Em texto publicado em 28 de fevereiro de 2026 sob o título Em defesa do Irã frente ao ataque do imperialismo norte-americano e de Israel, o PSTU descreve da seguinte maneira a agressão: “o imperialismo norte-americano e o Estado terrorista de Israel estão, neste momento, atacando o Irã” e “buscam não só aniquilar as instalações nucleares e as bases militares iranianas, mas também impor um regime submisso a Trump”. Embora a ideia de “regime submisso a Trump” seja eleitoreira e tosca — afinal, seria um regime submisso ao imperialismo, não a uma pessoa —, o maior problema aparece quando o PSTU tenta transformar essa constatação numa posição “limpa”, sem compromisso com a defesa efetiva do país atacado.
O partido declara:
“Estamos na defesa do Irã contra o ataque imperialista e de Israel! Defendemos o direito iraniano de defesa, e inclusive de possuir armamento atômico”.
Mas, imediatamente, acrescenta a cláusula que esvazia tudo: “Isso não significa nenhum tipo de apoio político à ditadura dos aiatolás no Irã.”
A frase parece “radical”, mas é politicamente covarde no ponto decisivo. Porque, na guerra real, quem materializa o “direito de defesa” não é um conceito. É o governo do Irã, com suas Forças Armadas, suas estruturas de comando, seu aparato logístico, sua indústria e seu conjunto de instituições. É o Estado iraniano que “reage militarmente”, como o próprio PSTU admite: “o Irã reagiu militarmente”.
Se o partido quer falar de “defesa” sem encostar no governo que combate, ele está propondo o quê, exatamente? Que a retaliação seja feita por quem? Por um “povo” abstrato, sem comando, sem cadeia logística, sem sistema de defesa aérea, sem Estado?
O PSTU escreve que “existe uma reação militar iraniana”, mas sua linha política não acompanha a frase. Em vez de orientar, no interior do país atacado, o fechamento de fileiras contra o agressor e a participação organizada no esforço de guerra, o partido se apressa em reafirmar sua política interna: “estivemos em defesa das mobilizações das massas contra a ditadura iraniana”. Em outras palavras: mesmo quando reconhece que Trump e “Israel” querem “mudança de regime”, o PSTU insiste em manter como eixo a derrubada do governo.
Isso não é um detalhe doutrinário. É a consequência direta de uma política reacionária: apostar contra o governo que está enfrentando o imperialismo justamente enquanto o país sofre um cerco. Antes, essa linha já era criminosa porque ajudava a abrir fendas internas exploráveis pelo inimigo. Agora, com bombardeios em curso, ela só aprofunda o mesmo erro: trocar a prioridade da defesa nacional pela “pureza” de não se comprometer com o Estado atacado.
O PSTU tenta ficar “contra tudo” ao mesmo tempo: contra as bombas e contra quem responde às bombas. A realidade não aceita esse truque.





