O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, saiu em defesa do PIX e pediu que o Brasil estenda o sistema ao seu país neste sábado (4). Em publicação feita no X, Petro afirmou: “Peço ao Brasil que estenda o sistema PIX à Colômbia”, vinculando essa defesa a críticas abertas ao sistema de sanções dos Estados Unidos e ao uso político da lista mantida pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros, o Ofac, órgão do Tesouro norte-americano.
A declaração ocorreu após novos ataques do governo dos Estados Unidos ao sistema brasileiro de pagamentos instantâneos. O relatório anual do USTR, divulgado no fim de março, voltou a tratar os serviços brasileiros de pagamento eletrônico como problema comercial para as empresas norte-americanas, sustentando que haveria favorecimento a soluções desenvolvidas e reguladas pelo Estado brasileiro. O documento integra a escalada norte-americana contra políticas brasileiras nas áreas de comércio digital e pagamentos eletrônicos.
Na prática, o alvo é evidente. O PIX reduziu o espaço das grandes bandeiras internacionais de cartão e mostrou que um sistema barato, instantâneo e de alcance nacional pode funcionar sem subordinação direta aos intermediários privados tradicionais. É justamente isso que incomoda Washington. O imperialismo norte-americano, sempre que encontra uma ferramenta que limita a drenagem de renda para seus monopólios, procura enquadrá-la como “barreira”, “distorção” ou ameaça à concorrência. No caso brasileiro, o Lobby do sistema de cartões encontrou abrigo no próprio aparato comercial dos Estados Unidos.
Petro aproveitou a polêmica para defender a adoção do mecanismo no âmbito regional. Ao mesmo tempo em que sustentou o PIX como alternativa mais eficiente, criticou o uso das sanções financeiras norte-americanas como arma de controle político. O presidente colombiano afirmou que o mecanismo já não funciona como instrumento real de combate ao narcotráfico e passou a ser empregado para pressionar opositores e governos ao redor do mundo.
A fala expõe uma contradição política importante. Enquanto Petro procura se apoiar em medidas de integração regional e enfrenta mais diretamente a pressão imperialista, o governo Lula adota uma linha vacilante. O Brasil foi atacado frontalmente na questão do PIX, mas respondeu apenas de modo defensivo, sem transformar o caso em uma ofensiva política contra a ingerência norte-americana. Criou-se, assim, uma situação reveladora: o país que desenvolveu a ferramenta e tem peso econômico incomparavelmente maior aparece na defensiva, enquanto a Colômbia, muito menor e com menos condições materiais para enfrentar o imperialismo, sai em sua defesa.




