Sul

Prefeituras das capitais do Sul fazem guerra ao Carnaval

Governos municipais de Porto Alegre, Curitiba e Florianópolis restringem direitos da população ao atacar festa mais popular do País

Tanto em Florianópolis quanto em Curitiba, o Carnaval de 2026 foi marcado pela repressão e pelo combate à festa popular. Além da série de justificativas de que “é contra assédio” e afins, restrições de circulação e violência marcaram os dias de folia nessas capitais, que dirá no restante dos estados.

Em Florianópolis, o centro da cidade, tradicional local de circulação de blocos, foi cercado por grades vigiadas por seguranças privados, e o grau de repressão varia conforme o ponto. Em alguns lugares, não se pode entrar nem com bebida.

Ou seja, apesar dos princípios da Administração Pública traçados pela Constituição Federal, as regiões da cidade foram loteadas conforme interesses privados. Quem não está disposto a pagar a certos proprietários por uma latinha de cerveja simplesmente não pode entrar com a própria bebida e será revistado na entrada de trajetos definidos de modo arbitrário.

Já em Curitiba, depois de uma reunião descrita como “democrática” pela prefeitura, da qual participaram, no quartel da PM, apenas secretários da administração e representantes do comércio e de pequenos empresários, estipularam-se as “regras do Carnaval”. Estabeleceu-se que, às duas da manhã, a festa acabaria; e a PM garantiu isso com bombas de efeito moral e truculência, expulsando os foliões do tradicional local de folia, o Largo da Ordem.

Em ambas as capitais, observa-se o seguinte: ano a ano aumentam as restrições à participação popular no Carnaval. Em Florianópolis, num ano se cerca a praça; no outro, proíbe-se a entrada com bebida, o que resulta em arbitrariedades: em algumas ruas, só se entra comprando bebida de fornecedores liberados pela prefeitura, e o trânsito é impedido. Ou seja, pobre não entra, e os lucros ficam com empresários escolhidos.

Em Curitiba, num ano a campanha “não é não” é apresentada como combate ao assédio; no outro, serve para restringir o próprio Carnaval, com mais controle, mais limitações e trajetos de blocos favorecendo interesses comerciais. E, numa demonstração de ódio ao povo, a prefeitura de Eduardo Pimentel, o Greca Jr., a PM e seus asseclas lançam bombas de gás na população sob o pretexto de fazer funcionar a feira no dia seguinte.

A partir de segunda-feira, não há programação de Carnaval na capital paranaense.

A esquerda pequeno-burguesa não diz nada. Ao contrário, faz coro com as justificativas de “segurança” e “proteção às mulheres” e “minorias” (enquanto lança bombas nessas mesmas mulheres e homossexuais). As organizações populares, amedrontadas pela imprensa chapa-branca e pela truculência do governo, ainda aceitam — ou parecem resignar-se —, fingindo acreditar que tal e tal lugar, em tal horário, será destinado às suas manifestações.

A população, ano após ano, avalia se vale a pena participar da festa, até que, como espera a burguesia, desista de uma vez. Essas prefeituras de direita não podem explicitar sua vontade de acabar com a festa popular porque isso encontraria grande resistência. Nem o público evangélico, que a esquerda pequeno-burguesa chama de “burro”, concordaria com a proibição do Carnaval, entendendo tratar-se de uma escalada autoritária inédita. Por isso, precisam fazer o que chamam de “aproximações sucessivas”.

No fim, o que conta é reprimir a alegria e a espontaneidade da população no Carnaval. Fora a direita das prefeituras!

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