Nesta sexta-feira (9), os embaixadores dos países da União Europeia aprovaram por maioria o acordo comercial com o Mercosul. O anúncio foi formalizado pelo Chipre, que ocupa a presidência rotativa do bloco europeu, sinalizando o fim de um processo de negociação que perdura por mais de 25 anos. Com esta aprovação, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, está autorizada a assinar oficialmente o tratado em 17 de janeiro, no Paraguai, conforme cronograma já antecipado pelo governo argentino.
A consolidação do acordo estabelece a maior zona de livre comércio do mundo, integrando blocos que reúnem 718 milhões de habitantes e um Produto Interno Bruto (PIB) combinado de US$22,4 trilhões. Para o setor produtivo europeu, a Comissão Europeia projeta uma economia superior a 4 bilhões de euros anuais apenas em isenção de tarifas de exportação. O tratado prevê a redução gradual de impostos para produtos industriais europeus, como veículos e máquinas, além de bens de consumo como queijos e vinhos. Em contrapartida, a produção agropecuária sul-americana terá acesso facilitado ao mercado europeu com a retirada de taxas sobre produtos como frango, café, frutas, peixes e óleos vegetais.
Apesar do tom de celebração da grande imprensa, a aprovação despertou reações negativas na Europa. A ministra da Agricultura da França, Annie Genevard, declarou publicamente que o país não hesitará em adotar medidas unilaterais caso identifique riscos aos seus produtores rurais. A França, acompanhada por países como Polônia, Irlanda e Hungria, tentou barrar o acordo, mas foi vencida pela maioria. O setor agrícola europeu manifesta preocupação com a entrada de carne, mel, arroz e soja produzidos no Mercosul, alegando que os critérios ambientais e sanitários sul-americanos diferem das exigências impostas aos produtores locais.
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, classificou a data como um dia histórico para o “multilateralismo”, enfatizando que o acordo ocorre em um momento de crescente “protecionismo global”. Na Alemanha, o chanceler Friedrich Merz afirmou que o tratado visa reduzir a dependência econômica da China. Para a União Europeia, o acordo também garante acesso privilegiado a matérias-primas críticas, como o lítio, fundamentais para a indústria de baterias e a transição energética.
Agricultores franceses e belgas realizaram bloqueios com tratores e fogueiras em rodovias, enquanto produtores poloneses protestaram em Varsóvia contra a abertura do mercado.
Em entrevista à TV 247, Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), afirmou que o acordo não modificaria em nada a relação entre os países.
“Nós estamos numa situação em que o imperialismo está impulsionando uma desorganização total das relações, porque ele não pode manter a ordem internacional. (…) Acontecimentos como o da Ucrânia, de Gaza e agora na Venezuela e o ataque contra o Irã mostram que vigora a lei da selva.”
O acordo, além de tudo, desfavorece profundamente a indústria brasileira, uma vez que irá baratear os produtos industrializados europeus e irá estimular a atividade do setor primário no Brasil.





