Eleições 2026

PSD oficializa pré-candidatura de Ronaldo Caiado

Governador de Goiás foi anunciado pelo partido nesta segunda-feira (30), em São Paulo, e afirmou que, se eleito, seu primeiro ato será conceder anistia a Jair Bolsonaro

O PSD oficializou nesta segunda-feira (30), em São Paulo, a pré-candidatura do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, à Presidência da República. O anúncio foi feito na sede nacional do partido, na região central da capital paulista, após a desistência do governador do Paraná, Ratinho Junior, da disputa interna, e no encerramento do processo que também envolvia o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite.

Durante o evento, Caiado afirmou que, se for eleito, seu primeiro ato será conceder anistia “ampla, geral e irrestrita” ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar. Ao defender a medida, o governador goiano declarou que pretende utilizá-la como forma de “pacificar o Brasil” e de interromper o quadro de confronto político no País.

No discurso, ele também procurou se apresentar como alternativa tanto ao governo Lula quanto ao bolsonarismo. Disse que não pretende governar por improvisação e associou sua trajetória política e administrativa à experiência necessária para ocupar a Presidência da República. Ao mencionar o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência após indicação de Jair Bolsonaro, afirmou que ele não tem “vivência” nem “experiência” para governar e que “não se pode aprender na cadeira”.

Ao longo da fala, o governador de Goiás também falou sobre temas que já fazem parte de sua propaganda política, como o “combate à violência” e à “corrupção”. Disse que Goiás está entre os estados mais seguros do País e criticou o PT, afirmando que pretende construir uma alternativa para que o partido de Lula deixe de ser opção eleitoral.

A escolha do PSD provocou manifestações distintas entre os dois outros nomes cotados internamente. Ratinho Junior elogiou a definição do partido. Eduardo Leite, por sua vez, declarou que a decisão tende a manter um ambiente de polarização radicalizada. Questionado sobre a crítica, Caiado respondeu que a anistia ajudaria justamente a romper esse quadro e elogiou a competência do governador gaúcho.

O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou que a definição foi difícil em razão do peso político das lideranças envolvidas. Segundo ele, tanto Caiado quanto Leite convergem na avaliação de que o País precisa de uma alternativa ao governo Lula e ao bolsonarismo. Kassab também disse que o partido não terá constrangimento em apontar falhas de ambos os campos e afirmou que pesquisas indicam elevada rejeição tanto a Lula quanto a Flávio Bolsonaro.

Ainda de acordo com Kassab, a candidatura de Caiado busca ocupar esse espaço. Ele também declarou esperar contar, em um eventual segundo turno, com o apoio do governador de Minas Gerais, Romeu Zema, caso o mineiro não avance na disputa e o nome do PSD siga na corrida presidencial.

Ronaldo Caiado tem 76 anos e já havia disputado a Presidência em 1989. Vindo de uma família tradicional na política goiana, foi deputado federal por cinco mandatos, a partir de 1991, e senador eleito em 2014. Chegou ao governo de Goiás em 2018 e foi reeleito em 2022. No Congresso Nacional, passou a maior parte da carreira no antigo PFL — herdeiro do partido oficial da ditadura, a ARENA —, que depois se tornou DEM e, posteriormente, integrou o União Brasil. Em janeiro deste ano, deixou a legenda alegando falta de apoio à sua pretensão presidencial.

Ao ser questionado sobre sua posição política, Caiado disse que não nega sua ligação histórica com a defesa da direita e dos latifundiários, mas afirmou que não se considera um nome radical. Segundo ele, o índice de aprovação alcançado em Goiás seria incompatível com esse perfil.

A oficialização desta segunda-feira ainda não corresponde ao registro formal da candidatura. Segundo o calendário eleitoral divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a escolha oficial dos candidatos à Presidência da República deverá ocorrer entre 20 de julho e 5 de agosto, período reservado para as convenções partidárias. Os pedidos de registro deverão ser apresentados até 15 de agosto.

Fascista de carteirinha

Ronaldo Caiado é conhecido por ter fundado e armado, junto com latifundiários, uma organização paramilitar de extrema direita, a União Democrática Ruralista (UDR), que o ajudou a se eleger deputado constituinte, em 1986, para se opor a qualquer reforma agrária. Trata-se de uma organização representante dos grandes latifundiários do País, com décadas de atuação truculenta contra os sem terra e em defesa da propriedade dos ricos.

Mais recentemente, em março de 2024, Caiado também participou de uma comitiva, junto a Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, que viajou a “Israel”. Na visita, que ocorreu no momento em que a ocupação sionista estava assassinando centenas de palestinos diariamente, o grupo se encontrou com o primeiro-ministro da entidade israelense, Benjamin Netaniahu, bem como com o presidente do país artificial, Isaac Herzog.  

Na ocasião, o governador goiano deixou evidente o caráter de entrevista de emprego que a viagem teve, colocando as posições da direita como destaque entre os assuntos discutidos, “os impactos do conflito”, “o rastro de destruição” além de seu “pedido de desculpas a todos os israelenses” devido ao que chamou de “fala infeliz do presidente da república”. Abaixo, a mensagem de Caiado publicada em seu perfil no Instagram:

“Nossa agenda do dia em Israel começou com uma visita ao presidente do país, Isaac Herzog. Conversamos sobre os impactos do conflito, o rastro de destruição deixado e reforçamos a importância do diálogo e da promoção da paz. Fiz questão também de levar o meu pedido de desculpas a todos os israelenses por uma fala infeliz do presidente da república comparando a guerra ao holocausto. Saibam que serão sempre bem-vindos ao nosso estado.”

Caiado já esteve inelegível

No mesmo ano, em dezembro, a candidatura de Caiado foi ameaçada após a juíza da 1ª Zona Eleitoral de Goiânia Maria Umbelina Zorzetti determinar sua inelegibilidade por abuso de poder político por oito anos. Segundo a magistrada, o governador teria usado a estrutura do Palácio das Esmeraldas (sede do governo estadual) para favorecer a chapa apoiada por ele nas eleições municipais de 2024.

Em 8 de abril de 2025, no entanto, o Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) decidiu reverter a decisão de 1ª Instância. Apesar de permitir a elegibilidade de Caiado, o TRE-GO reconheceu a prática de conduta vedada, por, segundo a decisão em 1ª Instância, o governador ter usado da estrutura da administração pública estadual para angariar apoio eleitoral. Mantendo a aplicação e multas de R$60 mil para Caiado.

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