Os indígenas Pataxó que vivem na Terra Indígena Barra Velha do Monte Pascoal, município de Porto Seguro, Extremo Sul da Bahia, ocuparam o latifúndio chamado Fazenda Brasília na madrugada do último domingo (04/10/2026).
Centenas de Pataxó de diversas retomadas se deslocaram até a Fazenda Brasília, localizada dentro dos limites da Terra Indígena Barra Velha do Monte Pascoal, área já demarcada e publicada no Diário Oficial da União e do estado da Bahia no ano de 2008.
A Fazenda Brasília, área de grilagem de latifundiários locais, estava funcionando como uma base de pistoleiros dentro da Terra Indígena e que constantemente, atacavam índios Pataxó, lideranças e outros apoiadores que se deslocavam dentro dos limites da Terra Indígena.
Em junho de 2022, a Fazenda Brasília foi retomada pelo grupo de índios Pataxó da Terra Indígena Barra Velha do Monte Pascoal e sofreu um enorme ataque do grupo Invasão Zero e sua milícia no Extremo Sul da Bahia com centenas de picapes e pistoleiros para realizar o despejo dos Pataxó. Após uma enorme tensão, foi consenso do povo Pataxó se retirar da Fazenda para evitar mais violência diante da inoperância do governo do estado da Bahia e do governo Federal.
Desde 2022, as ocupações intensificaram-se como forma de pressionar os governos federal e estadual pela conclusão da demarcação de um território de cerca de 44 mil hectares entre Porto Seguro, Prado, Itamaraju e Itabela. Diante da paralisia do estado e da ofensiva das secretarias de segurança pública da Bahia e do Ministério da Justiça, foram realizadas mais de 60 retomadas de latifúndios que estão dentro dos limites da terra indígena.
A retomada da Fazenda Brasília, que funcionava como um ponto de apoio e de estadia de pistoleiros e policiais, é um enorme acerto para reduzir a violência contra o povo Pataxó que luta há décadas pela demarcação de suas terras.
É preciso uma grande campanha de apoio a retomada dos Pataxó da Terra Indígena Pataxó do Monte Pascoal e de denúncias da violência realizada pelos latifundiários e pistoleiros formado por policiais civis e militares do estado da Bahia e do silêncio do governo do petista Jerônimo Rodrigues.


