Polêmica

PCBR, mais uma vez, ao lado do imperialismo

A esquerda pequeno-burguesa, por sua natureza, está irremediavelmente ligada ao imperialismo, por isso ataca seus inimigos

Apoio ao Irã

Nota Política do PCBR e UJC consegue a proeza de dizer que defende a luta, mas é contra quem está lutando. O texto, intitulado Toda solidariedade ao povo iraniano: Contra os ataques criminosos dos EUA e de Israel!, publicado no sítio Em Defesa do Comunismo neste domino (1º) revela a incapacidade desses grupos de entenderem o o verdadeiro caráter do imperialismo.

Como de costume, o texto inicia querendo dar a impressão de que se opõe ao imperialismo, diz que “o Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário vem a público denunciar os ataques militares dos EUA e Israel contra o Irã e expressar nossa solidariedade ao povo iraniano. Os ataques feitos no sábado, 28 de fevereiro, são um novo episódio das ameaças dos EUA e de Israel contra o governo iraniano, construindo um ato de guerra deliberado que pode incendiar toda a região do Oriente Médio e da Ásia Central”.

O segundo parágrafo é frio, diz que apenas que “os resultados do ataque foram bastante significativos, em termos de impacto civil e no ataque a lideranças iranianas. Já estão confirmadas as mortes de diversas figuras centrais do governo iraniano e inclusive do Líder Ali Khamenei. Além disso, o ataque sionista, que atingiu uma escola feminina, já tem mais de 100 estudantes confirmadas como mortas”. Não denuncia o assassinato criminoso contra a liderança espiritual de um país, um homem 84 anos que sequer estava em combate. Portanto, não era um alvo legítimo.

O ataque à escola de meninas é um padrão que vem se repetindo. Isso foi visto na Faixa de Gaza. São, por enquanto 152 mortes, que deveriam ser condenadas veementemente.

Confusão

O PCBR alega que “esses ataques se inserem no contexto mais geral das disputas interimperialistas em escala global, com o polo dos EUA-UE-OTAN-Israel buscando uma ofensiva para retomar o controle sobre pontos centrais no Oriente Médio e Ásia Central e impedir as iniciativas do bloco China-Rússia de influência na região e do próprio governo iraniano.” O grupo assume que haveria mais de um imperialismo.

Como este Diário já demonstrou que o PCBR não entende que o imperialismo é uma ditadura mundial que se consolidou após duas Grandes Guerras. Jamais o imperialismo aceitaria a coexistência com outros “blocos”.

A Rússia é uma potência militar, mas um país atrasado, exportador de commodities, que vinha sendo cercado pela OTAN. Até que esse organismo chegou às portas, então, não restou aos russos outra opção que ir para guerra.

Quanto à China, o país está se tornando uma potência econômica e tem exportado capitais. Ao mesmo tempo, é assediado pelo imperialismo nas questões de Taiuan, Xin Jiang, bem como vendo sofrendo ameaças de duas grandes coalizões militares: AUKUS e QUAD.

Para que China e Rússia formassem um bloco imperialista, teriam que manter uma força que rivalizasse com a OTAN, mas estão longe disso. Também teriam que fazer o faz o imperialismo com países atrasados: controlar politicamente, ou atacar quem tente resistir, como recentemente com a Venezuela e o Irã.

Como pode existir um bloco imperialista com países acossados? Não faz o menor sentido.

Capitulação

Uma das mentiras mais repetidas pela esquerda pequeno-burguesa, que, por definição, está a reboque do imperialismo, o PCBR diz que “não devemos ter qualquer ilusão sobre o papel do governo iraniano, que não tem qualquer compromisso com a classe trabalhadora, nem com um suposto “anti-imperialismo” – o Irã é um regime burguês, marcado por uma aristocracia clerical como grupo governante.”.

A Revolução Iraniana completou 47 anos. Antes, o país era governado por uma monarquia sangrenta que mantinha o povo na mais absoluta miséria e viva na mais absoluta miséria. Após a Revolução, apesar do bloqueio brutal que foi imposto ao país, a qualidade de vida melhorou substancialmente. A população pôde ter acesso à educação e à saúde. Tudo, claro, limitado pelas dificuldades econômicas impostas.

É uma mentira vergonhosa dizer que o país é governado por uma aristocracia clerical. Tanto o aiatolá Khomeini, quanto Ali Khamenei viviam uma vida simples. A casa onde Khamenei foi morto com sua família e apoiadores era simples, sem luxo. Mesmo assim, esses setores de esquerda repetem as mentiras veiculadas pela imprensa imperialista.

Casa de Khamenei
Khamenei vivia uma vida simples, a despeito do que dizem seu detratores

Assim como o imperialismo, o PCBR quer a queda do regime, apenas disfarça dizendo que “a tarefa de derrotar o governo dos aiatolás é da classe trabalhadora e das camadas exploradas e oprimidas do Irã e não do imperialismo estadunidense”.

Uma fraude completa. Se esse partido fosse solidário com o povo iraniano, estaria agora defendendo o regime. São milhões de pessoas nas ruas chorando o assassinato de seu líder e prometendo lutar até o fim.

Partidos pequeno-burgueses não podem apoiar o governo iraniano por dois motivos: 1) são sectários, limitados, preconceituosos, e não conseguem enxergar a importância da religião muçulmana na revolução iraniana. 2) Todo pequeno-burguês está preso ideologicamente à burguesia.

Miopia política

O grupo, preso em sua limitação, diz que “existe uma agudização das expressões militares dessas disputas interimperialistas na Ásia em geral e esse processo leva os países cada vez mais no rumo da guerra imperialista generalizada, que só pode ter como consequência a matança generalizada de trabalhadores por outros trabalhadores”. Completamente errado. Não faz sentido o que está sendo dito. Essa é uma adaptação fuleira do que Lênin e os bolcheviques criticavam na I Guerra Mundial.

O imperialismo está atacando o Irã porque o país é o pilar fundamental do Eixo da Resistência que está questionando o poderio do grande capital na região, o que os ditadores mundiais não podem tolerar.

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