Está marcado para acontecer entre os dias 27 e 29 de março o 7º Congresso Nacional da Contraf – CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro), que tem como pauta principal eleger a nova diretoria da entidade.
A participação do congresso se dará por meio de delegados (cerca de 300, na sua maioria, se não a sua totalidade, composta pelos velhos burocratas sindicais) eleitos pelos sindicatos filiados e indicados pelas federações, cujo local é um Resort e Spa localizado na cidade de Guarujá, no litoral paulista.
A Contraf é a instância organizativa que tem poder de negociação e representação da categoria bancária de diversas Federações e mais de uma centena de Sindicatos, que estão no campo da Central Única dos Trabalhadores (CUT).
Para a sua atual presidenta, Juvandia Moreira, “Tivemos muitas realizações nessa gestão, mas também passamos momentos muito difíceis, de ataque aos bancos públicos. E, diante da reconfiguração do ramo financeiro e da reestruturação no setor bancário que estamos passando, neste congresso da Contraf se torna fundamental para nos organizarmos para enfrentarmos o próximo período de negociação, de defesa dos empregos das categorias que representamos e para avançarmos em novas conquistas”. (Site Contraf 02/03/2026)
Ao contrário das declarações da atual presidenta da Contraf, de “muitas realizações” e de alguns “momentos difíceis”, o que marca a situação, no entanto, é de um profundo retrocesso nas garantias de direitos e do emprego dos trabalhadores do ramo financeiro e, não encontra, por parte das direções sindicais, uma contrapartida de uma ação verdadeiramente de luta e até mesmo uma ação unitária da categoria bancária.
Mesmo contando com um Contrato Coletivo de Trabalho, as tais mesas específicas de negociações vêm sistematicamente acarretando assembleias específicas por bancos, método esse que só enfraquece a luta unitária dos trabalhadores bancários e evita um confronto generalizado com os patrões e o governo; um método que termina por impor os acordos, sempre muito abaixo do reivindicado (que já é extremamente baixo).
Com a atual situação de total paralisia das direções sindicais, das intermináveis mesas de negociações, onde somente os banqueiros levam vantagens, acordos bianuais, assembleias virtuais, etc., o movimento da categoria bancária se encontra incapacitado de lutar devido à política das suas direções, ou seja, os trabalhadores encontram-se completamente desarmados, com que se coloca como – uma vez mais – potencial vitimas da crise econômica que se aprofunda e da voracidade dos banqueiros em obter lucro a qualquer preço.
Para estruturar a reação dos bancários, faz-se necessário combater e criticar a orientação política da direção da Contraf, que literalmente neutraliza essa que é a principal organização dos trabalhadores do ramo financeiro.
Está colocado neste momento uma campanha pela convocação de uma plenária nacional da Contraf/CUT com delegados eleitos pelas bases. Essa plenária deve ter como único objetivo a discussão e elaboração de um plano unitário de lutas que dê respostas às lutas salariais, à crescente onda de demissões, às privatizações, à terceirização, ou seja, ao conjunto da política dos banqueiros. Esta campanha deve ser levada aos locais de trabalho para ser colocada em marcha, não mais um evento, num resort no Guarujá SP, das direções sindicais, mas uma verdadeira mobilização da categoria bancária.





