Europa

Polônia e Hungria racham com União Europeia devido à Ucrânia

Crise em torno de empréstimos militares, sanções contra a Rússia e bloqueio do petróleo russo aprofunda choque entre governos do Leste Europeu e burocracia de Bruxelas

A guerra na Ucrânia aprofundou nesta segunda-feira (16) as divisões internas da União Europeia, com a Polônia mergulhada em uma crise em torno dos empréstimos militares do bloco e a Hungria reafirmando que não aceitará novas sanções nem um novo pacote de ajuda a Quieve enquanto o petróleo russo seguir bloqueado pela Ucrânia.

No caso polonês, o primeiro-ministro Donald Tusk afirmou no domingo (15) que há uma “ameaça real” de saída do país da União Europeia, depois que o presidente Karol Nawrocki vetou um projeto de lei que permitiria a Varsóvia acessar quase 44 bilhões de euros em empréstimos europeus de defesa, em sua maior parte destinados à indústria armamentista do próprio país.

Após o veto, o governo convocou uma reunião de emergência e autorizou diretamente os ministros da Defesa e das Finanças a assinarem o acordo do programa SAFE, contornando a decisão presidencial. Em publicação na rede X, Tusk acusou Nawrocki e partidos da direita polonesa, em especial o bloco Lei e Justiça, de impulsionarem um “Polexit”. Segundo ele, Rússia, o movimento MAGA de Donald Trump e setores europeus liderados pelo primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán querem “destruir a UE”.

O conflito entre Tusk e Nawrocki, no entanto, já vinha se desenvolvendo havia meses. Em janeiro de 2025, Nawrocki, então candidato oposicionista à Presidência, participou de um protesto de agricultores diante do escritório da Comissão Europeia em Varsóvia contra as regras ambientais do bloco e contra a entrada de alimentos ucranianos no mercado polonês.

A crise se dá em meio à militarização acelerada da União Europeia. Sob a alegação de uma ameaça russa, Bruxelas vem impulsionando o plano ReArm Europe, de 800 bilhões de euros, enquanto os países da OTAN assumiram o compromisso de elevar os gastos militares para 5% do PIB. Um dos instrumentos centrais dessa política é justamente o SAFE, criado pela Comissão Europeia para levantar 150 bilhões de euros no mercado internacional e financiar projetos militares dos Estados-membros.

Na Hungria, o choque com Bruxelas e com Quieve também se intensificou. Em Bruxelas, na segunda-feira (16), o ministro das Relações Exteriores, Péter Szijjártó, declarou que Budapeste não votará “nem o 20º pacote de sanções [contra a Rússia], nem o empréstimo militar de 90 bilhões de euros para a Ucrânia”, acrescentando que, no futuro, o país também não apoiará decisões que concedam dinheiro ou vantagens políticas a Quieve.

A posição húngara está ligada ao bloqueio do petróleo russo transportado pelo oleoduto Druzhba. Em fevereiro, Orbán já havia vetado o empréstimo emergencial europeu de 90 bilhões de euros depois que a Ucrânia interrompeu o fornecimento para a Hungria e a Eslováquia. Quieve alegou que o fluxo havia sido interrompido por danos causados por um ataque russo, mas Moscou negou a versão e Budapeste e Bratislava acusaram o governo ucraniano de usar o corte como instrumento de pressão política.

Szijjártó afirmou que as autoridades ucranianas se contradisseram várias vezes sobre o bloqueio. Segundo ele, a operadora do oleoduto informou inicialmente à empresa húngara MOL que precisaria de três dias para restaurar o fluxo, depois pediu mais tempo sucessivamente, até admitir que aguardava autorização política para retomar as entregas.

Também na segunda-feira (16), o chanceler húngaro anunciou que assinaria com a Eslováquia um acordo para construir um novo oleoduto bilateral, numa tentativa de reduzir a dependência da rota controlada pela Ucrânia. Em vídeo gravado durante uma pausa do Conselho de Relações Exteriores da UE, ele afirmou ter ouvido de autoridades europeias, em especial da Alemanha, “ameaças abertas, brutais e descaradas”. Segundo Szijjártó, Berlim exigiu que a Hungria aceitasse o bloqueio do petróleo, liberasse imediatamente recursos para a Ucrânia e aprovasse as sanções contra a Rússia, sob pena de “consequências muito graves”.

As relações entre Hungria e Ucrânia se deterioraram ainda mais no começo deste mês, quando autoridades húngaras interceptaram, nas proximidades de Budapeste, dois caminhões blindados ucranianos e apreenderam dezenas de milhões de dólares em dinheiro vivo e nove quilos de ouro. Autoridades da Hungria indicaram que os veículos poderiam estar ligados a uma alegada rede de lavagem de dinheiro operada por uma “máfia de guerra” ucraniana. Quieve reagiu acusando Budapeste de “chantagem” e “banditismo de Estado”.

No mesmo período, Zelensqui deixou claro que não pretendia retomar o funcionamento do Druzhba. “Estão me forçando a reiniciar o Druzhba. Como isso é diferente de suspender as sanções contra os russos?”, declarou. Ele acrescentou que, se a entrega de armas fosse condicionada à reabertura do oleoduto, estaria “sem poder” para resolver o assunto.

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