Há um ditado popular argentino que afirma: “Estávamos melhor quando estávamos pior”. Com efeito, como entender que os bancários, que protagonizaram grandes mobilizações nacionais e chegaram a arrancar conquistas salariais e o direito de organização, construindo sindicatos reconhecidos, com recursos materiais e humanos extraordinários, antes jamais sonhados, e dirigentes liberados, verifiquem hoje um claro retrocesso tanto em suas organizações (ausência total de mobilizações, categoria pulverizada, reuniões esvaziadas e seções sindicais desmanteladas) como em suas lutas, a ponto de reivindicações, mesmo as mais elementares, não só não serem atendidas, mas também de conquistas que pareciam consolidadas começarem a ser frontalmente atacadas?
Nas últimas campanhas salariais, a categoria bancária assistiu a um verdadeiro impasse: do lado dos bancários, um descontentamento generalizado diante das enormes perdas salariais acumuladas ao longo dos sucessivos governos, das demissões em massa, do arrocho salarial e do quadro geral de ataques às já duras condições de vida.
Do lado dos “seus” dirigentes, uma vontade insuperável de não fazer nada para mobilizar. Pelo contrário, o Comando Nacional posicionou-se deliberadamente contra as propostas capazes de romper com a paralisia e conquistar as legítimas reivindicações: reposição de todas as perdas salariais, estabilidade no emprego e ganho real de 20%. Posicionou-se também contra a proposta de partir para um movimento grevista unificado de todos os bancários, por tempo indeterminado, inclusive com outras categorias importantes que se encontravam em mobilização, como os petroleiros, os trabalhadores dos Correios e os demais trabalhadores em luta.
A atuação da burocracia sindical, neste ano, foi a de fechar um acordo ultrarrebaixado o mais rápido possível, subordinando a campanha às eleições, que se avizinhavam, na expectativa da vitória da Frente Ampla. Daí toda a encenação dos burocratas correndo atrás dos banqueiros, do governo e de seus tribunais, com o pires na mão, implorando por “negociações” sérias.
A estratégia de subordinar as necessidades dos trabalhadores ao regime político burguês e às eleições nada mais é que um caminho de derrotas.
De que vale festejar a existência de sedes sindicais, computadores, carros de som, advogados, deputados, governadores e até presidente da República, se as lutas da categoria e as condições de vida não avançam, mas retrocedem (e tudo o que não avança retrocede)?!
É evidente que a categoria bancária não suporta mais essa situação.
Nunca, como hoje, os salários dos bancários chegaram a níveis tão baixos. Os trabalhadores não são responsáveis pela inflação (não essa divulgada pelos órgãos oficiais, mas a verdadeira, que consome o bolso do trabalhador), produto da grave crise econômica capitalista nacional e internacional. Portanto, não devem pagar a conta do impasse do regime dos patrões com arrocho salarial e demissões.
Nem toda a propaganda organizada pelo governo (nessas eleições, vimos bem a compra de votos feita pelo governo), nem mesmo uma Rede Globo multiplicada por três será capaz de esconder o fato de que, salvo no que interessa à burguesia (o arrocho salarial, a preservação dos seus lucros), o cumprimento da meta fiscal naufragará irremediavelmente, como todos os outros planos que o antecederam (arcabouço fiscal, taxa das blusinhas, aumento dos tributos sobre o consumo etc.).
Na terra arrasada em que se está transformando a Argentina com os planos de Milei e no colapso econômico-financeiro que abala a França e toda a Europa, podemos ver refletido, como num espelho, o que se espera para os brasileiros: aumento da inflação; cortes nos serviços públicos; aumento do custo de vida; aposentadorias e salários congelados; miséria crescente.
O que se coloca para a categoria bancária e para todos os trabalhadores não é só superar os problemas que os dirigentes sindicais estão procurando colocar em seus caminhos, mas também buscar unir forças com as demais categorias e organizar um movimento nacional contra a política dos patrões e de seus governos.





