O artigo Venezuela bolivariana: uma revolução interrompida, publicado no sítio Revista Movimento, do MES-PSOL, publicado nesta terça-feira (20) e assinado por Antonio Neto, apresenta um balanço da Venezuela que reforça leituras equivocadas do chavismo, bem como repete velhos preconceitos pequeno-burgueses, que são adaptações das opiniões disseminadas na grande imprensa.
O olho da matéria diz que “entre o cerco imperialista e a degeneração burocrática, o balanço crítico do processo bolivariano e os desafios da luta anti-imperialista na América Latina”.
Antonio Neto, em seu texto – como está sugerido no olho –, sustenta que a derrota da Revolução Bolivariana não se deve apenas a fatores externos. Destaca a formação de uma nova classe dominante — a “boliburguesia” — surgida de uma burocracia estatal que se apropriou das rendas do petróleo para interesses próprios, distanciando-se das necessidades do povo e promovendo a corrupção.
Neto inicia seu texto fazendo referência a um artigo que teriam publicado em julho de 2024, que tratava “dos cenários possíveis para as eleições presidenciais venezuelanas”. Falaram ali de “esgotamento definitivo de qualquer resquício democrático do regime de Nicolás Maduro”, “bem como a então recente intervenção direta no Partido Comunista da Venezuela”.
O PCV, enquanto os EUA bombardearam o país e sequestraram Nicolás Maduro, atacou ferozmente o governo, que chama de ilegal e ilegítimo. Além disso, em sua conta no Instagram, dizem que reiteram “a necessidade urgente de um amplo debate nacional para construir uma solução política para a crise que seja popular, soberana, constitucional e democrática. Isso deve incluir a destituição de Nicolás Maduro do cargo e a convocação imediata — em no máximo 30 dias — de novas eleições presidenciais com um Conselho Nacional Eleitoral independente e credível”.
A Política do PCV é a mesma dos Estados Unidos, apenas que tenta dar um ar esquerdista.
O articulista passa a falar de “imposição das Zonas Econômicas Especiais, amparadas pelas chamadas Leis Antibloqueio”, “descaracterização do projeto bolivariano”, “entrega de riquezas estratégicas ao capital internacional”, “entrega de riquezas estratégicas ao capital internacional”, “concentração da renda petroleira nas mãos de uma nova classe social, formada no seio da própria Revolução Bolivariana”.
Fala ainda que “sem Chávez e sob o impacto do bloqueio econômico, as reivindicações populares por melhores condições de vida passaram a ser respondidas com repressão”, que isso “aprofundou o descontentamento social e abriu caminho para o fortalecimento da extrema direita. Esse conjunto de fatores criou as condições para o golpe final do imperialismo norte-americano”. Neto se esquece de mencionar que o governo armou milhões de milicianos para enfrentar os Estados Unidos. Apesar de os americanos terem conseguido sequestrar Maduro, o armamento da população inviabiliza uma invasão por terra, a única alternativa para os EUA de fato controlarem o país.
Conjuntura internacional
Fala da Vitória de Morales, de Rafael Correa, que seria uma espécie de continuidade do chavismo. Critica os governos Lula e Dilma. Uma preparação para dizer que “a derrota da Revolução Bolivariana foi resultado de uma combinação de fatores: a ausência de aprofundamento do processo revolucionário, a não nacionalização do sistema financeiro, a incapacidade de estender a revolução ao conjunto do continente”. Não se pode dizer que a Revolução Bolivariana esteja derrotada. O imperialismo está em um impasse e se vê obrigado a negociar com o governo de Delcy Rodriguez.
Capitulação
Antonio Neto escreve que no artigo de 2024 apontavam “dois cenários possíveis”. Mas que “hoje, sequer é possível afirmar qual deles se confirmou, uma vez que os resultados eleitorais jamais foram plenamente divulgados”. Todos criticam as eleições, desde Lula, passando pelo imperialismo, e também o MES. Para todos esses vale a “perda de legitimidade de Maduro”.
Após deslegitimar o governo, Neto fala que “impõe-se a necessidade de iniciar uma luta continental contra o imperialismo”. Porém, não há como lutar contra o imperialismo sem apoiar o governo, que é quem armou o povo.
Essa posição é comum na esquerda. Embora critiquem o imperialismo, o desejo de substituir o governo venezuelano é unanimidade. O que não explicam é como poderiam, substituir um governo em meio a um conflito acirrado contra o imperialismo. A única reivindicação legítima seria se o governo não estivesse lutando contra os agressores de modo consequente.
De nada adianta apontar para a necessidade de construir uma unidade de ação anti-imperialista em todo o continente para enfrentar o que chama de ofensiva neocolonial de Trump. A política do presidente norte-americano é trocar o governo venezuelano.
A esquerda pequeno-burguesa acusa o governo de estar capitulando para o imperialismo, mas a própria imprensa burguesa diz que estão com um problema para resolver, pois não conseguiram mudanças profundas e serão obrigados a negociar em termos de mercado.
O grande capital já avisou que não sente segurança em investir na Venezuela. Se o governo estivesse no bolso do imperialismo, não teriam receio.
Quem está servindo de linha auxiliar dos invasores é a esquerda pequeno-burguesa, que insiste em atacar e desmoralizar o governo.





