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Plantão Irã discutiu recuo econômico dos EUA diante do Irã

Programa confrontou o discurso triunfalista de Donald Trump com os dados econômicos da realidade

Neste sábado (21), o programa Plantão Irã, da Causa Operária TV (COTV), teve como tema principal o alívio das sanções contra o petróleo iraniano por parte do governo dos Estados Unidos. A bancada contou com Thiago Assad, substituindo Francisco Weiss Muniz, Juca Simonard, substituindo Pedro Burlamaqui, o comentarista fixo Victor Assis e a convidada Izadora Dias.

A reportagem iniciou destacando a contundente declaração de Abdul Malik al-Houthi, líder do movimento Ansar Alá no Iêmen, que reiterou o compromisso inabalável de seu povo com a causa palestina e iraniana. De acordo com o dirigente iemenita, a posição do país é uma “posição de princípio enraizada no confronto com o inimigo israelense”, reafirmando que o Iêmen está em “estado de prontidão para todos os cenários”. Para a pré-candidata ao governo de São Paulo, Izadora Dias, essa postura sinaliza um agravamento da crise econômica para o bloco imperialista, uma vez que o domínio das rotas marítimas pelo Iêmen atua em conjunto com o controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz.

Thiago Assad complementou a análise observando que, ao contrário das potências imperialistas, os iemenitas “não blefam” e possuem uma coesão social gigantesca, o que torna qualquer tentativa de desestabilização interna — as chamadas “revoluções coloridas” — um esforço fadado ao fracasso diante de uma população permanentemente vigilante e mobilizada.

Um dos momentos mais significativos do programa foi a análise do discurso do novo líder da Revolução Islâmica, o Aiatolá Saied Mojtaba Khamenei. Em sua fala, o líder iraniano enquadrou o atual embate como o ápice de um ciclo de três conflitos distintos enfrentados pelo país no último período. O primeiro teria sido a “guerra dos 12 dias” em junho de 2025; o segundo, as tentativas de subversão interna em janeiro, fomentadas por agentes externos; e o terceiro, o conflito atual, que ele descreveu como uma jornada de sacrifício e resistência. Victor Assis destacou a clareza da liderança persa ao classificar as manifestações de rua do início do ano não como movimentos populares legítimos, mas como atos de guerra híbrida, rechaçando a visão de setores da esquerda internacional que apoiaram tais insurgências. Khamenei rendeu homenagens aos que chamou de “caravana de luz”, referindo-se aos mártires civis e militares que tombaram na defesa da soberania nacional contra as agressões de “Israel” e dos Estados Unidos.

A soberania do Irã na mesa de negociações foi outro ponto alto da discussão. A bancada reproduziu as falas do ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, que descartou qualquer trégua provisória que pudesse ser traída pelo imperialismo. Segundo Araghchi, a paz exige o reconhecimento formal da soberania iraniana, o direito ao programa nuclear e reparações de guerra, mas vai além: o Irã exige a criação de um Estado Palestino independente, a retirada total das tropas norte-americanas da região e a entrega de Benjamin Netaniahu ao Tribunal Penal Internacional. Izadora Dias enfatizou que essa postura demonstra um “internacionalismo revolucionário”, no qual o Irã condiciona sua própria segurança à libertação dos povos vizinhos, elevando o patamar moral e político do Estado persa diante da comunidade internacional.

A mudança de patamar tecnológico e militar do Irã foi evidenciada pelo bombardeio à base britânica de Diego Garcia, no Oceano Índico. O ataque, que atingiu alvos a cerca de 3.800 km de distância da fronteira iraniana, serviu como uma demonstração de força que colocou as principais capitais europeias em estado de alerta. Os debatedores apontaram que cidades como Roma, Berlim e Paris agora estão oficialmente dentro do raio de ação dos mísseis iranianos. Thiago Assad ironizou a cobertura da emissora britânica BBC, que tentou minimizar a capacidade iraniana após ataques britânicos, enquanto o fato concreto era a base de Diego Garcia em chamas.

No encerramento, o programa confrontou o discurso triunfalista de Donald Trump com os dados econômicos da realidade. Enquanto o presidente dos Estados Unidos declarava em frente à Casa Branca que a marinha e a força aérea do Irã haviam sido “destruídas”, o Departamento do Tesouro norte-americano anunciava a suspensão das sanções sobre o petróleo iraniano por 30 dias. Victor Assis classificou o movimento como um sinal claro de desespero imperialista diante da alta do barril de petróleo, que ameaçava atingir os 180 dólares.

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