No início da semana, Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), enfim admitiu a existência de um contrato de cerca de R$130 milhões junto ao Banco Master. O caso, que já vinha sendo alvo de especulações e denúncias, se tornou um escândalo de enormes proporções.
Desde que o caso do Banco Master veio à tona, setores da esquerda pequeno-burguesa, sobretudo ligados ao PT, correram para atacar aqueles que denunciavam o escândalo. A primeira linha de defesa foi a negação pura e simples: diziam que o contrato não existia, que não havia provas e que tudo não passava de invenção. Agora, no entanto, com a existência do contrato vindo à tona, os mesmos setores mudaram o discurso. Já não dizem mais que ele não existe. Passaram a alegar que, embora o negócio seja incomum, não haveria nada de ilegal.
Mas esse argumento não resolve o problema. Pelo contrário, mostra apenas o grau de desmoralização daqueles que tentaram encobrir o caso. A questão central não é apenas jurídica, mas política. Um contrato desse porte, com cifras absolutamente fora do comum, firmado entre um banco envolvido em investigações e o escritório da esposa de um ministro do STF, não pode ser tratado como se fosse uma transação banal. Trata-se de um episódio de enorme gravidade, que exige explicações públicas e imediatas.
Alexandre de Moraes vinha agindo como um dos homens mais poderosos do País. Suas decisões têm impacto direto sobre a vida política nacional, sobre partidos, lideranças e direitos democráticos. Justamente por isso, qualquer suspeita que recaia sobre seu círculo mais próximo assume, inevitavelmente, um caráter público.
O escândalo é também importante por outro motivo: ele expõe, mais uma vez, a falência da política daqueles que transformaram Alexandre de Moraes em herói nacional. Durante anos, a esquerda oficial e amplos setores da classe média exaltaram o ministro como grande defensor da “democracia”, como se um representante do regime golpista de 2016 pudesse cumprir um papel progressista. Agora, os mesmos que venderam essa ilusão se veem presos ao monstro que ajudaram a alimentar.
A esquerda reformista terceirizou a luta contra o bolsonarismo para o Judiciário, em especial para o STF e para Alexandre de Moraes. Em vez de confiar na mobilização popular e na organização independente dos trabalhadores, preferiu apostar todas as fichas nos togados. O resultado está aí.
Não havia nada de surpreendente nisso. Alexandre de Moraes sempre foi um homem da direita. O fato de ter entrado em choque com Jair Bolsonaro não o transformou em aliado do povo. A crise atual apenas torna mais visível aquilo que já era evidente para qualquer análise minimamente séria: a luta contra a extrema direita não pode ser entregue às mãos de instituições do próprio regime.
Nesse sentido, a pergunta colocada pelo episódio é inevitável: onde estão os idólatras de Alexandre de Moraes? Onde estão aqueles que atacavam com fúria qualquer crítica ao ministro? Onde estão os que diziam ser necessário defendê-lo em nome do governo Lula, da “democracia” e do combate ao bolsonarismo?





