Izadora Dias

Izadora Dias é militante do Partido da Causa Operária em São Paulo, coordenadora do coletivo de mulheres Rosa Luxemburgo e integrante da Secretaria de Organização do PCO. É militante anti-imperialista e anti-identitária. É estudante da USP e colunista do Diário Causa Operária.

Coluna

Para o imperialismo, ‘liberdade’ para as mulheres é a morte

Matt Schlapp exemplifica perfeitamente o que é o imperialismo e qual “liberdade” ele pretende impor às mulheres: antes mortas do que cobrindo os cabelos

Durante um debate no programa Piers Morgan Uncensored, um programa no  YouTube apresentado por Piers Morgan, o lobista Matt Schlapp deixou escapar, sem pudor, a essência do que o imperialismo entende por “liberdade” para as mulheres: antes mortas do que usando um hijab (ou, no caso dele, “burca”, demonstrando total ignorância sobre o Irã, onde o hijab é o mais comum e não a burca afegã).

O contexto é ainda pior: no primeiro dia da guerra, um ataque com míssil matou 175 crianças e funcionários de uma escola primária em Minab, no sul do Irã, segundo a Iranian Red Crescent Society. O Irã atribui a responsabilidade aos EUA e a “Israel”.

No debate, o jornalista Peter Beinart (Jewish Currents) afirmou que, se EUA e “Israel” não tivessem atacado um país que não representa ameaça séria a eles (“Israel” com centenas de armas nucleares, EUA com milhares), “aquelas meninas estariam vivas”. Schlapp interrompeu: “Estariam vivas de burca”. E completou: é hipócrita falar em dano a mulheres e crianças quando elas viveriam “em uma sociedade bárbara e desigual, atrás de uma burca, sem possibilidade de escolhas de carreira”. Cenk Uygur rebateu: “Então é melhor matá-las?”.

Essa fala de Matt Schlapp exemplifica perfeitamente o que é o imperialismo e qual “liberdade” ele pretende impor às mulheres: antes mortas do que cobrindo os cabelos. Não se trata de defender os direitos das mulheres iranianas, trata-se de justificar a intervenção militar, a destruição de um país soberano, sob o pretexto cínico de “emancipação feminina”.

Esses setores  conservadores e também os “liberais”  alegam que é preciso derrubar a teocracia iraniana para “libertar” as mulheres. Mas a “liberdade” que defendem aparece associada à violência, à morte em massa de crianças e à ruína econômica e social. O resultado não é avanço para as mulheres: é um retrocesso brutal. Bombardeios destroem infraestrutura, matam famílias, agravam a pobreza e limitam o acesso à educação e à saúde — tudo isso atinge mais duramente as mulheres.

No Irã, como em qualquer país oprimido pelo imperialismo, as condições das mulheres não melhoram com invasões ou sanções. Pelo contrário: guerras e bloqueios fortalecem os setores mais reacionários, empobrecem a população e transformam a luta por direitos em luta pela sobrevivência. A verdadeira emancipação das mulheres iranianas, assim como das trabalhadoras do mundo todo, virá da luta contra o imperialismo, assim como o regime iraniano atual está fazendo. 

É a necessidade de justificar guerras de rapina, de manter o domínio sobre o Oriente Médio e seus recursos. Schlapp e seus iguais  não dão a mínima pelas meninas mortas em Minab: eles as usam como escudo para dizer que “valeu a pena” matá-las, porque assim elas não viveriam “oprimidas”.

Para o imperialismo, liberdade para as mulheres é a morte.

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

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