Análise Internacional

Pimenta alerta para ataque ao Irã e denuncia censura

Presidente do PCO afirmou que imperialismo “não pode conviver” com o Eixo da Resistência e avaliou risco de guerra de grande escala

Na edição desta quinta-feira (19) do programa Análise Internacional, transmitido pelo Diário Causa Operária (DCO) no YouTube, Rui Costa Pimenta comentou a ofensiva do imperialismo em diferentes frentes — da censura nas redes sociais, passando pelo caso Jeffrey Epstein, até os rumores de um ataque norte-americano em larga escala contra o Irã. O dirigente também tratou da escalada de guerra na Europa e da situação política na França.

Censura nas redes

Questionado sobre a declaração do primeiro-ministro britânico Keir Starmer, que afirmou que pretende aprovar, “em meses”, uma lei para regulamentar o uso de redes sociais por jovens com menos de 16 anos, Pimenta afirmou que a justificativa apresentada por governos, a de “proteger os jovens”, não se sustenta. Para ele, “é transparente, é óbvio que isso é uma mentira, que isso é um engano”. Em seguida, resumiu a finalidade do tipo de medida: “o objetivo aqui é a censura”.

Pimenta disse que a iniciativa britânica não seria um caso isolado. Ele citou países que já adotaram mecanismos semelhantes: “já tem no Brasil, já tem na França, já tem na Austrália”, afirmou. Ele avaliou que esse tipo de política busca “excluir o máximo possível as pessoas das informações que circulam na internet”. Ainda de acordo com ele, o Reino Unido teria histórico nessa área: “onde há mais censura da internet é justamente na Inglaterra e no Reino Unido”.

Epstein e o papel do Mossad

Ao comentar o caso Jeffrey Epstein, Pimenta afirmou que os elementos conhecidos até aqui apontam para algo mais amplo do que um esquema de exploração sexual. “Tudo indica que era uma fábrica de extorsão mesmo”, disse, acrescentando que a estrutura pode ter “começado de uma maneira e evoluído de outra maneira”.

Ele também tratou das suspeitas de envolvimento do Mossad e explicou que o serviço secreto sionista faz parte de um aparato maior de espionagem articulado com as potências imperialistas. Segundo Pimenta, “existe, na realidade, no mundo, um complexo de serviços de inteligência que atuam juntos”, citando como exemplo o chamado “Cinco Olhos”, com Estados Unidos, Inglaterra, Austrália, Nova Zelândia e Canadá. Nesse quadro, afirmou que o Mossad “é uma agência desse complexo de informação”.

Para Pimenta, o Mossad serve para executar operações ilegais que poderiam gerar crise política se fossem realizadas abertamente por órgãos dos EUA ou da Inglaterra. “Eu acho que a função do Mossad nessa agência é o trabalho sujo. Assassinatos, extorsão”. Ele resumiu a ideia dizendo que se trata de um “terceirizado do imperialismo” para ações “que podem dar confusão” se aparecerem vinculadas diretamente ao aparelho de um país imperialista.

Na explicação, ele citou exemplos de assassinatos de cientistas e autoridades iranianas, afirmando que “a maioria dos assassinatos políticos que a gente vê, assassinatos dos cientistas nucleares iranianos, dos generais iranianos, são feitos pelo Mossad”. Para ilustrar como esses mecanismos operariam “fora” das amarras legais e políticas internas, comparou: “o Mossad é como a base norte-americana de Guantánamo. Está fora da lei norte-americana”.

Ainda nesse tema, Pimenta levantou a hipótese de envolvimento do Mossad no assassinato do presidente John F. Kennedy, atribuindo a possibilidade à atuação do “estado profundo” e de um “complexo” que domina o Estado norte-americano. “Pode ter sido o Mossad que assassinou o Kennedy, por que não?”, afirmou, acrescentando que havia insatisfação com os Kennedy e que “quem teria mandado matar seria justamente esse complexo que domina o Estado norte-americano”.

Confronto com o Irã

Ao ser perguntado sobre rumores de um ataque norte-americano de grande escala contra o Irã, Pimenta avaliou que o cenário é plausível. “Eu acho bastante provável que haja esse enfrentamento”, disse, ponderando que “não dá para ter certeza”.

O dirigente apontou que o imperialismo tem um problema com a existência de uma força “revolucionária anti-imperialista” na região, “no centro do qual está localizado o Irã”. Ele definiu o Eixo da Resistência como “uma das maiores ameaças ao imperialismo que a gente já viu até hoje” e comparou o impacto do Irã ao que a Revolução Cubana provocou no século passado. Segundo Pimenta, a resposta do imperialismo à Revolução Cubana foi impor “as piores ditaduras” na América Latina, citando Videla, Banzer, a ditadura militar brasileira e Pinochet, e afirmou que Cuba, “uma ilhazinha pequena”, representava uma ameaça “menor do que o Irã”.

Pimenta também falou sobre os membros do Eixo da Resistência. Citou o Iêmen como um país que conta na política internacional, e apontou o Hesbolá como “uma força combatente também muito respeitável”. Sobre a Palestina, afirmou que o Hamas enfrenta “o imperialismo e o sionismo” há mais de dois anos e que o conflito já caminha para o terceiro ano, sendo “o mais longo conflito que ‘Israel’ já enfrentou de muito, muito tempo”.

O dirigente disse ainda que tentativas de “golpe de Estado e revolução colorida” teriam fracassado no Irã, com efeitos como crise cambial, mas que o país “conseguiu resistir”. A partir disso, avaliou que o movimento agora aponta para um choque militar, embora as características do conflito sejam difíceis de prever: “as características que esse enfrentamento vai assumir são… é difícil prever”.

Como sinal do risco de escalada internacional, mencionou exercícios navais envolvendo Rússia, China e Irã no Golfo Pérsico. Segundo ele, as manobras funcionariam como aviso: “é meio que uma advertência, não ataquem o Irã”, e uma tentativa de impor “um veto à ação norte-americana”. Pimenta disse, no entanto, que não é possível afirmar se “esse veto vai ser levado a sério pelos Estados Unidos ou pelo sionismo”.

Ao comentar a discussão no programa sobre qual deveria ser a resposta iraniana caso o ataque se concretize, Pimenta afirmou que a situação é mais complexa do que uma solução baseada apenas em endurecimento militar imediato. “Eu tendo a pensar que a coisa é um pouco mais complexa do que isso”, disse, avaliando que um ataque iraniano “mais duro” “aceleraria o problema ao invés de diminuir”.

Em outro momento, ele afirmou que a principal vantagem diplomática do Irã está no custo que uma guerra poderia impor ao imperialismo. Pimenta citou, como exemplo, a possibilidade de perdas relevantes, como “perder um porta-aviões no Golfo Pérsico”, o que, segundo ele, poderia ser “muito humilhante” para o governo norte-americano. Ainda assim, concluiu que, se houver ataque, a resposta deve ser proporcional: “se houver o ataque, acho que o Irã deveria responder à altura, sem dúvida nenhuma”.

Imperialismo ‘com pés de barro’ e Venezuela

Pimenta afirmou que uma derrota do Irã seria um “desastre total”, citando como referência o golpe contra Bashar Al-Assad na Síria. Ao mesmo tempo, disse que a ofensiva imperialista não deve ser subestimada, mas que ela também revela limites materiais e políticos. “Nós devemos entender também que, numa certa medida, essa é uma ofensiva de um gigante com pés de barro”, afirmou, concluindo com a fórmula atribuída a Mao: “tigre de papel”.

Ele citou, nesse sentido, resultados limitados do imperialismo em diferentes locais, mencionando a Palestina, o Líbano e a Ucrânia. E, ao falar sobre a Venezuela, disse que não considera simples a ideia de capitulação. “Eu acho que a gente não deveria dar de barato que a Venezuela capitulou”, afirmou, caracterizando o governo venezuelano como estando “na defensiva” e avaliando como “relativamente errada” uma parte da política adotada, inclusive por não levar em conta o peso da propaganda internacional.

Assista ao programa na íntegra:

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