Polêmica

Partido Comunista Grego, linha auxiliar do imperialismo

O KKE, Partido Comunista Grego, é mais um partido de esquerda que se dize contra o imperialismo, mas que critica todos seus principais inimigos

Tiro

O artigo KKE: Confusão ideológica em meio às tempestades das guerras imperialistas, texto do Partido Comunista Grego publicado no sítio Em Defesa do Comunismo nesta segunda-feira (23), segue um padrão que se repete na maioria da esquerda: ataca o imperialismo para, em seguida, atacar exatamente seus principais inimigos. Os alvos são, basicamente, a China e a Rússia, que o texto trata como países imperialistas, bem como a Venezuela e o Irã.

No início, por exemplo, está escrito que “os recentes acontecimentos na Venezuela e no Irã refletem uma escalada da agressão imperialista dos EUA nas regiões mais amplas da América Latina e Caribe e do Golfo Pérsico, alertas que o KKE dirigiu oportunamente aos povos.”

Em seguida, afirma que o partido “rejeitou os falsos pretextos dos imperialistas de ‘restauração da democracia’, destacando, em vez disso, as causas reais subjacentes. No caso da Venezuela, o conflito centra-se no controle dos recursos energéticos e na dominação geopolítica da região, impulsionado pela concorrência dos EUA com a Rússia e a China. Da mesma forma, no que diz respeito ao Irã, o KKE destacou que o verdadeiro objetivo é impor os planos imperialistas de Israel e dos EUA na região mais ampla, vinculando os acontecimentos atuais à criação do espaço econômico e geopolítico do ‘Novo Oriente Médio’ e à implementação do ‘Corredor Índia-Oriente Médio-Europa’ (IMEC), em oposição à ‘Iniciativa Cinturão e Rota’ da China e aos planos iranianos.”

Temos aí a primeira alusão a uma luta “inter-imperialista”. Os chineses, principalmente, têm investido na Venezuela. Afinal, o país tem capital de sobra para exportar, e interessa ter a Venezuela como mais um fornecedor de petróleo.

No que diz respeito ao Irã, não se pode reduzir a questão “à criação do espaço econômico e geopolítico do ‘Novo Oriente Médio’”. O país se tornou alvo do imperialismo desde a revolução.

Trazer à baila a Iniciativa Cinturão e Rota é apenas uma transferência do que foi dito em relação à Venezuela.

O artigo deixa de lado que o Irã é o principal articulador do Eixo da Resistência, o que o imperialismo não pode tolerar.

Escondendo o jogo

No artigo, em seguida, é feito aquele meio de campo e já se parte para o ataque. O texto diz que “ao mesmo tempo, o KKE expressou solidariedade aos povos e aos Partidos Comunistas de ambos os países, que atuam em condições particularmente difíceis e enfrentam perseguição pelos regimes burgueses em seus países.”

Na Venezuela, o PCV (Partido Comunista Venezuelano) manteve uma posição vergonhosa e sabotadora diante da ofensiva do imperialismo. Além de ter se recusado a exigir a liberação de Maduro, fez questão de fazer críticas ficcionais contra o governo, o que serve apenas para enfraquecer aqueles que armaram a população para enfrentar o inimigo. De fato, os EUA não se atreveram a invadir o país.

Quanto ao Iraque, é conhecido o fato de comunistas se unirem ao Iraque contra a Revolução. Mesmo hoje, o Tudeh tem uma postura negativa em relação ao governo que está sob forte ataque do imperialismo.

O texto diz que “o KKE denunciou a postura inaceitável e cínica do governo grego, que, atuando como firme apoiador do imperialismo dos EUA”. Cita a questão da Groenlândia etc.

Ataque à Venezuela

Perto da metade do texto, o KKE diz que “existe também uma vertente do oportunismo que imagina a formação de um suposto ‘eixo anti-imperialista’ por certos governos burgueses. Em sua tentativa de fundamentar essas fantasias – a fim de empurrar os povos na direção de uma suposta ‘melhor’ gestão do capitalismo, ou mesmo para o apoio ao lado rival da concorrência imperialista, isto é, ao emergente eixo eurasiático – recorrem a posições anti-históricas.”

Que possa haver contradição entre governos burgueses e o imperialismo é um fato. A Rússia, neste momento, está travando uma guerra na Ucrânia que já dura quatro anos. No Oriente Médio, o Irã montou o Eixo da Resistência, que tem sido fundamental no enfrentamento ao imperialismo na região.

O Hesbolá, no Líbano, a resistência palestina e o Ansar Alá, do Iêmen, estão longe de ser meras fantasias. Os Estados Unidos, principal país imperialista, mandaram um enorme contingente, o maior desde a invasão ao Iraque, para ameaçar o Irã. Negar isso é se negar a ficar ao lado dos povos oprimidos, especialmente daqueles que estão em confronto direto contra o imperialismo.

O KKE critica o ex-eurodeputado do Partido Comunista Espanhol, Manu Pineda, que argumentou que “a Venezuela estaria simplesmente fazendo algo semelhante ao Tratado de Brest-Litovsk, assinado por Lênin em 1918 com o Império Alemão, e ao Pacto Molotov-Ribbentrop, assinado por Stálin em 1939 com a Alemanha nazista – ou seja, fazendo ‘concessões táticas a um adversário superior, que podem ser a chave para ganhar tempo e consolidar uma empreitada histórica’”. Embora a comparação não seja exata, de nenhum modo deixa de fazer sentido e de guardar semelhanças.

No entanto, a intenção do KKE é clara: criticar o governo venezuelano, que passa a chamar de “social-democrata”, e que acusa de envolvimento no sequestro de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cília Flores.

Ataque ao Irã

Em seguida, o KKE passa a atacar a Revolução Iraniana e quem a defende, nomeadamente a PMAI (Plataforma Mundial Anti-Imperialista), cujo representante teria afirmado que “a ‘revolução de 1979’ iraniana foi ‘a revolução mais massiva do século XX; aliás, não há outra revolução no século XX com maior participação popular em massa’”.

O KKE corre ao dicionário para dizer que “revolução significa mudança na classe dominante”. Segundo afirma, “nenhuma mudança desse tipo ocorreu no Irã, apesar da vitória do significativo levante antimonárquico de 1979. Esse levante derrubou o amplamente odiado regime do Xá (…). A burguesia iraniana, contudo, manteve o poder após 1979, alterando o quadro ideológico-político do sistema burguês ao incorporar elementos religiosos e cultuais”. — grifo nosso.

O povo iraniano acabou com a monarquia e com os interesses do grande capital no país; mas, segundo o manual, não teria sido uma revolução, e sim apenas um “levante”.

Todo esse malabarismo não tem outra razão: o KKE não pode apoiar aqueles que estão em confronto direto com o imperialismo. Em vez de caracterizar que a Venezuela deveria aprofundar a revolução bolivariana, expropriar de vez a burguesia, o partido a trata como “social-democracia”, o que já não daria, no critério deles, para defender. O mesmo serviria para o Irã, que não passaria de um “sistema burguês com elementos religiosos e cultuais incorporados”.

Esses obstáculos que o KKE levanta são apenas uma desculpa. Esse partido já foi refutado tanto por Lênin quanto por Trótski, que estariam ao lado desses países em seu enfrentamento contra o imperialismo, independentemente do regime político.

O KKE não está sozinho em seu apoio velado ao imperialismo; faz parte de uma constelação de partidos e grupos da esquerda que capitularam e se tornaram uma linha auxiliar do grande capital contra a classe trabalhadora mundial.

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