Polêmica

Pequei, Senhor

O identitarismo não consegue fugir do maior repressor de todos, o Estado e sua força policial

Walter Casagrande e Milly Lacombe formam, segundo eles próprios, uma dupla de esquerda do Uol. São, na realidade, identitários bem pagos pela imprensa para aumentar a confusão política dentro da esquerda – que já não é pequena!

A “novidade” da vez é que jogadores de futebol deveriam ser antirracistas e feministas. Os que não são, por sua vez, devem ser “letrados” ou chicotear as próprias costas caso cometam ou mesmo pensem algo “machista” ou “racista”.

Casão se revoltou com o técnico Filipe Luís, que disse que o “racismo contra Vinicius Jr. foi um caso isolado”. Casagrande disse que Felipe foi bem tratado na Argentina pelo fato de ser branco, e que “esse tipo de declaração normaliza ataques racistas que todos os brasileiros sofrem aqui na América do Sul constantemente”.

A declaração de Felipe Luiz não “normaliza” nada. Aliás, Casão incorporou esse termo (“normaliza”) apenas para se mostrar descolado, moderno, mas nem sabe o que exatamente quer dizer. Se falar qualquer coisa “normalizasse” algo, teríamos sempre um ótimo dia com a quantidade de bom dia que recebemos. Sem contar no fato de que, se considerarmos a quantidade industrial de jogos de futebol que acontecem diariamente pelo mundo, de fato, o caso foi isolado.

Mas, além disso, Casão acha que os brancos devem se punir, ajoelhar no milho e se açoitar: 

“Filipe, nós somos brancos e não temos condições de medir a dor de quem sofre racismo, e muito menos dizer que são casos isolados”, diz.

Ai, que pena! É para ficar com dó ou com raiva do cinismo?

“Quem não tem profundo conhecimento sobre o que é racismo é melhor não falar nada do que minimizar esses crimes”, continua. Ora, e o que Casagrande sabe do racismo? Por que ele pode falar e Filipe Luís não? Quem vai determinar isso, a Folha de S.Paulo?

Vamos ao que interessa, cadeia para os racistas: “não é um caso isolado; são ataques criminosos constantes”. O identitarismo não consegue fugir do maior repressor de todos, o Estado e sua força policial.

Casão lembra que Luighi, jovem jogador do Palmeiras, teve crise de choro e abalo emocional quando sofreu racismo no Paraguai. O erro está em não revidar os ataques com violência física, ao invés de chorar e esperar uma nota cínica de Casagrande e Milly Lacombe.

Casão termina com a culpa geral: “somos um povo racista, xenofóbico, homofóbico, transfóbico, machista e agressor em relação às mulheres”. Casão, fale por você. Aliás, esses colunistas da imprensa só falam por si mesmos, não representam nenhuma causa em si, não fazem parte de nenhuma organização de luta, ou seja, são “militantes” de sua própria causa, no caso, um cargo de colunista na imprensa capitalista.

E teve mais. Milly Lacombe, que faz o papel de Casagrande feminino, ou vice-versa. 

Ela se revoltou com as declarações do jogador Gustavo Marques, que disse que a “Federação Paulista de Futebol não deveria colocar uma mulher para apitar um jogo ‘desse tamanho’”.

Lacombe acha que o pedido de desculpas do jogador é falso. Não sabemos o que mais ele poderia fazer, mas Lacombe sabe. Ela diz: “agora cabe a Gustavo passar pelo processo de transformação e cabe àqueles que têm medo de serem os próximos a falar ou fazer besteira ir se letrar para diminuir as chances”.

O letramento é muito querido pelos colunistas do Uol. Casão também recomenda leituras para Filipe Luiz: “te recomendo o livro ‘Pequeno Manual Antirracista’, da filósofa e escritora Djamila Ribeiro, para você se aprofundar e começar a entender o horror que é um ataque racista ou de qualquer preconceito”.

O fim da opressão racial e da opressão contra mulheres está nos livros. E nos piores livros, pois o livro de Djamila é um libelo repressor. A ideia é a autocensura e o policiamento como meio para acabar com o racismo. 

Milly também tem seus momentos de auto penitência, das três aves marias e um pai nosso: “o mais honesto seria me perguntar: onde mora o racismo em mim? Berrar ‘não sou racista’ acaba soando hipócrita. Claro que sou. Fui socializada para ser. Onde ele se esconde em mim e como posso aprender com o erro de outros racistas? Essa é a chave para uma manifestação menos rasa. Homens precisariam se colocar nesse lugar antes de sair apontando o dedo para Gustavo”.

Bom, se racismo é crime e ela disse que é racista, cadê a polícia que não faz nada? Estamos diante de uma confissão pública. Ou é isso, ou é mais um profundo exercício de demagogia da colunista do Uol

“Uma compreensão alargada do feminismo é fundamental para que a luta contra o machismo saia do prefácio do livro. Homens que querem ser aliados: estudem”. A universidade identitária de Lacombe e Casagrande, que seria algo insuportável, deve ter como grade curricular demagogia I, II, III, cinismo avançado etc.

A luta do negro e da mulher não exige o autoflagelo do branco ou do homem. Isso é uma concepção atrasada da luta política e social. O oprimido não deve contar com a culpa do opressor, sua mudança psicológica, que, por um passe de mágica, acabaria com a opressão, apenas por desejar isso.

A redução da opressão da mulher e do negro só se dará por meio de uma luta coletiva desses setores, em união com todos os trabalhadores, por melhores condições de vida, mudanças concretas. Isso independe da vontade do opressor, que não vai abrir mão do seu posto se não pela força. Isso outros livros que não os da universidade identitária já contaram.

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