Irã

Para esquerda filoimperialista, só existe ‘ditadura’ nos países oprimidos

Grupo que se diz "conta todos", menos contra o povo iraniano, quer a mesma coisa que o imperialismo: o fim do regime; justamente o que mais luta contra seus agressores

Revolução Iraniana

No dia 22 de junho de 2025, Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, escreveu uma mensagem em sua rede social particular (Truth Social), adaptando o seu famoso slogan de campanha para o contexto iraniano:

“Não é politicamente correto usar o termo ‘Mudança de Regime’, mas se o atual regime iraniano não consegue TORNAR O IRÃ GRANDE NOVAMENTE, por que não haveria uma mudança de regime??? MIGA!!!”

Esta é a posição do grupo Esquerda Revolucionária Internacional – ERI que, embora tente disfarçar, deixa claro na declaração que publicada em seu sítio nesta terça-feira (17) sob o título Irão | Entre a repressão selvagem do povo e as ameaças de intervenção imperialista.

O primeiro parágrafo faz o óbvio, serve para confundir os desavisados de que a posição desse grupo coincide com a do imperialismo. Dizem que “para a esquerda comunista e anti-imperialista, é uma obrigação abordar as ameaças de intervenção militar do presidente Trump contra o Irão de um ponto de vista internacionalista e de classe. Por isso, rejeitamos de forma contundente qualquer ataque de Washington, porque os seus objetivos não são de reestabelecer qualquer democracia, nem libertar o povo iraniano”. Com essas palavras, se pretendem mostrar muito radicais.

Em seguida, falam sobre o genocídio na Faixa de Gaza e do rapto de Nicolás Maduro; e, que há uma “demagogia ridícula que oculta os interesses predatórios do imperialismo ocidental e dos seus grandes monopólios para tomar controlo do petróleo iraniano e estabelecer um regime vassalo”.

Finalmente, no terceiro parágrafo, o grupo mostra a que veio, escreve que “ao mesmo tempo, essa rejeição dos planos criminosos do imperialismo estadunidense deve unir-se à denúncia e luta contra o regime teocrático reacionário dos mulás. Pensar que a ditadura fundamentalista de Teerão é uma aliada da classe trabalhadora na luta contra o imperialismo é ridículo. O massacre perpetuado ao longo das últimas semanas contra milhares de trabalhadores e jovens, a opressão contra as mulheres e as nações oprimidas, deixa claro a natureza reacionária deste regime, que nasceu em 1979 apoiado pelos capitalistas ocidentais para evitar o triunfo da revolução socialista”.

O que o ERI faz é repetir as mentiras da imprensa imperialista que acusa o governo iraniano de civis, quando ficou evidente, graças às redes sociais, que os ataques foram realizados por agentes financiados pelos Estados Unidos e por Israel.

Outra falácia é a questão da suposta “opressão contra as mulheres”, o mesmo subterfúgio que o imperialismo utilizou para invadir o Afeganistão e destruir o país. Esses invasores, tão “preocupados” as mulheres, nem mesmo vacinaram a população na pandemia. E, após a derrota, ainda confiscaram as verbas do único hospital afegão que tratava da Covid-19.

No Irã, mais de 60% das pessoas com curso universitário são mulheres. Na medicina, as mulheres também têm lugar destacado. Os três satélites recém-lançados pelo país tiveram sua parte técnica toda sob responsabilidade de cientistas e engenheiras. Além de haver uma universidade exclusiva para mulheres. Qual outro país faz isso?

É uma mentira flagrante a afirmação de que “o regime nasceu em 1979 apoiado pelos capitalistas ocidentais para evitar o triunfo da revolução socialista”. Se isso fosse verdade, por que o Irã foi, e é, tão combatido? Em 1980, o imperialismo lançou Saddam Hussein para tentar esmagar a revolução. Grupos de ‘esquerda’ como o MEK (Mujahedin-e-Khalq) se aliaram a Saddam. O Tudeh (Partido Comunista), conforme já publicamos (leia, leia também) apoia abertamente o imperialismo, e deveria ser dissolvido.

Mundo de fantasias

O ERI faz uma grande demagogia, diz que “os objetivos do imperialismo estadunidense no Irão não são de reestabelecer qualquer democracia, nem libertar o povo iraniano”. Porém, simultaneamente, passam adiante informações de ONGs no bolso do imperialismo, que se fingem de esquerda, que denunciam a “repressão”; que “os tiros e metralhares das forças policiais contra manifestantes indefesos terão causado entre 10 mil e 20 mil vítimas. O próprio líder iraniano, o aiatola Ali Khamenei, falava de ‘milhares de mortos’”.

Sim, Khamenei falou de milhares de mortos para denunciar a virulência dos agentes do Mossad, CIA e MI6, fortemente armados com armas automáticas. Dentre os mortos há várias centenas de policiais ou agentes de segurança, muitos espancados até a morte, decapitados ou queimados vivos.

A “informação” de 10, 20, 30 mil mortos, foi espalhada inicialmente pelo The Guardian, imprensa imperialista britânica, que agora e repetida por gente se diz de esquerda.

Os aloprados do ERI dizem que “manter uma firme posição anti-imperialista nada tem que ver com branquear o fundamentalismo islâmico, a burguesia iraniana, e os seus patronos do outro bloco imperialista, liderado pela Rússia e China”.

O governo iraniano está em uma luta de morte contra o imperialismo, o que esse grupo quer, que a população iraniana substitua o regime na iminência de uma guerra e ainda derrotar o imperialismo? É preciso viver no mundo da Lua para acreditar em tamanha fantasia. Enfraquecer um governo que prometeu afundar os porta-aviões americanos favorece apenas os agressores.

Para quem tinha dúvida de que esse grupo apoia os interesses do imperialismo, o ataque à Rússia e à China são muito esclarecedores. Além do que está dito acima, dizem que “os acontecimentos no Irão também expuseram os imperialistas chineses e russos, que deram a sua aprovação à repressão”.

É claro que os países aliados têm que aprovar o fato do governo iraniano ter reprimido os agentes estrangeiros. Quem não gostou é porque está do outro lado da história.

A declaração do ERI é um texto enfadonho, são 14 mil caracteres de mentiras e um discurso tentando provar que estão “contra todos”, e ao lado do povo iraniano. O que é absolutamente falso.

Esse grupo, ao tentar enfraquecer o Irã, também trai o povo palestino, que eles dizem apoiar, pois o Irã é o principal responsável pelo Eixo da Resistência, o motivo pelo qual é tão combatido e criticado.

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