A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou nesta sexta-feira (9) que a Venezuela precisa continuar sua mobilização pela libertação do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, enquanto inaugurava o Centro de Atenção Integral à Mulher e Parto Humanizado de La Candelaria.
“Não podemos parar. Avançar e avançar para a felicidade social do nosso povo e alcançar a libertação dos nossos reféns”, disse Rodríguez em La Candelaria durante a abertura do projeto.
A presidente interina compartilhou uma lembrança sobre “aquelas noites quando o presidente Maduro decidiu criar a Grande Missão Venezuela Mulher. E ali estava Cilia Flores, hoje refém”.
“Nós estamos trabalhando por eles. Com um só clamor: a liberdade de Nicolás Maduro e Cilia Flores. Uma semana após terem sido levados, saímos permanentemente às ruas para pedir sua libertação”, manifestou, sublinhando o “compromisso profundo com Nicolás Maduro”.
Em um comunicado divulgado nesta sexta-feira (9) pelo ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yván Gil, o governo do país sul-americano reiterou a denúncia a nível internacional de “que tem sido vítima de uma agressão criminosa, ilegítima e ilegal contra seu território e seu povo”. Durante a ação, foram bombardeados diversos pontos de Caracas e várias zonas dos estados de Miranda, Aragua e La Guaira, deixando um saldo de pelo menos 100 mortos e um número semelhante de feridos, segundo informou o ministro venezuelano de Relações Interiores, Justiça e Paz, Diosdado Cabello.
Por sua vez, reiterou que, no âmbito da agressão do último sábado (3), “ocorreu o sequestro ilegal do Presidente Constitucional da República, Nicolás Maduro Moros, e da Primeira-Dama, Cilia Flores, o que constitui uma grave violação da imunidade pessoal dos chefes de Estado e dos princípios fundamentais da ordem jurídica internacional”.
Nesse sentido, o comunicado anunciou que, para atender a esta situação no marco do direito internacional e em estrito apego aos princípios de soberania nacional e da Diplomacia Bolivariana de Paz, o governo da Venezuela decidiu “iniciar um processo exploratório de caráter diplomático com o Governo dos Estados Unidos da América”.
Segundo detalha o documento, este processo estará “orientado ao restabelecimento das missões diplomáticas em ambos os países, com o propósito de abordar as consequências derivadas da agressão e do sequestro do Presidente da República e da Primeira-Dama, bem como abordar uma agenda de trabalho de interesse mútuo”.
O governo da Venezuela também informou sobre a chegada à Venezuela de uma delegação de funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos, “que realizará avaliações técnicas e logísticas inerentes à função diplomática”; ao mesmo tempo que comunica que “da mesma maneira”, uma delegação de venezuelanos será enviada aos Estados Unidos “para cumprir as tarefas correspondentes”.
O comunicado ainda assinala que, “como tem reiterado a Presidenta encarregada, Delcy Rodríguez, a Venezuela enfrentará esta agressão pela via diplomática, convencida de que a Diplomacia Bolivariana de Paz é o caminho legítimo para a defesa da soberania, o restabelecimento do direito internacional e a preservação da paz”.
Delcy Rodríguez também anunciou recentemente que manteve conversas com os presidentes do Brasil, da Colômbia e da Espanha para denunciar uma “agressão criminosa, ilegal e ilegítima” contra o país e reafirmar o compromisso com a via diplomática.
Nas conversas, Rodríguez “informou detalhadamente sobre os ataques armados contra nosso território, que ocasionaram o assassinato de mais de uma centena de civis e militares”. Além disso, abordou as “graves violações do direito internacional”, incluindo a “violação da imunidade pessoal do Presidente constitucional da República, Nicolás Maduro Moros, e da primeira-dama e Primeira-Combatente, Cilia Flores”.
Rodríguez agradeceu “de maneira especial ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao povo do Brasil pelo acompanhamento e o apoio prestado à Venezuela nos momentos mais críticos após a agressão sofrida”.
O vice-presidente de Comunicação da Venezuela, Freddy Ñáñez, desmentiu nesta sexta-feira (9) a suposta visita de Delcy Rodríguez aos Estados Unidos, rumor espalhado em meio à chegada de diplomatas americanos ao país caribenho.
“Não está previsto que a presidente encarregada Delcy Rodríguez realize nenhuma viagem fora do país proximamente. Estamos concentrados como governo na agenda interna para garantir ao nosso povo seu direito à paz e à estabilidade”, enfatizou o Ministro Ñáñez.
Através da mensagem, o porta-voz descartou a saída da mandatária do país, ao menos no curto prazo, e ratificou que a prioridade do governo é atender às necessidades da população venezuelana.
No entanto, também foi informado sobre o próximo envio de uma delegação venezuelana aos Estados Unidos. No entanto, o governo da Venezuela não ofereceu detalhes específicos sobre a composição ou propósito de tal missão.





