A Operação Promessa Cumprida 4 alcançou no sábado (14) sua 50ª onda de ataques contra instalações militares norte-americanas na região e, na sequência, avançou para a 51ª, com o lançamento de mísseis contra a base aérea de Al Kharj, na Arábia Saudita. O Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) informou que a nova etapa da operação foi realizada sob a consigna “Ó Ali ibn Musa al-Rida” e empregou uma combinação de mísseis de combustível líquido e sólido.
De acordo com o comunicado do CGRI, a base de Al Kharj foi escolhida por ser um dos principais centros das operações militares dos Estados Unidos contra o Irã. No local estão estacionados caças F-35 e F-16, aeronaves de reabastecimento e os principais aviões norte-americanos de alerta aéreo antecipado, os AWACS. A 51ª onda foi dedicada à memória do general Abu al-Qasim Babaeian, chefe do gabinete militar do Líder da Revolução Islâmica, e de sua esposa.
Pouco antes disso, o Quartel-General Central Khatam al-Anbiya havia confirmado a 50ª onda da operação, voltada contra várias bases norte-americanas na região. Segundo o informe, foram atingidas as instalações de Al Dhafra e Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, Jufair, no Barém, a Quinta Frota dos Estados Unidos, Ali Al Salem, no Cuaite, e Al Azraq, na Jordânia. O porta-voz acrescentou que a operação também teve como alvo radares de alerta antecipado espalhados pela região, descritos como parte da cobertura de proteção oferecida a “Israel”.
O mesmo porta-voz afirmou que os ataques foram executados por VANTs explosivos e de precisão operados pela Força Aeroespacial do CGRI. Em sua declaração, afirmou: “nossos VANTs letais estão perseguindo, ponto por ponto, os esconderijos dos soldados terroristas do Exército dos EUA na região”. Em seguida, acrescentou que, após a obtenção das informações necessárias, “cada terrorista norte-americano” será atingido com precisão.
Em outro comunicado, o departamento de relações públicas do CGRI informou que, ainda na madrugada de sábado, as forças navais da guarda haviam lançado três ondas de ataques contra “bases terroristas norte-americanas na região”, com fogo denso e simultâneo de mísseis e VANTs. Segundo a nota, a base aérea de Al Dhafra foi atingida em radares Patriot, na torre de controle e em depósitos de defesa antiaérea. A base de Sheikh Isa teve como alvos radares de alerta antecipado, hangares, a plataforma central e tanques de combustível de aeronaves norte-americanas. Já a base de Al-Udairi, no Cuaite, teria sofrido destruição em depósitos de equipamentos, instalações de helicópteros e pontos de concentração de tropas.
O CGRI também declarou que o Estreito de Ormuz está sob “controle pleno e preciso” do Irã. O comunicado acrescentou que petroleiros e embarcações comerciais pertencentes aos “agressores e seus aliados” não têm permissão para atravessar a passagem e serão atingidos caso tentem fazê-lo.
Ainda no campo militar, o porta-voz do Khatam al-Anbiya informou que as forças de defesa antiaérea iranianas derrubaram mais quatro VANTs inimigos nas últimas horas. Com isso, segundo o comando iraniano, chegou a 118 o número total de VANTs inimigos abatidos desde o início da guerra imposta ao país em 28 de fevereiro.
O CGRI também denunciou que, nas últimas 48 horas, os Estados Unidos e “Israel” passaram a atacar fábricas civis no Irã. No comunicado, a guarda afirmou que “um número de queridos trabalhadores”, que estavam em atividade produtiva e em jejum, foi assassinado nesses bombardeios. A nota apresentou esses ataques como resultado do impasse enfrentado pelos agressores diante da resposta das Forças Armadas iranianas.
Em paralelo aos ataques contra bases, surgiram informações sobre novas ações iranianas contra interesses norte-americanos nos setores financeiro e energético. Uma fonte ouvida pela Al Mayadeen afirmou que agências do Citibank em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e em Manama, no Barém, foram atingidas por ataques com VANTs na madrugada de sábado, provocando incêndios. Antes disso, o próprio Citibank havia anunciado o fechamento temporário de quase todas as suas agências nos Emirados, após advertências iranianas sobre possíveis ataques a instituições financeiras ocidentais.
Também no sábado, um correspondente da AFP relatou a presença de fumaça sobre Fujairah, região que abriga um porto estratégico e um importante terminal de exportação de petróleo bruto. Autoridades locais afirmaram que escombros caíram após a interceptação de um VANT, provocando incêndio. Fontes citadas pela Reuters informaram que as operações de carregamento de petróleo no porto de Fujairah foram suspensas após o incidente.
Esses acontecimentos se deram horas depois de Donald Trump anunciar que os Estados Unidos haviam atacado alvos na ilha iraniana de Kharg, principal centro de exportação de petróleo do país, e ameaçar novas agressões contra a infraestrutura petroleira iraniana. Em resposta, o Quartel-General Khatam al-Anbiya advertiu que qualquer ataque às instalações petrolíferas, econômicas ou energéticas do Irã levará à destruição de todas as estruturas de energia ligadas aos Estados Unidos na região.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou no sábado que os ataques norte-americanos contra Kharg e Abu Musa, durante a noite, foram lançados a partir dos Emirados Árabes Unidos. Segundo ele, o Exército dos EUA utilizou o sistema HIMARS para disparar foguetes a partir de Ras Al Khaimah e de um ponto próximo a Dubai. Araghchi declarou que o Irã responderá de forma certa a esses ataques, mas com “máxima cautela” para evitar atingir prédios residenciais.
Na mesma linha, o porta-voz do Khatam al-Anbiya, Ebrahim Zolfaghari, afirmou que o Irã considera um direito legítimo atingir os pontos de origem dos lançamentos norte-americanos escondidos em portos, docas e abrigos situados em cidades dos Emirados. Zolfaghari pediu que os moradores dessas áreas se afastem de portos, docas e esconderijos conhecidos das forças dos EUA para evitar danos durante a resposta iraniana.
Outra advertência foi feita pelo porta-voz do CGRI, brigadeiro-general Ali Naeini, após os ataques a agências do Citibank. Em declaração à Sepah News, ele afirmou que todas as agências de bancos norte-americanos na região passarão a ser alvos legítimos caso o inimigo repita ataques contra bancos iranianos. Segundo Naeini, bombardeios realizados nesta semana contra instalações bancárias iranianas, entre elas escritórios do Banco Sepah, assassinaram funcionários e interromperam por horas o funcionamento presencial e digital dessas instituições.
Enquanto os ataques iranianos se ampliam, autoridades norte-americanas ouvidas pelo Semafor informaram que as reservas de interceptadores de mísseis balísticos de “Israel” se aproximam de níveis “criticamente baixos”. De acordo com essas autoridades, os bombardeios iranianos estão impondo crescente pressão sobre a rede de defesa aérea da entidade, em especial sobre os sistemas destinados a interceptar mísseis de longo alcance, como o Arrow.
Os próprios informes norte-americanos reconhecem que esse problema já era esperado. Cada interceptador do sistema Arrow custa vários milhões de dólares, é produzido em quantidade limitada e exige ciclos longos de fabricação. Ao mesmo tempo, especialistas militares passaram a descrever o confronto como uma guerra de atrito entre a capacidade ofensiva iraniana e os estoques de interceptadores dos Estados Unidos e de “Israel”. A avaliação é que um míssil iraniano custa por volta de 20.000 dólares, enquanto o projétil usado para destruí-lo custa milhões.
Esses estudos também indicam que a capacidade de produção de mísseis do Irã supera com folga o ritmo de fabricação dos interceptadores norte-americanos e sionistas. A estimativa é que o Irã consiga produzir dezenas de mísseis balísticos por mês, ao passo que apenas um número reduzido de interceptadores avançados é fabricado no mesmo período. Por isso, especialistas militares passaram a tratar o confronto como uma corrida entre a produção iraniana e a profundidade dos estoques defensivos dos adversários.
No terreno político, Abbas Araghchi declarou que o Irã continuará a se defender até que o risco de guerra seja eliminado e afirmou que o país segue estável e resistente, apesar dos ataques externos. Mohsen Rezaei, membro do Conselho de Discernimento do Interesse do Estado, declarou à emissora iraniana SNN que a guerra só poderá terminar quando os Estados Unidos pagarem compensação por todos os danos causados e retirarem totalmente suas forças do Golfo Pérsico. “Só consideraremos o fim da guerra quando, primeiro, recebermos compensação dos EUA por todos os danos e, em segundo lugar, obtivermos garantias totais para o futuro, o que é impossível sem a retirada dos EUA da região do Golfo Pérsico”, afirmou.
O novo Líder da Revolução Islâmica, Saied Mojtaba Khamenei, também defendeu que os governos do Oriente Médio revejam a presença de bases norte-americanas em seus territórios. Em declarações feitas nesta semana, pediu o fechamento dessas instalações e voltou a exigir reparações pelos danos impostos ao Irã.




