Neste domingo (11), aconteceu o ato nacional em defesa da Venezuela, convocado pelo Partido da Causa Operária (PCO). O ato teve concentração na Praça Oswaldo Cruz, situada no início da Avenida Paulista, no coração da cidade de São Paulo. A programação previa o início às 10 horas, momento em que começaram a chegar delegações de várias cidades do país e os primeiros participantes. Por volta das 11h30, o ato iniciou uma marcha pela Avenida Paulista, seguindo até o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), onde o evento foi encerrado.
Além da participação expressiva, que fez do ato a maior demonstração de apoio à Venezuela desde as recentes hostilidades do governo norte-americano ao país caribenho —, o caráter do ato era bastante combativo. Entre os destaques, estavam cartazes e fotos em alusão aos mártires da luta anti-imperialista, como o general Qasem Soleimani, e lideranças vivas, como o Aiatolá Ali Khamenei, dirigente da República Islâmica do Irã. O ato, além de apoiar a Venezuela, estendeu seu apoio a todos os países oprimidos em luta contra o imperialismo.
Entre as bandeiras, destacavam-se as da Venezuela, do próprio PCO e de grupos da Resistência Palestina. Embora convocada pelo PCO, a manifestação contou com a participação de integrantes de diversas organizações, como o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Partido dos Trabalhadores (PT). Entre os presentes, estava o jornalista Breno Altman, perseguido pelo sionismo e uma das figuras públicas mais conhecidas da luta anti-imperialista no Brasil, sendo um notório defensor da Venezuela, do Irã e dos povos oprimidos.

A manifestação também contou com André Constantine, liderança do movimento revolucionário Carlos Marighella e militante do Rio de Janeiro conhecido pela luta nas favelas. O Partido Operário Revolucionário (POR) também marcou presença.

Outro grande destaque foi a Bateria Zumbi dos Palmares, formada por militantes e simpatizantes do PCO. A bateria animou o ato da concentração até a chegada ao MASP com várias palavras de ordem, como: “Maduro, amigo, o povo está contigo”. Além disso, a loja Robespierre esteve presente com materiais exclusivos em apoio à Venezuela.

A manifestação fora agendada no final do ano passado diante do cerco norte-americano. O presidente Donald Trump anunciou uma recompensa de 50 milhões de dólares por informações que levassem à prisão do presidente Nicolás Maduro e, posteriormente, enviou 4 mil soldados e uma frota de guerra para o Mar do Caribe, posicionando-se para uma possível invasão.
Dias depois, iniciou-se uma onda de execuções sumárias no Mar do Caribe contra pessoas em embarcações supostamente ligadas ao narcotráfico. A maioria das vítimas era venezuelana ou colombiana, executadas como forma de intimidação. Finalmente, no dia 3 de janeiro, ocorreu o sequestro do presidente Nicolás Maduro por uma força especial do exército norte-americano que invadiu o país. A operação resultou na morte de cerca de 100 pessoas, incluindo 32 agentes cubanos. O presidente e sua esposa, Cilia Flores, foram levados aos Estados Unidos. Em sua primeira aparição em um tribunal em Nova Iorque, Maduro declarou-se prisioneiro de guerra.
A manifestação deste domingo (11) teve como ponto central a solidariedade à Venezuela e a exigência da liberdade imediata de Maduro e Cilia Flores. No final do trajeto, próximo ao MASP, houve um confronto com um grupo de provocadores — cerca de 20 pessoas — que portavam bandeiras e fotos em alusão à ditadura monarquista de Reza Pahlavi, derrubada pela Revolução Iraniana. Os participantes do ato reagiram às provocações, tentando expulsar os provocadores, momento em que a polícia interveio para proteger o grupo minoritário. No tumulto, a polícia utilizou gás lacrimogêneo e cacetetes, ferindo alguns militantes.

Essa provocação ocorreu em um dia de mobilização global da extrema-direita contra a República Islâmica, organizada pelo imperialismo e pela CIA dentro do território iraniano.







