Parceria DCO-COTV

Plantão Irã discute tentativa de assassinato de Trump

Programa analisou encontro entre Abbas Araghchi e Vladimir Putin, ataques de “Israel” ao Líbano e crise nos EUA

O programa Plantão Irã, parceria diária entre a Causa Operária TV (COTV) e o Diário Causa Operária (DCO), analisou nesta segunda-feira (27) a situação da guerra no Oriente Próximo, com destaque para o encontro entre o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em São Petersburgo. A edição também tratou da situação no Líbano, das informações sobre um ataque iraniano com um caça F-5 contra uma base norte-americana e da nova tentativa de assassinato contra Donald Trump.

Pedro Burlamaqui abriu o bloco de notícias destacando que Araghchi, antes de chegar à Rússia, passou por Omã e por Islamabade, no Paquistão, dentro de uma rodada diplomática para tratar da guerra. Segundo Burlamaqui, o chanceler iraniano afirmou que os Estados Unidos não alcançarão seus objetivos militares contra o Irã, motivo pelo qual estariam tentando negociar com a República Islâmica.

O apresentador também ressaltou que Putin recebeu pessoalmente o chanceler iraniano, gesto considerado importante diante da diferença de cargos entre os dois. Normalmente, um ministro das Relações Exteriores é recebido por seu equivalente, no caso russo, Serguei Lavrov. Desta vez, no entanto, a reunião ocorreu diretamente com o presidente russo.

Victor Assis avaliou que o encontro expressou o apoio da Rússia ao Irã em meio à agressão dos Estados Unidos e de “Israel”. Para ele, a presença de Putin na reunião teve peso político maior devido à impossibilidade de o presidente iraniano e o Líder da Revolução Islâmica deixarem o país em meio aos ataques.

“Essa diferença de patente pode talvez ser explicada pelo fato de que o correspondente ao Vladimir Putin seria ou o presidente iraniano, ou o Líder da Revolução Islâmica, que estão, por questões óbvias, impedidos de deixar o território iraniano, porque todos são muito visados pelo Exército terrorista de ‘Israel’. É possível que, na verdade, o Irã interprete como um encontro entre presidentes, o chanceler fazendo as vezes dos chefes de Estado em exercício na República Islâmica”, afirmou Assis.

Segundo o comentarista, o encontro reforçou a aproximação entre países que enfrentam a política imperialista. Ele contrapôs a atuação diplomática iraniana à postura do governo libanês, que busca um acordo ruim para a população do país e para o Hesbolá.

“Isso reforça a aliança que existe entre os países que estão na luta contra o imperialismo. O chanceler iraniano saiu em viagem, passando por Omã e depois para a Rússia, visando o encontro no Paquistão, que tem sido o principal mediador na questão do cessar-fogo. Isso mostra o exato oposto do comportamento que tem tido o presidente do Líbano, que vem se rastejando aos pés do imperialismo norte-americano, do sionismo, e, em traição ao seu povo, em traição ao Partido de Deus, o Hesbolá, vem procurando fazer um acordo extremamente ruim para a população libanesa”, disse.

O programa também analisou os novos ataques de “Israel” ao sul do Líbano. Burlamaqui afirmou que, no sábado, “Israel” lançou uma ofensiva de grande escala contra cidades libanesas, em nova violação do cessar-fogo. Segundo o Ministério da Saúde libanês, ao menos seis pessoas foram assassinadas nos bombardeios.

Burlamaqui destacou ainda que o Hesbolá respondeu com operações dentro da chamada Linha Amarela, área militar que “Israel” tenta impor no sul do Líbano sob o pretexto de criar uma zona de segurança. Segundo ele, a imprensa sionista registrou baixas entre soldados israelenses após as ações da resistência libanesa.

O secretário-geral do Hesbolá, xeique Naim Kassem, também foi citado no programa. Segundo Burlamaqui, Kassem afirmou que a ocupação israelense não permanecerá “nem mesmo um centímetro” em território libanês e apresentou cinco exigências: fim da agressão israelense por terra, ar e água; retirada de todas as tropas israelenses do território libanês ocupado; libertação dos presos; retorno dos expulsos de suas vilas e cidades; e reconstrução do que foi destruído por “Israel”.

Assis afirmou que a continuidade dos ataques israelenses ao Líbano era previsível, pois o governo de Benjamin Netaniahu precisa apresentar algum resultado após a derrota diante do Irã.

“Do ponto de vista político, o governo israelense precisa agredir o Líbano. Ele decidiu mexer com o Irã, que estava lá quieto, não estava agredindo ninguém. ‘Israel’ foi lá e inventou de travar uma guerra com o Irã. Levou uma surra, não aguentou a guerra, chamou os Estados Unidos, nem os Estados Unidos deram jeito. Se ‘Israel’ volta para casa simplesmente dizendo que foi mexer com o Irã e saiu derrotado, é uma desmoralização total que pode levar o governo abaixo”, afirmou.

Para o comentarista, o Hesbolá ocupa, diante da omissão do Estado libanês, o papel de instrumento de defesa nacional contra o sionismo.

“O governo libanês é uma vergonha, é um governo traidor do povo libanês. Mas o problema é que no meio do caminho tinha o Hesbolá. O Hesbolá tem uma aliança muito profunda com a população libanesa de conjunto. É um partido que expressa principalmente a ideologia, a fé e a própria geografia de um setor da população libanesa, mas, na medida em que o Estado libanês aprofunda sua relação com o sionismo e com o imperialismo, o Hesbolá vai se apresentando como o verdadeiro instrumento de defesa de todo o povo libanês”, disse.

Outro tema do Plantão Irã foi a reportagem da emissora norte-americana NBC News sobre os danos causados pelo Irã a bases dos Estados Unidos na região. Segundo Burlamaqui, a emissora informou, com base em três autoridades norte-americanas, dois assessores do Congresso e uma pessoa com conhecimento dos danos, que os prejuízos foram muito maiores do que os anunciados publicamente.

A informação mais destacada foi a de que um caça iraniano F-5 teria atravessado as defesas aéreas norte-americanas e bombardeado a base Camp Buehring, no Cuaite, nos primeiros dias da guerra. Burlamaqui observou que o F-5 é um avião antigo, produzido em larga escala nos anos 1960, e que o modelo utilizado pelo Irã provavelmente foi uma versão nacional desenvolvida por engenharia reversa a partir dos caças entregues pelos Estados Unidos ao regime do xá Reza Pahlavi antes da Revolução Islâmica.

Segundo o apresentador, a última vez que um avião de guerra inimigo atingiu com sucesso uma grande base norte-americana havia sido em 1953, durante a Guerra da Coreia, quando a Força Aérea da Coreia do Norte realizou um ataque noturno em baixa altitude contra a ilha de Chodo.

Assis afirmou que a reportagem confirmou a debilidade militar do imperialismo, já demonstrada em derrotas anteriores, como a retirada norte-americana do Afeganistão diante do Talibã e os reveses franceses no Sael africano.

“Por um lado, você tem uma debilidade muito patente do imperialismo norte-americano, do imperialismo de conjunto. Isso já tinha ficado absolutamente claro na medida em que as tropas norte-americanas foram expulsas pela guerrilha rural do Afeganistão, pelo Talibã. Houve derrotas subsequentes, como as derrotas do imperialismo francês no Sael africano, o próprio enfrentamento russo à OTAN. Então, há todo um histórico de demonstração de fraqueza por parte do imperialismo, de perda de autoridade, de desmoralização da dominação imperialista sobre os povos”, afirmou.

Para ele, a capacidade militar iraniana está ligada à Revolução Islâmica e à disposição do povo iraniano de defender sua soberania nacional.

“É mais um feito realmente surpreendente, que mostra que o sionismo e o imperialismo realmente não compreendem o que acontece no Irã, o que é a sociedade iraniana, o que foi e continua sendo a Revolução Iraniana. O país inteiro tem um acordo, tem um consenso de que não quer a presença norte-americana ali. Ele tem uma experiência já bastante profunda do que significa ser governado diretamente, ou por meio de seus fantoches, pelo imperialismo. Então, nesse sentido, é um povo que está disposto a fazer absolutamente tudo, até o fim, para conseguir se defender”, declarou.

O programa também registrou os 40 dias do assassinato de Ali Larijani, ex-secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã. Burlamaqui lembrou que Larijani foi assassinado em 17 de março, durante um ataque aéreo israelense e norte-americano contra Teerã, e que teve papel importante na reorganização política e militar iraniana após o assassinato de Ali Khamenei.

O Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) divulgou homenagem a Larijani. Segundo a nota citada no programa, “a vida frutífera do mártir Ali Larijani personifica a sabedoria, a racionalidade e o compromisso com os ideais da Sagrada República Islâmica, bem como anos de luta honesta pela honra, grandeza, progresso e autoridade do nosso amado Irã”.

Assis afirmou que Larijani foi uma das figuras mais importantes da República Islâmica nas últimas décadas, destacando sua formação intelectual e seu papel político.

“Na ocasião de sua morte, a gente contou um pouco da biografia de Ali Larijani e destacou que ele era, além de um importante dirigente revolucionário, uma pessoa de conhecimento muito profundo da filosofia. Ele próprio era especialista no filósofo alemão Immanuel Kant. Ao contrário desses burocratas medíocres, genocidas, carniceiros que comandam os Estados Unidos, o Estado de ‘Israel’ e os países imperialistas, Ali Larijani é certamente um dos grandes quadros da República Islâmica do Irã, que merece ser lembrado por sua contribuição”, afirmou.

Na parte final do programa, os apresentadores trataram da nova tentativa de assassinato contra Donald Trump. Burlamaqui afirmou que um engenheiro mecânico de 31 anos, identificado como Cole Tomas Allen, teria tentado invadir o jantar anual dos correspondentes da Casa Branca no Washington Hilton, onde Trump estava presente, e teria disparado tiros antes de ser interceptado por agentes do Serviço Secreto norte-americano.

Segundo o programa, o governo dos Estados Unidos classificou o caso como a terceira tentativa de assassinato contra Trump em dois anos. As anteriores teriam ocorrido durante a campanha eleitoral, quando um tiro atingiu parte da orelha do então candidato, e em Mar-a-Lago, na Flórida.

Assis afirmou que os Estados Unidos têm um histórico de assassinatos e tentativas de assassinato de presidentes, mas avaliou que a sequência envolvendo Trump indica o agravamento da crise interna do regime norte-americano.

“Embora o país tenha uma tradição, isso é uma demonstração de que a crise política está se acentuando muito. É também muito desmoralizante para um país que se arroga a função de ser o grande tutor da democracia mundial. Como vai dar grandes lições de democracia se o seu regime é praticamente uma guerra civil?”, questionou.

O comentarista disse não estar convencido de que o episódio tenha sido uma encenação de Trump. Para ele, a hipótese mais consistente, diante do histórico norte-americano, é a participação de setores do próprio imperialismo ou de grupos ligados à extrema direita israelense.

“Eu não estou convencido de que seja uma jogada do Trump. Também não sei o que o Trump ganharia se fosse uma encenação, não sei bem qual seria o sentido disso. Agora, quem tem interesse em matar o Trump? A suspeita recai mais sobre esses setores: a extrema direita israelense e o próprio imperialismo. O Trump vem procurando manter uma posição de equilíbrio impossível. Ele entrou nessa guerra pressionado pelo imperialismo; como a estratégia dele foi muito ruim, acabou sendo um desastre, o imperialismo abandonou ele, e agora ele está sem saber como lidar com a situação”, afirmou.

O último tema internacional tratado no programa foi a declaração do chanceler alemão Friedrich Merz sobre a posição dos Estados Unidos nas negociações com o Irã. Segundo Burlamaqui, Merz afirmou que os Estados Unidos estão sendo humilhados pela liderança iraniana, que os iranianos estão mais fortes do que se esperava e que os norte-americanos não têm uma estratégia convincente.

Assis avaliou que a fala de Merz expressa mais um lamento do imperialismo europeu do que uma crítica à agressão contra o Irã.

“São declarações muito cínicas. Parecem um lamento do chanceler alemão. O sentido é: ‘Trump, a gente precisa mesmo conter esse Irã. Nós, junto com Reino Unido e França, atuamos para sancionar o país por causa do seu programa nuclear. Agora tem que fazer direito’. Mesmo na tentativa de se descolar da guerra, o chanceler alemão mostra o que é o imperialismo, mostra como o imperialismo pensa. Eles não têm absolutamente respeito algum pela soberania dos povos, pela vontade dos povos, por qualquer questão humana”, afirmou.

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