Uma manifestação pacífica ocorrida na semana passada, no dia 28 de janeiro, na cidade do Recife, foi brutalmente reprimida pela Polícia Militar de Pernambuco (PMPE). A manifestação, que ocorreu no centro do Recife, na Praça do Derby, fazia parte de um dia nacional de mobilização em defesa do povo venezuelano e pela liberdade do presidente Nicolás Maduro, sequestrado por forças norte-americanas em 3 de janeiro.
O ato foi convocado pelo Comitê de Solidariedade à Palestina — Pernambuco e contou com a presença de dezenas de ativistas de diferentes organizações. Durante a passeata, que tinha como destino o Consulado dos Estados Unidos, localizado a cerca de um quilômetro do local, agentes da PMPE, que teriam sido enviados para “acompanhar” o protesto, invadiram a manifestação e iniciaram uma repressão generalizada.
De acordo com relatos dos presentes, os policiais atiraram com munição letal e balas de borracha e jogaram spray de pimenta contra os ativistas. Ao menos cinco pessoas ficaram feridas, incluindo dois manifestantes baleados nas pernas. Durante o tumulto, os policias ordenaram que a manifestação fosse encerrada.
Após o término do ato, o jornal A Nova Democracia denunciou que o estudante Mateus Galdino, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), havia sido preso “em flagrante”, mesmo estando a mais de um quilômetro do local onde ocorreu o embate entre os manifestantes e os policiais.
De acordo com o Auto de Prisão em Flagrante Delito (APFD), obtido com exclusividade por este Diário, os policiais militares afirma ter iniciado sua ação truculenta após um manifestante arremessar um coquetel molotov. Nenhuma prova, contudo, foi apresentada. Nem mesmo estilhaços de vidro, característicos de uma arma desta natureza, foram registrados.
Durante o depoimento, os agentes ainda afirmam que, “em determinado momento, iniciou-se um tumulto
generalizado; que durante o tumulto, diversos indivíduos passaram a agredir a guarnição com pedaços de madeira; que três policiais militares acabaram ficando feridos durante as agressões; que dois policiais tiveram ferimentos na cabeça, e o terceiro, no dedo; que a multidão acabou se dispersando”. Os próprios policiais admitem que teriam prendido Galdino depois da manifestação, alegando, sem qualquer registro em foto ou em vídeo, que ele teria sido “o elemento que desferiu um golpe com o bastão de madeira” na cabeça de um policial.
O estudante, que estava no meio de um grupo de manifestantes barbaramente reprimidos, foi acusado pela PMPE de “homicídio doloso tentado”. Após audiência de custódia, sua liberdade foi negada.
Galdino segue preso preventivamente no Centro de Observação e Triagem Everardo Luna (Cotel).
Nesta terça-feira (3), ocorrerá, em Recife, um ato pela liberdade de Galdino. A manifestação acontecerá às 15h, em frente ao Shopping Boa Vista.


