação do Eixo da Resistência e pela defesa do povo palestino. Este é, por excelência, a pedra no sapato do imperialismo, por isso que o PSTU escreve “Pelo fim dos massacres no Irã! Abaixo a ditadura! Todo apoio aos protestos populares!” E, ao velho estilo ‘fora todos’, completa o título com um “Não à intervenção estadunidense!”. Os protestos não foram populares, isso ficou comprovado, e até admitido, como um esforço do imperialismo e do sionismo em promover uma revolução colorida. Para o PSTU, apoiar esse tipo de manobra não chega a ser novidade, dado que apoiou o golpe militar no Egito e o golpe de Estado nazista na Ucrânia.

Imigração

Boa parte do texto fala sobre a questão dos imigrantes nos Estados Unidos. Trump prometeu criar empregos para os norte-americanos, e uma de suas atitudes é eliminar a concorrência; ou seja, deportar estrangeiros que ocupam vagas e são mão de obra bem mais barata.

Ficaram famosas nas redes as perseguições do ICE a imigrantes. Não faz muito tempo, porém, barcos precários com imigrantes fugidos da destruição da Líbia foram devidamente afundados pelos “civilizados”, esses que, supostamente, lutam contra o fascismo.

Indo para o final, semeando confusão, o artigo diz que “os trabalhadores devem aproveitar a disputa entre o velho imperialismo e o novo imperialismo para fortalecer um projeto socialista e revolucionário que defenda soberania dos povos e direitos para os trabalhadores e enfrente os lucros dos bilionários e o crescimento da barbárie”. O fato incontestável é que o PSTU ataca o Irã, Venezuela e Rússia, os alvos primordiais do “velho imperialismo”. Quem de fato esse partido defende.

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