Um banco no Catar pode continuar funcionando se os cabos que o ligam às redes internacionais forem danificados no estreito de Ormuz? Essa é a questão examinada pela Al Mayadeen a partir de reportagem da revista Time. O risco está ligado à guerra contra o Irã e à dificuldade de proteger ou reparar a infraestrutura sob ataques.
Cinco sistemas comerciais de cabos submarinos atravessam o estreito, segundo a União Internacional de Telecomunicações. A TeleGeography identifica entre eles o AAE-1, o FALCON e o Gulf Bridge International. Barém, Cuvaite e Catar dispõem de menos rotas submarinas alternativas. Mesmo suas conexões terrestres podem não suportar todo o tráfego desviado de cabos danificados.
Uma interrupção prolongada atrasaria pagamentos internacionais e o acesso a sistemas de empresas, repartições e serviços digitais. Operações do setor de energia também dependem dessas ligações. Os cabos de Ormuz representam menos de 1% da capacidade internacional global de transmissão de dados; isso não diminui sua importância para os países que os utilizam.
Sob condições normais, um conserto pode levar cerca de 40 dias, conforme a reportagem. Numa área de guerra, os navios especializados ainda teriam de lidar com restrições de acesso, seguros e ameaças militares. O custo da interrupção recairia sobre uma população que não decidiu a guerra nem controla as empresas proprietárias das redes.
O PCO reivindica para o Brasil a reversão da privatização das telecomunicações, a quebra do monopólio privado da Internet e acesso gratuito à população. A vulnerabilidade de Ormuz mostra por que a infraestrutura de comunicação deve estar sob controle público e por que os povos da região precisam decidir sobre as redes que atravessam seus territórios.





