Guerra no Oriente Próximo

Para o PSTU, quem ataca o Irã é a Rússia e a China

O PSTU, mais uma vez, falsifica a realidade para se juntar ao imperialismo na calúnia a seus principais adversários

Trump e Bibi

O artigo Trump e Netanyahu fracassam, e tem início cessar-fogo de duas semanas, de Fábio Bosco, no sítio Opinião Socialista (ligado ao PSTU) nesta quarta-feira (8), além de não reconhecer o apoio popular ao governo iraniano, não consegue fazer uma caracterização básica para qualquer marxista: a natureza do imperialismo.

No início, o texto tenta fazer uma caracterização do que foi a guerra contra o Irã, fala sobre as ameaças do presidente americano, Donald Trump, em destruir a civilização iraniana. Fala também que “Israel” já rompeu um acordo, e também que o resultado da guerra “pode influenciar direta e profundamente a crise da ordem mundial e as tendências da luta de classes em boa parte do mundo”.

Há conclusões estranhas, como no trecho que afirma que “o controle estadunidense sobre o petróleo iraniano não se estabeleceu, ao contrário das declarações anteriores de Trump.”, seguido da pergunta retórica “pode ser que isso mude nas negociações?”, de onde o autor diz que “pode ser, na medida em que ao Irã interessa modernizar sua indústria do petróleo e vender o petróleo a preço de mercado, que são qualitativamente superiores em relação aos valores pagos pela China. Mas nada se parece ao exemplo venezuelano”.

Em um único parágrafo está dito que os Estados Unidos poderão controlar o petróleo iraniano e, pior, passando por cima da China e aproveitando para criticar a Venezuela. É muita imaginação, pois nada na realidade indica que algo parecido possa acontecer. Além disso, o Irã tem diversos acordos com os chineses, o que nos leva a supor que o “qualitativamente superior” deva estar justamente do lado da China que, como o Irã, também faz parte do BRICS. Vendendo seu petróleo por fora do dólar, os iranianos não ficam reféns de ataques à sua moeda como fizeram recentemente, nem do peso das sanções econômica.

Confusões teóricas

O PSTU afirma que “o sonho imperialista-sionista de um novo Oriente Médio sob hegemonia israelense está mais distante. Irã emerge mais forte e mantém sob sua mira o principal aliado de Israel no golfo, os Emirados Árabes, e também outros signatários dos vergonhosos acordos de Abrahão, que normalizaram as relações com Israel às custas do sangue palestino”.

“Israel” não pode ter um sonho imperialista, pois é apenas um cachorro do imperialismo no OM. É um país que depende integralmente da ajuda dos Estados Unidos e da União Europeia. Seu exército é incapaz de avançar no sul do Líbano enfrentando a resistência do Hesbolá, que dirá uma “expansão territorial”, como o texto sugere. Lembrando que em Gaza, os EUA tiveram que costurar um cessar-fogo, visto que os sionistas estavam sofrendo inúmeras baixas.

O texto afirma que “apesar do enfraquecimento do imperialismo-sionismo, a questão palestina não foi pautada com centralidade nas negociações com os Estados Unidos”.

Mais adiante, está escrito que “o imperialismo russo, um dos principais beneficiários da guerra, teve seus lucros com a exportação de petróleo e gás a preços maiores”.

Depois, está dito que “o imperialismo chinês se saiu bem. Escapou da inflação dos preços do petróleo e gás, fortaleceu alternativas energéticas (carvão e energias renováveis), pressionou o Irã para aceitar o cessar-fogo e fortaleceu seu perfil de previsibilidade em contraste com o imperialismo estadunidense”. – grifos nossos.

Para onde quer que o PSTU olhe, só consegue enxerga imperialismo, o que é uma aberração teórica. Tanto a Rússia quanto a China não podem ser considerados países imperialistas, pois sofrem sanções do imperialismo propriamente dito.

Interessa ao PSTU gerar essa confusão porque, na verdade, quer criticar apenas esses dois países, os principais alvos do verdadeiro imperialismo.

Medidas pró-imperialistas

Ainda que Donald Trump tenha dito que foram enviadas armas para mercenários no Irã, o PSTU lamenta que “hoje mesmo autoridades judiciais iranianos pediram a aceleração das execuções”. É a mesma retórica do imperialismo que diz que o Irã está matando o próprio.

É uma completa falsificação afirmar que “a classe trabalhadora terá que retomar a luta pelo fim das execuções e pela libertação dos presos políticos (mais de 50 mil), como também por liberdades democráticas de expressão e organização, e por justiça social. Isto só será conquistado com o fim da ditadura e do capitalismo”.

O PSTU se finge de cego, pois foi impossível não notar 31 milhões de iranianos em mais 1500 localidades saudando o governo por debelar os terroristas financiados pelo Mossad e pela CIA. Esse grupo que se diz de esquerda quer que se liberte agentes do imperialismo e do sionismo.

De qual ditadura o PSTU está falando? Aqui é importante desmascarar a política desse partido que se diz trotskista. Para apoiar o golpe militar no Egito, o golpe na Ucrânia e a oposição comprada da Venezuela, esse partido utilizava a desculpa de que, como havia povo nas ruas, seria a vontade popular. No entanto, o mesmo critério não é utilizado para o Irã, onde milhares de manifestantes saíras às ruas mesmo sob intenso bombardeio. E esse critério não é adota nessa situação porque contraria os interesses do imperialismo.

Elogiar o movimento “No Kings” financiado pelo bilionário George Soros, tudo bem, pois havia 7 milhões de pessoas nas ruas, segundo dizem. Porém, 31 milhões de pessoas no Irã – quase cinco vezes mais –, nem pensar. É uma verdadeira fraude, uma confissão de que apoia o imperialismo.

Contra o governo iraniano, apoiado pelo povo e que impôs uma dura derrota ao imperialismo, o PSTU propõe “fortalecer a organização independente da classe trabalhadora, através de sindicatos, do movimento estudantil, das organizações pelos direitos das mulheres, das nacionalidades oprimidas (curdos, balochis, árabes, …), além da numerosa diáspora que tem condições de construir uma solidariedade internacional a estas lutas democráticas e sociais”.

A diáspora prega a volta da monarquia do Xá Reza Pahlavi, e muitos comemoraram os bombardeios que assassinaram civis e as 180 meninas em uma escola. É isso que o PSTU de fato apoia. O que mais precisa ser dito?

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Rolar para cima

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.