Ásia

Paquistão declara ‘guerra aberta’ contra Talibã e bombardeia Cabul

Explosões atingiram a capital afegã na madrugada desta sexta-feira após ofensiva terrestre anunciada por Cabul na Linha Durand

O governo do Paquistão realizou bombardeios contra Cabul na madrugada desta sexta-feira (27), após o governo talibã do Afeganistão anunciar uma ofensiva terrestre ao longo da Linha Durand, na fronteira entre os dois países. Jornalistas da AFP em Cabul relataram explosões por volta de 1h50 (horário local), acompanhadas do som de jatos sobrevoando a cidade.

Um morador disse à AFP que até oito explosões ocorreram. “As duas primeiras foram mais longe. As últimas foram perto de nós, sacudiram a casa, e dá para ouvir jatos depois de cada explosão”, afirmou, pedindo anonimato por segurança. Após os estrondos, jornalistas da AFP registraram rajadas de tiros em áreas centrais até aproximadamente 2h30.

O correspondente da emissora libanesa Al Mayadeen em Cabul afirmou que ouviu explosões também em Kandahar e em áreas citadas como Paktia, além da capital. O mesmo correspondente disse que sistemas de defesa antiaérea estavam sendo acionados com intensidade em Cabul no momento dos relatos.

Ataques assumidos pelo governo paquistanês

O governo do Paquistão divulgou um vídeo de ataques noturnos e afirmou que aeronaves atingiram instalações militares do Talibã em retaliação ao que chamou de “agressão não provocada”. Autoridades paquistanesas, citadas pela imprensa local, disseram que a Força Aérea do país realizou ataques coordenados contra “posições talibãs” em Cabul, Kandahar e Paktika. Relatos locais apontaram destruição de dois quartéis-generais de brigada em Cabul.

O porta-voz do governo talibã, Zabihullah Mujahid, escreveu no X que forças do Paquistão bombardearam alvos em Cabul, Kandahar e Paktia. Em outra publicação, Mujahid chamou as ações de violação da soberania do Afeganistão.

Ofensiva talibã na Linha Durand

Antes dos bombardeios na capital, o governo talibã anunciou o início de “operações ofensivas em grande escala” contra posições militares do Paquistão ao longo da Linha Durand. O vice-porta-voz Hamdullah Fitrat afirmou que 15 postos militares paquistaneses foram capturados. Mujahid declarou no X que a ofensiva foi lançada “em resposta a provocações e violações repetidas” por setores militares do Paquistão.

Uma fonte de segurança afegã disse à Al Mayadeen que 10 soldados paquistaneses foram mortos e cinco posições do Paquistão foram destruídas. Mujahid afirmou que houve soldados mortos e capturados vivos, e publicou uma lista de áreas onde, segundo o governo talibã, postos foram tomados.

Resposta do Paquistão na fronteira

Um porta-voz do governo do Paquistão afirmou que forças afegãs abriram fogo “sem provocação” em múltiplos pontos da fronteira na província de Khyber Pakhtunkhwa. O governo paquistanês declarou que respondeu de forma “imediata e efetiva” e disse que forças afegãs estavam recebendo “punição” nos setores de Chitral, Khyber, Mohmand, Kurram e Bajaur, com destruição de postos e equipamentos. O governo do Paquistão afirmou que tomará “todas as medidas necessárias” para garantir integridade territorial e segurança de seus cidadãos.

O ministro do Interior do Paquistão, Mohsin Naqvi, declarou no X que as ações do país foram uma “resposta apropriada” ao que chamou de agressão do governo talibã.

Números de baixas e posições alegados por cada lado

As autoridades dos dois países divulgaram balanços diferentes de mortos, feridos, postos destruídos e capturados. A emissora catarense Al Jazeera informou que não conseguiu verificar de forma independente as alegações.

Mosharraf Zaidi, porta-voz do primeiro-ministro Shehbaz Sharif para imprensa estrangeira, escreveu no X que 133 integrantes das forças talibãs foram assassinados e mais de 200 ficaram feridos nos confrontos e ataques, e afirmou que 27 postos talibãs foram destruídos e nove foram capturados. Zaidi também declarou que mais de 80 tanques, peças de artilharia e blindados foram destruídos.

Em outra contagem atribuída ao Exército do Paquistão, o país afirmou que 228 combatentes talibãs foram assassinados e 314 ficaram feridos, com 74 postos destruídos e 18 capturados. O mesmo relato cita 27 pessoas feridas em ataques em território paquistanês.

O Ministério da Defesa do Afeganistão declarou que 55 soldados do Paquistão foram eliminados na ofensiva que, segundo o órgão, terminou por volta da meia-noite, e disse que “vários outros” foram capturados vivos. O governo talibã declarou ainda que oito soldados afegãos morreram e 11 ficaram feridos.

O governo talibã afirmou que realizou ataques com drones contra alvos militares no Paquistão. O ministro da Informação do Paquistão, Attaullah Tarar, declarou que drones foram derrubados por sistemas antidrones e que não houve “danos à vida”.

Escalada após bombardeios paquistaneses no domingo

A deterioração das relações entre os dois países acelerou após ataques aéreos do Paquistão no domingo (22) contra Nangarhar e Paktika. O governo paquistanês afirmou que mirou sete acampamentos ligados ao Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP) e ao Estado Islâmico–Khorasan e citou uma onda de atentados durante o Ramadã, incluindo um ataque a um imambargah (local de culto) em Islamabade que matou dezenas de fiéis, além de explosões em Bajaur e Bannu.

O governo talibã afirmou que os ataques paquistaneses mataram mais de 17 civis, incluindo mulheres e crianças, e disse que áreas residenciais e uma escola religiosa em Nangarhar foram atingidas. O governo talibã convocou o embaixador do Paquistão para protesto formal e declarou que responderia no momento apropriado.

Fim da trégua

Os ataques põem fim ao cessar-fogo negociado por Catar e Turquia após confrontos de outubro de 2025, quando mais de 70 pessoas morreram nos dois lados. Rodadas de mediação em Doa, Istambul e Jedá não produziram acordo duradouro.

O ministro da Defesa do Paquistão, Khawaja Muhammad Asif, escreveu no X que a “paciência chegou ao limite” e que o país está pronto para “confrontação aberta”. Ele acusou o governo talibã de atuar como “agente da Índia” e afirmou que o Afeganistão teria se tornado “colônia da Índia”, além de sustentar que haveria “exportação” de ações violentas a partir do território afegão.

Irã pede diálogo

O chanceler do Irã, Abbas Araghchi, pediu no X que Afeganistão e Paquistão resolvam suas diferenças por meio de conversas e afirmou que Teerã está disposto a apoiar um processo de diálogo entre os dois países.

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