A Polícia Federal (PF) iniciou perícia nos dados extraídos da sala-cofre da CPMI do INSS nesta terça-feira (17) para verificar se material sigiloso de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi copiado para um HD externo. A ação ocorreu após a PF formatar os computadores do local na noite de terça-feira, retirando todo o conteúdo, incluindo fotos e vídeos dos celulares do banqueiro.
O caso Banco Master eclodiu em novembro de 2025, quando o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição financeira controlada por Daniel Vorcaro, revelando um rombo estimado em mais de R$ 50 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito (FGC). No mesmo dia, Vorcaro foi preso pela primeira vez pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero, acusado de fraudes contra o sistema financeiro, gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e organização criminosa, ao tentar embarcar para o exterior. A investigação apontou esquema de maquiagem de balanços com carteiras de crédito falsas e tentativas de venda do banco ao BRB (Banco de Brasília), frustrada por irregularidades.
Após liberação temporária, Vorcaro foi preso novamente em março de 2026, na terceira fase da operação, por ordem do ministro André Mendonça, do STF, relator do inquérito. Mensagens extraídas de seu celular indicaram indícios de ameaças, corrupção e interferência em decisões regulatórias, além de conexões com figuras do poder público. A Segunda Turma do STF manteve a prisão em 13 de março, enquanto boatos de delação premiada ganharam força, especialmente após trocas na defesa do banqueiro. O escândalo expôs promiscuidades entre o capital financeiro, políticos do Centrão e autoridades do Judiciário, incluindo contratos milionários e encontros questionáveis.
Paralelamente, a CPMI do INSS, que investiga fraudes em empréstimos consignados (muitos ligados ao Banco Master), obteve quebras de sigilo telemático, bancário e fiscal de Vorcaro. Recentemente, o ministro Dias Toffoli declarou-se suspeito e afastou-se da relatoria do julgamento de dois processos no STF que tratavam do caso Master: o inquérito criminal principal que apurava organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, lavagem de dinheiro, manipulação de mercado de Vorcaro na chefia do Banco Master e o Mandado de Segurança do deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), que demandava que a corte exigisse do parlamento a instauração de uma CPI exclusiva para tratar do caso Master. O Mandado de Segurança foi redistribuído para Cristiano Zanin. Mendonça assumiu a relatoria principal e impôs blindagens ao material sigiloso, como a proibição de acesso à sala-cofre da CPMI na segunda-feira (16), para preservar intimidade e evitar nulidades.
Entre o material privado removido, haveria imagens de políticos do Centrão, além de mensagens, vídeos e outros arquivos extraídos dos aparelhos de Vorcaro. Os dados agora passam por análise técnica detalhada, cujo objetivo é identificar registros de acessos aos equipamentos e eventual transferência indevida para dispositivos externos, como HDs.
Um relatório final será encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso Master. A perícia visa esclarecer se houve vazamento ou acesso não autorizado, em meio a suspeitas de tentativa de extração irregular de informações sigilosas da CPMI do INSS.
A decisão de Mendonça, tomada na noite de segunda-feira (16), proibiu qualquer acesso ao material na sala-cofre, determinando a retirada dos equipamentos pela PF. O ministro destacou a necessidade de proteger aspectos da vida íntima de Vorcaro, ordenando triagem cuidadosa: conteúdos estritamente pessoais devem ser excluídos antes de qualquer devolução ou compartilhamento.
A triagem exige cautela, pois parte dos arquivos, como imagens, vídeos e mensagens, pode envolver a esfera privada, mas ainda ter relevância investigativa. Fontes indicam que a polêmica está em separar conversas íntimas sem conexão com os fatos (como trocas com a ex-noiva Martha Graeff) de diálogos ou registros que mencionem autoridades, encontros com figuras públicas, ministros ou dirigentes partidários, elementos que podem revelar conexões e responsabilidades no escândalo.
Vorcaro, já sob investigação na Operação Compliance Zero, buscaria proteção diante de problemas judiciais, o que torna esse material potencialmente chave para entender as tramas do caso Banco Master. A PF deve devolver os equipamentos à CPMI sem os conteúdos classificados como íntimos pelo ministro.
Enquanto a CPMI do INSS precisa responder sobre possível vazamento (incluindo investigações da Polícia Legislativa do Senado sobre câmeras ocultas na sala-cofre), a PF avança na perícia para mapear qualquer irregularidade.
O escândalo do Banco Master expõe a usurpação da autoridade estatal pelo capital financeiro e se consolida como um dos maiores da história recente. O caso não dá sinais de estar próximo do fim e a equipe do DCO seguirá na cobertura de futuros desenvolvimentos.




