Irã

PSTU e Netaniahu: juntos pela queda de Mojtaba Khamenei

Partido reconhece a agressão imperialista, mas trabalha pela derrubada do governo que organiza a resistência nacional

O artigo do Fora Trump e Israel do Irã e do Líbano! Pelo direito do Irã à autodefesa!, publicado pelo Opinião Socialista, do PSTU, parte de um fato que ninguém pode negar: os EUA e “Israel” lançaram uma agressão brutal contra o Irã. O próprio texto fala em “milhares de bombardeios” contra alvos “militares, governamentais e civis”, em mais de mil mortos e reconhece que “o Irã exerce, dessa forma, seu direito legítimo de se defender”. Até aí, tudo bem. O problema começa quando, depois de admitir o caráter anti-imperialista da reação iraniana, o PSTU grita:

Por um Irã livre e dos trabalhadores! Nem ditadura religiosa nem monarquista!.

E fecha a matéria defendendo uma alternativa que “ponha fim à ditadura no país”.

Traduzindo: no exato momento em que o imperialismo quer esmagar a República Islâmica do Irã, o PSTU faz agitação pela derrubada do governo que está organizando a defesa nacional.

Essa é a essência da política do “nem-nem”, essa fórmula covarde do pequeno-burguês que quer posar de radical sem assumir as consequências reais da luta. O PSTU reconhece que Trump queria impor a “capitulação do regime do país agredido” e admite que foi surpreendido pelos “abrangentes contra-ataques iranianos”. Pois bem: quem organiza esses contra-ataques? Quem move tropas, distribui armas, comanda a logística, mantém a cadeia de comando, sustenta o esforço militar? Não é uma abstração chamada “povo” flutuando no ar. É o Estado iraniano, é o governo iraniano, são as instituições do país atacado. Falar em “autodefesa do Irã” e, ao mesmo tempo, trabalhar pelo enfraquecimento e pela derrubada da direção concreta dessa guerra é uma fraude política grosseira.

A contradição do texto fica ainda mais escancarada quando ele escreve que o desafio da classe trabalhadora iraniana é “derrotar a agressão militar imperialista e sionista e, ao mesmo tempo”, continuar a luta “pelo fim da ditadura iraniana”. Esse “ao mesmo tempo” é a confissão do crime. Em uma guerra de agressão imperialista, a tarefa central não é abrir uma segunda frente política contra o governo que conduz a resistência militar. Isso não fortalece o povo atacado; isso ajuda o inimigo.

O mais ridículo é que o próprio PSTU denuncia, corretamente, os agentes internos da agressão imperialista. Denuncia os monarquistas reunidos em torno de Reza Pahlavi, denuncia as manobras com partidos curdos, denuncia a ação dos países do golfo e a pressão dos europeus. Ou seja: reconhece que o imperialismo procura explorar contradições internas para quebrar o país por dentro. Mas, então, que porcaria de política é essa que, por outro caminho, chega ao mesmo resultado? Qual é a diferença prática entre a pressão externa por “mudança de regime” e a agitação pseudo-revolucionária pelo “fim da ditadura” no momento em que caem bombas sobre Teerã? A diferença é só de fraseado. No essencial, ambas convergem para enfraquecer a resistência nacional diante do agressor.

É aqui que o PSTU, que vive se dizendo trotskista, toma uma bordoada do próprio Trótski. Em 1938, discutindo a hipótese de uma guerra entre a Inglaterra imperialista e o Brasil de Vargas, Trótski foi taxativo: ficaria ao lado do Brasil “semifascista” contra a Grã-Bretanha “democrática”, porque uma vitória inglesa imporia correntes ainda mais pesadas ao país oprimido, ao passo que a derrota do imperialismo daria impulso à luta nacional. E arrematou ridicularizando os imbecis que reduzem esse tipo de conflito à oposição entre “democracia” e “fascismo”. Em outras palavras: a questão decisiva não é o regime interno do país atacado, mas o caráter do conflito entre nação oprimida e potência imperialista.

Trótski foi ainda mais claro ao tratar da Índia sob dominação britânica. Ali, escreveu que a tarefa central era a derrubada da dominação imperialista e que isso impunha ao proletariado o apoio a toda ação dirigida contra o imperialismo, sem jamais abandonar a desconfiança em relação à burguesia nacional. A fórmula dele não era o “nem ditadura religiosa nem monarquista” do PSTU. A fórmula dele era outra: independência política completa, mas ação comum contra o inimigo principal; em resumo, “marchar separados, golpear juntos”.

No fim das contas, a fórmula do PSTU é uma fórmula de charlatães: “o Irã tem direito à autodefesa”, mas o governo que organiza essa autodefesa deve ser derrubado; é preciso derrotar a agressão imperialista, mas “ao mesmo tempo” abrir luta pelo “fim da ditadura”; é necessário combater Trump, “Israel”, os monarquistas e o MEK, mas sem reconhecer que, no centro da batalha, está a defesa do Estado atacado contra a pilhagem imperialista. Isso não é trotskismo. Isso é centrismo apodrecido. Trótski ensinava a distinguir o opressor do oprimido, o país imperialista do país atrasado, a nação agressora da nação agredida. O PSTU, com sua política miserável de “nem-nem”, faz exatamente o contrário — e por isso se coloca, na prática, como um fator de confusão e sabotagem no campo anti-imperialista.

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