Em março, a plataforma Universidade Marxista, do Partido da Causa Operária (PCO), realizará um curso inédito e sobre um assunto fundamental para quem quer entender a luta de classes na América Latina: a Revolução Bolivariana. Ministrado pelo dirigente nacional do PCO, Henrique Simonard, o curso desmascara as mentiras do imperialismo e revela um dos processos revolucionários mais marcantes do subcontinente.
Entre os temas essenciais para a compreensão da Revolução Bolivariana, está o Pacto de Puntofijo.
Após a queda da ditadura militar de Pérez Jiménez, em 1958, a burguesia venezuelana, com apoio direto dos Estados Unidos, arquitetou um acordo político para estabilizar seu domínio de classe. O chamado Pacto de Puntofijo, assinado pelos partidos Ação Democrática (AD), COPEI (social-cristãos) e URD, dividiu o poder entre as alas “liberal” e “conservadora” da direita venezuelana, excluindo sistematicamente qualquer alternativa popular ou revolucionária.
Esse arranjo funcionava como uma vitrine “democrática” para os olhos do imperialismo — um modelo a ser mostrado ao mundo como alternativa ao “perigo comunista” em Cuba. Mas por trás dessa vitrine havia repressão brutal contra qualquer organização de esquerda, censura à imprensa progressista, perseguição de sindicatos combativos e uma política econômica voltada totalmente para o capital estrangeiro, em especial o norte-americano.
A Venezuela, dona das maiores reservas de petróleo do mundo, deveria ser um país próspero. Mas o curso mostrará com clareza como essa riqueza natural foi historicamente utilizada contra o povo.
Durante todo o período do Pacto de Puntofijo, a estatal petroleira PDVSA atuava como instrumento da pilhagem imperialista. Apesar de formalmente nacionalizada em 1976, a empresa manteve laços profundos com as multinacionais do setor e com o capital financeiro internacional, sendo conhecida como um “Estado dentro do Estado”. A renda petroleira enriqueceu uma minoria privilegiada enquanto as periferias urbanas cresciam em miséria, desemprego e violência.
Com a crise do petróleo e o colapso do mercado mundial nos anos 1980, o Estado venezuelano entrou em colapso fiscal. Em resposta, os governos aderiram ao receituário neoliberal do FMI: cortes nos gastos sociais, privatizações, congelamento de salários e abertura econômica. O resultado foi desastroso.
A inflação ultrapassou os 80% ao ano, a pobreza explodiu, os hospitais entraram em colapso, o desemprego virou norma. A classe média foi arrasada e os trabalhadores lançados na fome. O salário mínimo real perdeu mais da metade de seu poder de compra em menos de uma década.
A revolta popular não tardou. Em fevereiro de 1989, a população de Caracas e outras cidades explodiu em uma insurreição espontânea conhecida como Caracazo, contra o aumento do preço dos combustíveis e das passagens. A repressão do governo social-democrata de Carlos Andrés Pérez foi bárbara: mais de 3 mil mortos, muitos deles enterrados em valas comuns. O episódio é considerado o estopim da morte política do regime do Pacto de Puntofijo.





